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Mineradora australiana negocia 70% da produção de terras raras de mina do Sul de MG com grupo europeu

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Terras raras: a disputa global por uma riqueza brasileira A mineradora australiana Viridis Mining and Minerals firmou um acordo de fornecimento de longo prazo de carbonato misto de terras raras (MREC) para a Rhodia Operations SAS, empresa integrante do grupo europeu Solvay. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram O contrato estabelece compromissos mínimos de compra de aproximadamente 70% da produção do Projeto Colossus, que deve começar a operar em 2028, em Poços de Caldas (MG). 🔎 Terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos estratégicos, fundamentais em tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos de defesa. O carbonato misto de terras raras (MREC) é um composto químico intermediário obtido por meio da lixiviação (lavagem) de argilas iônicas ou do processamento de minérios e que contém todos os elementos terras raras misturados, antes da sua separação. Carbonato de terras raras produzido pela mineradora Viridis, em Poços de Caldas, MG Fabiana Assis/g1 O contrato terá vigência até 31 de dezembro de 2034, com possibilidade de renovação por mais cinco anos. Os compromissos mínimos de compra seguem o modelo take-or-pay (o comprador se compromete a pagar por uma quantidade mínima e pré-fixada do produto) e começam no início das operações comerciais ou em 1º de janeiro de 2029, o que ocorrer primeiro. Após a conclusão do Estudo de Viabilidade Definitivo (DFS), em agosto de 2026, e a estruturação de um pacote de financiamento por capital próprio de até US$ 120 milhões, a Viridis avança nas etapas preparatórias para a implantação do Colossus. A companhia contratou a Sedgman e a Blossom como parceiras de engenharia, gerenciamento e construção (EPCM) e iniciou os primeiros pedidos de equipamentos. Com o acordo comercial e o avanço das negociações para financiamento por dívida, trabalha para concluir a estrutura financeira necessária ao empreendimento e manter a previsão de início da produção em 2028. Durante a fase de construção, o Colossus deverá gerar aproximadamente 2 mil empregos diretos, de acordo com a empresa. Na etapa de operação da mina e das instalações industriais, a estimativa da Viridis é de outros 600 postos de trabalho diretos. O empreendimento também deverá movimentar uma cadeia de fornecedores e prestadores de serviços, com geração adicional de empregos indiretos em setores como engenharia, construção civil, transporte, logística, manutenção e serviços especializados. Estruturação da cadeia Segundo o CEO e diretor-geral da Viridis, Rafael Moreno, o acordo representa um avanço na redução dos riscos comerciais do projeto e na estruturação de uma cadeia de fornecimento de terras raras fora dos mercados tradicionais. “Transformar nosso relacionamento com a Solvay em um acordo vinculante de fornecimento de longo prazo é um marco importante para a Viridis. Existem poucos grupos ocidentais com capacidade estabelecida de separação de terras raras que possam oferecer uma rota comercial confiável para esses materiais. Ter a Solvay como parceira responde a um dos principais desafios comerciais do Colossus e aumenta a confiança na viabilidade econômica de longo prazo do projeto”, afirma Moreno. A parceria também representa uma oportunidade estratégica para trazer tecnologia de separação de terras raras ao Brasil e estabelecer as bases de uma cadeia nacional de fornecimento. O contrato assegura uma rota comercial de longo prazo para a produção do Colossus, aspecto fundamental para viabilizar a estruturação do financiamento necessário à implantação do empreendimento. Com a assinatura, a Viridis também assegura uma das oportunidades de fornecimento de longo prazo ainda disponíveis no mercado global. Amostra de argila retirada de área formada sobre cratera de vulcão extinto no Sul de Minas rica em elementos conhecidos por terras raras Viridis/Divulgação A estrutura comercial considera referências de mercado e preços efetivamente realizados (market-linked prices and realised prices), com pisos contratuais atrativos para os quatro principais elementos utilizados na fabricação de ímãs permanentes: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. O mecanismo oferece proteção contra períodos de preços mais baixos no mercado internacional, preservando o potencial de ganhos adicionais em cenários de valorização das cotações. Acordo pode trazer desenvolvimento tecnológico para o Brasil, diz mineradora Paralelamente ao fornecimento, as empresas assinaram um acordo de licenciamento e serviços técnicos (Licensing and Technical Services Agreement – LTSA), atualmente em andamento. A iniciativa poderá viabilizar o uso de tecnologias e o suporte técnico da Solvay para a produção, no Brasil, de um MREC refinado, com maior concentração dos elementos magnéticos de interesse comercial. Trata-se de um passo importante para incorporar tecnologia de separação ao país e ampliar a participação brasileira nas etapas industriais da cadeia de terras raras. Desde junho de 2026, amostras produzidas na planta de demonstração da Viridis, em Poços de Caldas, são encaminhadas à unidade de separação da Solvay em La Rochelle, na França, para qualificação e desenvolvimento das especificações comerciais. “A colaboração vai muito além do fornecimento. A Solvay reúne décadas de experiência em separação de terras raras e tecnologias que pretendemos trazer, em conjunto, para o Brasil. Isso contribuirá para desenvolver capacidade de processamento no país e ampliar nossa participação na cadeia de valor desses elementos”, acrescenta Moreno. Para José Marques Braga Jr., diretor-executivo da Viridis no Brasil, o acordo representa um passo estratégico para consolidar o País na cadeia global de terras raras. “Essa parceria fortalece a viabilidade comercial do Projeto Colossus e aproxima a Viridis de uma empresa com reconhecida experiência industrial no setor. Mais do que garantir um mercado de longo prazo para nossa produção, o acordo abre oportunidades para o desenvolvimento tecnológico, a industrialização e a agregação de valor no Brasil. Nossa ambição é contribuir para que o País avance de forma consistente nessa cadeia estratégica”, afirma Braga Jr. Segundo Stéphane Diaz, gerente-geral da área de Terras Raras da Solvay, a combinação entre os recursos minerais brasileiros e a experiência industrial da companhia francesa fortalece o atendimento a mercados em expansão. “Temos satisfação em assinar este acordo de longo prazo com a Viridis. A combinação entre os recursos de alta qualidade da empresa no Brasil, as tecnologias comprovadas de processamento de terras raras da Solvay, nossa capacidade industrial em La Rochelle e o conhecimento das necessidades dos clientes reforça nossa capacidade de fornecer, de forma consistente, os materiais exigidos por mercados cada vez mais demandantes e em rápido crescimento”, afirma Diaz.

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