Praia: Exposição “Entre Lugares” propõe reflexão sobre identidade, memória e pertença
Em declarações à Inforpress, Vítor Azevedo explicou que a mostra, patente ao público até 22 de Novembro, resulta da identificação de semelhanças arquitectónicas e visuais entre duas cidades, nomeadamente ao nível das cores das fachadas, das formas dos edifícios e dos jogos de luz e sombra. Estes elementos serviram de inspiração para a construção de uma linguagem visual abstracta. Filho de mãe portuguesa e pai cabo-verdiano, Vítor Azevedo vive há 27 anos em Inglaterra, depois de ter passado parte da juventude em Portugal. Segundo explicou, a experiência de viver entre diferentes países influenciou a construção da sua identidade cultural, que procura agora aprofundar através de uma maior ligação às suas origens cabo-verdianas. O título da exposição, “Entre Lugares”, traduz precisamente essa vivência entre Inglaterra, Portugal e Cabo Verde, países que, na sua perspectiva, reúnem referências culturais e visuais presentes no seu percurso pessoal e artístico. O artista explicou que a escolha do Platô para acolher a exposição tem um significado especial, por se tratar de uma zona ligada à história da sua família paterna. Nesse sentido, considerou que a mostra representa também uma oportunidade para conhecer melhor as suas raízes e partilhar com o público a sua interpretação dos espaços e das referências culturais que fazem parte da sua história. Vítor Azevedo destacou ainda a importância da arquitectura e dos pequenos elementos visuais que frequentemente passam despercebidos, explicando que procura transformar essas observações em composições artísticas, deixando ao público liberdade para interpretar as emoções transmitidas pelas cores e formas. Com formação inicial nas áreas das ciências, nomeadamente em Aquacultura e Biologia, o artista explicou que a experiência da imigração e a adaptação a diferentes contextos contribuíram para o seu percurso nas artes, tendo realizado exposições em Inglaterra e desenvolvido, posteriormente, formação artística. Na ocasião, manifestou também preocupação com as transformações urbanas e a perda de edifícios históricos no Platô, na cidade da Praia, defendendo a preservação do património arquitectónico como “parte fundamental da identidade cultural da cidade”. O artista chamou igualmente a atenção para a necessidade de criar mais oportunidades e espaços de exposição em Cabo Verde, considerando que existem trabalhos relevantes no domínio das artes plásticas, mas que a falta de estruturas limita a sua divulgação e o desenvolvimento do sector. Esta é a segunda exposição de Vítor Azevedo em Cabo Verde, depois de uma primeira apresentação, realizada há alguns anos numa livraria da cidade da Praia, onde foram exibidos cinco dos seus quadros.
