Adolescente supera trauma, vira caçador de tempestades e quer ser meteorologista
Adolescente supera trauma, vira caçador de tempestades e quer ser meteorologista em SP Um trauma que se transformou em busca por conhecimento deu origem a um hobby incomum para um adolescente de Marília (SP). Aos 16 anos, Mateus Luz dedica parte do tempo livre à prática de "caçar tempestades". O jovem, que começou a estudar os fenômenos após presenciar os estragos causados por um temporal na casa onde mora, tem o apoio da família e planeja seguir carreira na meteorologia. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Mateus Luz durante expedição para caçar tempestades no interior de SP Arquivo pessoal/Reprodução O ponto de virada ocorreu durante uma forte tempestade que atingiu a propriedade da família quando Mateus tinha 12 anos. O barulho e a intensidade do vento assustaram o garoto, mas também acenderam a vontade de compreender a dinâmica dos fenômenos meteorológicos. "Nós moramos em uma chácara cheia de árvores e passamos por uma tempestade terrível, com ventos muito fortes. Aquilo marcou demais a vida dele. Nós conversamos muito na época para acalmá-lo, mas eu nunca imaginei que, anos mais tarde, aquele trauma viraria uma paixão. Eu nem sabia que existia esse negócio de caçador de tempestades", relembrou a mãe do jovem, Alessandra Luz, em entrevista ao g1. LEIA MAIS Observatório de Bauru reúne quase 400 pessoas para observar o eclipse total da Lua; FOTOS FOTO: estudante do interior de SP registra galáxia a 14 milhões de anos-luz da terra Observatório de Astronomia da Unesp de Bauru fotografa Nebulosa de Órion com técnica inédita no local Supercélula nave-mãe registrada por Mateus durante expedição de maio Arquivo pessoal/Reprodução O incentivo em casa surtiu efeito, e o adolescente passou a pesquisar mais sobre meteorologia. O empurrão definitivo veio em 2024, quando o filme "Twister" (1996) foi relançado nos cinemas. Mateus conta que assistir ao longa foi o que faltava para entrar de vez na atividade. "Posso dizer que o filme deu um empurrãozinho. Com o tempo, fui aprofundando meus conhecimentos e passei a acompanhar as condições meteorológicas para tentar observar os eventos de mais perto. Também melhorei meus equipamentos e investi na área", explicou. Mateus começou com o hobby de caçar tempestade com 14 anos e já realizou sete expedições pelo interior de SP Arquivo pessoal/Reprodução O estudante já contabiliza inúmeras expedições de monitoramento, realizadas ao lado de amigos com quem compartilha o hobby e com o suporte dos pais. Apesar do receio com a exposição aos temporais, a mãe faz questão de acompanhar as viagens de perto. "Como mãe, hoje confesso que acho a atividade perigosa, mas faço questão de estar sempre junto dele, apoiando e acompanhando", pontuou Alessandra. Mateus, à esquerda, com colegas caçadores de tempestades no interior de SP Arquivo pessoal/Reprodução Como funcionam as caçadas Para viabilizar as observações com segurança, Mateus adquiriu câmeras fotográficas de maior alcance e passou a utilizar softwares de radar, modelos de previsão numérica e cartas meteorológicas. A preparação para cada expedição tem início dias antes do deslocamento. A equipe monitora a probabilidade de formação dos núcleos de tempestade, os índices de instabilidade, a trajetória dos sistemas e as áreas com maior potencial para tempo severo. "Caçamos sempre com alguém nos guiando, para termos rotas de fuga caso sejamos surpreendidos por fenômenos destrutivos como rajadas de vento e granizo, mantendo a observação a uma distância segura", detalhou o estudante. Entre os registros mais marcantes acumulados até agora, o jovem cita uma supercélula clássica noturna fotografada em 30 de agosto e uma estrutura conhecida no meio meteorológico como supercélula "nave-mãe", capturada em maio. Supercélula noturna registrada pelo jovem Mateus Luz durante expedição para caçar tempestades Arquivo pessoal/Reprodução 🔍Supercélula "nave-mãe" é o tipo de tempestade mais severo, organizado e duradouro da natureza, caracterizado pela presença de uma corrente de ar ascendente em rotação. As tempestades que ocorrem à noite trazem o risco adicional da falta de visibilidade, enquanto o termo "nave-mãe" refere-se ao visual de algumas dessas formações, cujas camadas circulares lembram a silhueta de um disco voador. Focado em profissionalizar o trabalho de campo, o adolescente pretende ingressar no ensino superior na área de ciências atmosféricas. "É algo que venho estudando por conta própria e gostaria de aprofundar meus conhecimentos profissionalmente no futuro, junto, é lógico, com as caçadas de tempestades", afirmou. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região
