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Coalizão de organizações ambientais apresenta 14 denúncias contra JBS a órgãos reguladores da Europa; empresa diz que não teve acesso ao conteúdo

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Fachada da empresa JBS em Goiás Wildes Barbosa/O Popular A Coalizão Jurídica Transnacional (Transnational Legal Coalition — TLC) apresentou, nesta quarta-feira (4), 14 denúncias por suspeita de lavagem de dinheiro contra a JBS, financiadores e prestadores de serviços da empresa em quatro países europeus. As notificações foram encaminhadas a agências reguladoras na Holanda, na Alemanha, na Irlanda e no Reino Unido. As denúncias apontam uma suposta relação da empresa com o desmatamento ilegal na cadeia de abastecimento de carne bovina, inclusive em terras indígenas. Um levantamento usado para embasar as acusações associa fornecedores diretos e indiretos da JBS a cerca de 6,6 milhões de hectares com registros de desmatamento desde 1988. A maior parte do desmatamento identificado, porém, ocorreu antes de julho de 2008. Segundo o estudo, 98% da área desmatada associada a fornecedores diretos da empresa e 96% daquela relacionada a fornecedores indiretos foram registrados entre 1988 e julho de 2008. O argumento da coalizão toma como base a legislação da União Europeia (UE) contra a lavagem de dinheiro, segundo a qual o gado criado em áreas desmatadas ilegalmente pode ser considerado um bem de origem criminosa. Além da produtora de carne, as denúncias têm como alvo 12 de seus principais financiadores, além de advogados e contadores. A JBS afirmou que não teve acesso à íntegra do conteúdo das denúncias e, até a última atualização desta reportagem, não havia enviado um posicionamento. A TLC reúne organizações jurídicas, ambientais e de investigação que buscam coordenar ações jurídicas em diferentes países contra empresas e instituições financeiras envolvidas em possíveis violações ambientais. Agora no g1 Para Octavio Ferraz, advogado e professor de Direito no King’s College London, que faz parte da coalizão, o objetivo é levar às autoridades responsáveis pela supervisão de instituições financeiras evidências sobre possíveis riscos associados à cadeia de fornecedores da JBS no Brasil. “A ideia de usar a lei de lavagem de dinheiro para crime ambiental é nova. Essa lei foi feita para outros tipos de crime, como corrupção e tráfico de drogas. A inovação dessas ações é exatamente abrir uma nova frente e usar uma lei que já é conhecida para tentar combater o crime ambiental”, afirma. A tese é que, diante de indícios de que recursos possam estar ligados a crimes ambientais, bancos e outros prestadores de serviços financeiros teriam a obrigação de aprofundar as verificações e, quando necessário, comunicar as autoridades. “O material coletado a pedido da TLC já é o suficiente para acender a luz vermelha lá nos financiadores europeus, que têm uma obrigação de ficar atentos em relação a clientes que possam estar envolvidos com crime, seja crime ambiental, seja qualquer tipo de crime”, afirma Ferraz. As denúncias atingem a JBS e instituições financeiras, gestoras, auditorias e um escritório de advocacia, entre elas Barclays, Standard Chartered, Banco do Brasil, Bank of Montreal, Rabobank, ING, BlackRock, EY, KPMG e Loyens & Loeff. Estudo aponta desmatamento de 6,5 milhões de hectares Do total de áreas identificadas pelo levantamento, 3.393.271 hectares estão associados a fornecedores diretos da JBS e outros 3.204.576 hectares a fornecedores indiretos. Na amostra analisada, mais de 80% dos fornecedores apresentaram registros de desmatamento em áreas protegidas, como Reservas Legais e Áreas de Preservação Permanente (APPs). Para chegar aos resultados, o estudo, encomendado pela TLC, cruzou informações de Guias de Trânsito Animal (GTAs), registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e dados de monitoramento do desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Como as GTAs registram o transporte de lotes de gado, e não o deslocamento individual de cada animal, os dados não permitem reconstruir com precisão todo o percurso dos bovinos. A própria coalizão reconhece que não é possível afirmar que um animal criado em uma propriedade com desmatamento ilegal tenha sido posteriormente abatido em um frigorífico da JBS. Segundo a TLC, o cruzamento dessas informações permite identificar movimentações de gado entre propriedades e frigoríficos e apontar situações de maior risco de irregularidades. O levantamento também utiliza imagens de satélite para verificar a ocorrência de desmatamento nas áreas analisadas O que diz o Banco do Brasil Ao g1, o Banco do Brasil afirma que não teve acesso à denúncia mencionada nem a eventuais materiais relacionados à suposta ocorrência de lavagem de dinheiro. "Cabe destacar que o Banco do Brasil mantém políticas, procedimentos e controles de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, em conformidade com a legislação e a regulamentação aplicáveis. Em relação aos aspectos sociais, ambientais e climáticos, o BB adota procedimentos para identificar, avaliar, monitorar e gerir os riscos associados às suas operações e relacionamentos, observadas a regulamentação aplicável e suas normas internas. Entre os anos de 2024 e 2025, esse conjunto de mecanismos permitiu ao Banco do Brasil evitar o direcionamento de R$ 44,4 bilhões em financiamentos para áreas não alinhadas às diretrizes socioambientais, conforme divulgado no Capítulo Estratégia de Conservação Ambiental do Caderno ASG dos respectivos anos. O BB também observa o SARB 26, normativo da Autorregulação Bancária da Febraban que estabelece diretrizes para a gestão do risco de desmatamento ilegal na cadeia da carne bovina. Sobre operações específicas, o Banco do Brasil não fornece informações legalmente protegidas por sigilo bancário", diz a empresa, em nota.

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