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Mindelact propõe um regresso claridoso às nossas raízes

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A memória, as transformações e a relação de Cabo Verde com o mundo dão o mote à 32.ª edição do Mindelact, que assinala os 90 anos da revista e do movimento Claridade. Sob o lema “Raiz”, o Festival Internacional de Teatro do Mindelo decorre de 2 a 7 de Novembro. José Bettencourt, vice-presidente da Associação Mindelact, explica que a escolha do tema parte do reconhecimento do lugar da Claridade na história e na literatura cabo-verdianas. “Sabemos a importância da Claridade na nossa história, na nossa literatura, e foi a pensar nisso que resolvemos voltar à nossa raiz”, diz. O propósito é recordar as raízes, seguindo a prática do festival de escolher um tema para cada edição. “No fundo, falamos da memória, das transformações e da relação com o mundo. O Mindelact é um festival aberto a diversas geografias, mas também profundamente ligado ao território onde acontece”, afirma. O festival acumula um percurso que José Bettencourt resume na frase “estamos já com muita estrada”. A experiência não dispensa a procura constante de apoios, numa luta que parece não ter fim. Para 2026, o orçamento aproxima-se dos 17 mil contos e o festival só é possível pelo envolvimento directo dos grupos na mobilização de recursos. “A viagem, onde iríamos gastar mais, felizmente, [os grupos] conseguem financiá-la através de apoios nos seus países”, explica. O vice-presidente da Associação Mindelact lembra que o movimento de grupos de teatro de São Vicente já conheceu melhores dias e identifica as dificuldades de produção entre os factores que contribuem para uma redução da dinâmica teatral local. Programação Fora do Palco 1 (ver caixa), o circuito Mindelact leva espectáculos a diferentes espaços da cidade. Deixamos apenas alguns dos destaques. Na Academia Jotamont, o togolês Naziyr apresenta Poeformance , a 4 de Novembro, cruzando slam, música e expressão corporal. No dia seguinte, Em Silêncio , da companhia portuguesa Kind of Black Box, ocupa o Espaço Jovem da Ribeira de Craquinha com uma abordagem documental aos 48 anos da ditadura portuguesa. A 7 de Novembro, Flávia Gusmão interpreta Uma performance, meu Deus , no CNAD. As três sessões começam às 19h00. O Teatro na Praça inclui Ubu: o que é bom tem que continuar! , dos grupos brasileiros Clowns de Shakespeare, Facetas e Asavessa, a 3 de Novembro, às 17h00, na Praça Amílcar Cabral. Antes da Queda , de Rafael InkCircus, passa pelo CNAD no dia 2, às 19h00, e pela Praça de Salamansa no dia 5, às 17h00. Já Um Milhão +1 , de Clown Enano, apresenta-se a 6 de Novembro, às 17h00, na Praça de Cruz. Para os mais novos, a Teatrolândia apresenta Fubá Play , do Grupo Tibanaré, a 4 de Novembro, às 10h00, na Escola Portuguesa.A 7 de Novembro, às 16h00, a Academia Jotamont recebe Dangerosíssima Viagem , da companhia brasileira Corpo na Contramão. A programação completa, incluindo das extensões a Porto Novo e Praia, está disponível no site do festival. ___________________________________________________________ Seis noites no Palco 1 Centro Cultural do Mindelo, de 2 a 7 de Novembro, sempre às 21h00 2 de Novembro | Amontoados Mindelact e Teatro Griot (Cabo Verde/Portugal) Numa espécie de deserto que amplifica os efeitos de luz solar, pequenas comunidades organizam a existência segundo regras distintas. Dependem de uma montanha feita de sal e dos seus mortos, de onde retiram o alimento que mantém os vivos. Tudo parece obedecer a uma ordem primordial, anterior à separação entre humano e natureza, entre aquilo que vive e aquilo que morre. 3 de Novembro | Quando a Gente Ama Palavra Z Produções Culturais (Brasil) Num subúrbio carioca, personagens encontram-se em torno de uma roda de samba e, entre amores, conflitos, reencontros, perdas e celebrações, revelam histórias atravessadas pelas canções de Arlindo Cruz. Após a morte de Arlindo Cruz, em 2025, o espectáculo ganhou também a dimensão de tributo. 4 de Novembro | Frágil Compañía Nómada (Canárias) Uma peça sobre resistência corporal e memória viva. Há corpos que se sentam para desaparecer e há corpos que se sentam para permanecer. Esta é a história de alguém que, sem o dizer, escolheu ficar. 5 de Novembro | Psycho Companhia de Teatro Solaris (Cabo Verde) Três fobias, uma actriz, um espectáculo. Um corpo atormentado por três fobias (sexo, sujidade, multidão) encontra-se num micromundo, num quintal. O que se deve fazer quando não se quer enfrentar a sociedade, mas se precisa dela? Que fazer? Para onde ir? 6 de Novembro | Batom Vermelho Fladu Fla (Cabo Verde) A dramaturgia Batom Vermelho , alicerçada num elenco de cinco actrizes, é uma mistura de drama e comédia, resultante do reajuste da dramaturgia Pixinguinhas , da autora Florizandra Porto, premiada no concurso de dramaturgia Ano Nobu, lançado em 2021. Cinco actrizes proporcionam à plateia um momento de reflexão. 7 de Novembro | Passa-Porte Hotel Europa (Portugal) Espectáculo de teatro documental que reflecte sobre o fim do colonialismo português e as suas consequências na vida das pessoas que chegaram a Portugal e na forma como foram recebidas. Uma viagem feita através de testemunhos reais pela história recente de Portugal. Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1300 de 28 de Outubro de 2026.

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