Israelense ouvido pela PF e advogado de Jair: os personagens da fuga de Flávio Bolsonaro
Fuga de Flávio Bolsonaro: documentos exclusivos revelam a logística Uma reportagem do Fantástico, exibida neste domingo (1º), revelou novos detalhes sobre os personagens envolvidos na operação que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil aos Estados Unidos, após sua derrota nas eleições presidenciais. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Com base em documentos do sistema de imigração da Argentina, que integram uma investigação realizada em cooperação internacional, o programa identificou pessoas que participaram dos deslocamentos até o aeroporto de Puerto Iguazú, na fronteira com Foz do Iguaçu (PR). Entre os nomes citados estão advogados, motoristas e pessoas que aparecem nos registros migratórios das duas vans utilizadas na operação. Em uma delas, estavam registrados os dados da mulher de Flávio, Fernanda, e das duas filhas do casal. Na outra, apareciam três homens: o israelense Menachem Booky Halevy, o advogado Roberto Jorge Alexandre e o motorista Neri Luiz Dala Corte. A investigação aponta que a operação envolveu diferentes trajetos até o aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, de onde Flávio e sua família partiram para os Estados Unidos. Flávio deixou o Brasil após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar que ele entregasse seus passaportes à Polícia Federal. Roberto Jorge Alexandre, advogado que defendeu Jair Bolsonaro O advogado Roberto Jorge Alexandre, que aparece nos registros da segunda van, já atuou na defesa de Jair Bolsonaro. Alexandre também visitou o ex-presidente no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Na noite de 27 de outubro, o advogado teve sua entrada na Argentina registrada no mesmo veículo em que estavam Menachem Booky Halevy e o motorista Neri Luiz Dala Corte. (Saiba mais abaixo). A reportagem tentou entrar em contato com Roberto Jorge Alexandre por diferentes números de telefone, mas não obteve retorno. Menachem Booky Halevy, israelense Um dos nomes identificados nos registros migratórios argentinos é o de Menachem Booky Halevy, israelense apontado como ex-oficial do serviço de inteligência de Israel. Menachem aparece em fotografias de eventos com autoridades israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Há também imagens dele em feiras internacionais de equipamentos de segurança. Os registros consultados pela reportagem mostram que ele entrou no Brasil pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, em 19 de outubro. Ele já havia feito outras três viagens ao país em 2026. Na quinta-feira, quando pretendia embarcar para Bogotá, na Colômbia, Menachem foi levado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos no aeroporto de Guarulhos. Após o depoimento, o israelense comprou uma nova passagem, desta vez com destino aos Estados Unidos. O Fantástico também apurou que o advogado Roberto Jorge Alexandre tinha passagem para o mesmo voo com destino à Colômbia, mas embarcou normalmente. Neri Luiz Dala Corte, o motorista que levou dois homens ao aeroporto Outro personagem identificado nos registros migratórios é Neri Luiz Dala Corte, motorista de uma das vans que cruzaram a fronteira entre Brasil e Argentina. Segundo a investigação, os motoristas dos dois veículos seriam pai e filho, informação negada por Neri, que afirmou que o filho não estava dirigindo a outra van. Encontrado em casa pela equipe do Fantástico, Neri contou que havia sido contratado para buscar dois homens em um posto de gasolina em Foz do Iguaçu e levá-los ao aeroporto de Puerto Iguazú. "Eu levei duas pessoas que eu nem sei quem é. Aí deixei eles lá no aeroporto. Eles desceram, fiz a volta, e quando tava saindo tinha uns repórteres assim na minha frente", contou. O motorista negou ter visto qualquer integrante da família Bolsonaro. O jornalista argentino Nicolás Munafó, do canal de notícias C5N, estava no aeroporto de Puerto Iguazú quando as vans chegaram e confirmou ter abordado Neri. Segundo Munafó, o motorista negou ter transportado Bolsonaro e respondeu "ninguém, ninguém" quando foi questionado