Democrata apoia republicano e agita reta final das eleições nos EUA
A congressista Haley Stevens anunciou no domingo o apoio ao republicano Mike Rogers, que enfrenta Abdul El-Sayed, vencedor das primárias democratas naquele estado, numa das disputas consideradas decisivas para o controlo do Senado. "É uma traição abjeta", reagiu o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, numa altura em que a maioria na câmara alta poderá depender de uma diferença de apenas um lugar. O Presidente republicano Donald Trump, pelo contrário, saudou a decisão da congressista na sua plataforma Truth Social. "Uau, isto é ENORME!", escreveu o Presidente norte-americano, elogiando a "lealdade" e a "coragem" de Stevens e destacando a sua influência junto dos eleitores judeus e afro-americanos. A congressista anunciou o apoio a Rogers através de um vídeo divulgado no domingo, aparecendo posteriormente ao lado do candidato republicano durante uma cerimónia religiosa numa igreja afro-americana. Stevens, derrotada por El-Sayed nas primárias democratas, justificou a decisão com divergências sobre a política norte-americana relativamente a Israel. A eventual eleição de El-Sayed fará dele o primeiro senador muçulmano da história dos Estados Unidos. A controvérsia surge na reta final de uma campanha em que os democratas procuram recuperar o controlo do Congresso, atualmente dominado pelos republicanos. No Texas, o democrata James Talarico realiza hoje os últimos comícios da campanha contra o republicano Ken Paxton, enquanto no Kansas Adam Hamilton procura derrotar o senador republicano Roger Marshall. As duas disputas decorrem em estados tradicionalmente favoráveis aos republicanos, mas que os democratas consideram importantes para as suas possibilidades de conquistar a maioria no Senado. Na Câmara de Representantes, onde os 435 lugares estão em disputa, as sondagens apontam para uma vantagem democrata. A disputa pelo Senado permanece mais equilibrada, uma vez que apenas cerca de um terço dos seus 100 lugares será renovado. O controlo da Câmara de Representantes permitirá aos democratas influenciar a aprovação do orçamento federal e dirigir comissões parlamentares com poderes de investigação sobre a administração Trump, incluindo questões relacionadas com alegadas práticas de corrupção e o caso Jeffrey Epstein. Uma maioria democrata no Senado poderá ainda bloquear nomeações presidenciais para cargos judiciais vitalícios, incluindo no Supremo Tribunal. A campanha decorre num contexto de descontentamento com o custo de vida e com a guerra contra o Irão, iniciada há oito meses. Uma sondagem divulgada no domingo pela NBC News indica que 60% dos norte-americanos desaprovam o desempenho de Trump na presidência. Apesar das sondagens favoráveis, os democratas mantêm uma posição cautelosa, recordando que anteriores estudos de opinião subestimaram a mobilização dos apoiantes do movimento MAGA ("Make America Great Again"), associado ao Presidente republicano. A participação eleitoral antecipada atingiu entretanto um novo máximo, com cerca de 54 milhões de norte-americanos a terem já votado, incluindo uma maioria de eleitores registados como democratas entre aqueles cuja filiação partidária é conhecida. Segundo os dados divulgados durante a campanha, os gastos em publicidade eleitoral aproximaram-se dos 11 mil milhões de dólares (quase 10 mil milhões de euros), com uma parte significativa do financiamento proveniente de grandes doadores privados. As eleições de terça-feira determinarão a composição do Congresso durante os últimos dois anos do atual mandato presidencial.