sobre quem estava no veículo. O jornalista também relatou que a comitiva era acompanhada por veículos oficiais argentinos, incluindo uma caminhonete da Polícia de Segurança Aeroportuária e outra com placa diplomática. LEIA TAMBÉM: Três registros de entrada na Argentina em 40 minutos: os bastidores da fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil 'Como puderam autorizar?': deputada argentina questiona governo Milei sobre fuga de Flávio Willer Tomaz, advogado e amigo de Flávio Bolsonaro O advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, também é citado em uma das versões investigadas sobre a saída do senador do Brasil. Segundo o Fantástico, Flávio teria deixado Brasília às 5h05 de terça-feira (27), em um jato de prefixo PR-AAA, ligado ao advogado. A aeronave pousou às 8h40 em San Fernando, na região de Buenos Aires. De lá, o senador teria seguido em outro voo privado até Puerto Iguazú. A assessoria de Willer Tomaz negou que aeronaves pertencentes a ele ou a empresas vinculadas à sua família tenham sido utilizadas pelo senador ou por seus familiares para deixar o Brasil. "É falsa a informação de que aeronave pertencente a ele, ou a empresas vinculadas à sua família, tenha sido utilizada pelo senador Flávio Bolsonaro ou por seus familiares para deixar o Brasil", afirmou em nota. Willer também é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ao lado de Flávio Bolsonaro, em um inquérito sobre suposta lavagem de dinheiro em um caso ligado a empresas de apostas, conhecidas como bets. O advogado nega a prática de lavagem de dinheiro. Jason Miller, assessor de Donald Trump A imprensa americana apontou que Jason Miller, assessor do presidente americano Donald Trump, teria sido responsável por providenciar a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. Flávio e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, estiveram com Miller nos EUA quando o senador ainda era pré-candidato à Presidência da República. O voo que levou Flávio e sua família da Argentina à Flórida custou US$ 150 mil (cerca de R$ 800 mil), segundo o empresário argentino Luis Grande, dono da companhia aérea Baires Fly, responsável pela aeronave. Grande afirmou à agência France-Presse (AFP) que o pagamento foi feito por um intermediário do setor de aviação que mora nos Estados Unidos, por meio de uma transferência de uma conta empresarial americana para um banco argentino. O empresário não revelou o nome do intermediário e disse desconhecer quem foi o contratante final da viagem. As informações divulgadas não confirmam que Miller tenha sido responsável pelo pagamento. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou que o governo dos Estados Unidos tenha colaborado com a saída de Flávio do Brasil. "Não facilitamos nada. Não tivemos nenhuma participação nos preparativos que ele fez. O governo dos Estados Unidos não teve participação direta em nenhuma das movimentações realizadas", afirmou. Luis Grande, dono da empresa responsável pelo voo aos EUA O empresário argentino Luis Grande é proprietário da Baires Fly, empresa responsável pelo jato de luxo utilizado por Flávio Bolsonaro e sua família para viajar aos Estados Unidos. A aeronave era um Gulfstream G400, de prefixo LV-JQW, que partiu de Puerto Iguazú, na Argentina, e fez uma escala em Guayaquil, no Equador, para reabastecimento. O desembarque ocorreu na manhã de quarta-feira (28), no Aeroporto Executivo de Opa-Locka, na região de Miami, na Flórida. Em entrevista à AFP, Grande revelou o valor da viagem e detalhes da transferência bancária, mas afirmou não saber quem havia contratado o voo. Procurada pelo Fantástico, a Baires Fly não respondeu aos questionamentos. O advogado Frederick Wassef, representante de Flávio Bolsonaro, afirmou ao programa que nenhuma informação sobre a viagem do senador era oficial ou havia sido confirmada. Ele também negou que a saída do Brasil tenha sido uma fuga. Israelense ouvido pela PF e advogado de Jair: os personagens da fuga de Flávio Bolsonaro Reprodução/TV Globo Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. Flavio Bolsonaro fugiu do Brasil rumo aos EUA Reprodução/TV Globo
