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Ibovespa: tombo de 18% iguala semana de 11 de Setembro e chega perto da pandemia; o que esperar?

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Ibovespa acumulou 18% de queda em uma semana O resultado do segundo turno das eleições, com a reeleição do presidente Lula (PT), sacudiu o mercado financeiro. O dólar disparou, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou a semana em queda de mais de 18%, aos 167.922 pontos, após cinco pregões consecutivos de baixa. Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que a queda reflete uma revisão das apostas do mercado após a vitória de Lula. Para eles, a volatilidade deve continuar alta, e uma recuperação mais consistente dependerá dos próximos sinais do governo para a economia e as contas públicas. (leia mais abaixo) 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Mas o resultado é especialmente marcante porque a bolsa registrou sua quinta pior semana desde o Plano Real, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. As perdas só ficaram atrás de períodos como a semana encerrada em 20 de março de 2020, no início da pandemia de Covid-19, quando o índice despencou 18,88%. (veja abaixo) A lista concentra, principalmente, momentos de forte crise no cenário internacional. Em 1997, a crise asiática, que começou na Tailândia e se espalhou pela região, fez o Ibovespa despencar 22,17% na semana encerrada em 31 de outubro daquele ano. Em 2008, a crise do subprime, nos EUA, provocou uma avalanche nos mercados. O estouro da bolha imobiliária no país e a falência do banco Lehman Brothers agravaram a crise financeira global. Na semana encerrada em 10 de outubro daquele ano, a bolsa brasileira recuou 20,01%. Movimento semelhante ocorreu após os ataques às Torres Gêmeas, nos EUA, em 2001. Na semana encerrada em 14 de setembro, o Ibovespa caiu 18,12% em meio aos atentados e ao temor de uma resposta militar americana, aponta a Elos Ayta. Veja abaixo: Maiores quedas semanais do Ibovespa desde o Plano Real Arte/g1 O levantamento também mostra que as empresas brasileiras listadas na B3, a bolsa de valores brasileira, perderam R$ 963 bilhões em valor de mercado nesta semana, após o segundo turno das eleições presidenciais. “É equivalente a uma Petrobras inteira e mais R$ 229 bilhões”, diz a consultoria. A disparada do dólar A pressão também chegou ao câmbio. Considerando a Ptax, taxa de referência do dólar calculada pelo Banco Central do Brasil (BC) a partir das cotações do mercado, a moeda americana subiu 7,61% na semana, aponta a Elos Ayta. Foi a maior alta semanal desde setembro de 2011, quando o temor de um calote da Grécia agravava a crise da dívida na Europa e aumentava as incertezas sobre a economia global. O levantamento considera o período desde 1999, quando o Brasil abandonou o câmbio administrado e passou a adotar o regime flutuante, no qual a cotação é determinada principalmente pela oferta e pela demanda. O recorde é de janeiro daquele ano, com alta semanal de 21,11%. Veja abaixo: Maiores altas semanais do dólar. Arte/g1 O que explica a turbulência nos mercados? O mercado dava como certa a vitória de Flávio Bolsonaro (PL), mas Lula foi reeleito em uma virada histórica no segundo turno. Investidores vinham precificando uma mudança de rumo na política econômica, sobretudo na condução das contas públicas. 🔎 Essa expectativa persistiu apesar de sinais em sentido contrário dados pelo senador durante a campanha — entre eles, propostas que significavam aumento de gastos. A aposta havia ajudado a impulsionar a bolsa e derrubar o dólar após o primeiro turno. Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, destaca a dimensão do movimento: o Ibovespa saiu de 186 mil pontos no fim de setembro e superou os 205 mil na sexta-feira anterior ao segundo turno. “A queda desta semana é, antes de tudo, a desmontagem de uma aposta. Desde o primeiro turno, liderado pelo senador Flávio Bolsonaro, o mercado passou a precificar uma mudança de rumo na política fiscal", diz. O movimento foi puxado principalmente por investidores estrangeiros, que haviam apostado na bolsa no período eleitoral, explica Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil. Ele aponta, porém, que esse dinheiro começou a sair ainda na quinta e na sexta-feira anteriores ao segundo turno, antes mesmo de o resultado ser conhecido. “O gringo já estava desmontando. Quer se expor ao boato, mas não quer se expor ao fato”, afirma. Após o resultado, segundo Praça, esse movimento se intensificou, enquanto pessoas físicas fizeram o caminho contrário e compraram ações. Ele pondera, porém, que parte da queda poderia ocorrer mesmo com uma vitória de Flávio. “Não quer dizer que, se Flávio ganhasse, não ia cair, porque isso aqui tudo era especulação.” Dívida pública é tema central Conforme mostrou o g1, a intensidade da reação também reflete uma preocupação anterior à eleição: a situação das contas públicas. A dívida bruta brasileira chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, o equivalente a cerca de R$ 11,1 trilhões. Em outras palavras, a dívida equivale a cerca de 10 meses de tudo o que a economia brasileira produz. O problema se agrava quando investidores duvidam da capacidade do governo de controlar os gastos e estabilizar a dívida. Nesse cenário, passam a exigir juros maiores para financiar o país, o que encarece o crédito, pesa sobre as empresas e torna a renda fixa mais atraente que a bolsa. Luiz Dornelas, CEO do Grupo Ludo, afirma que a queda reflete uma revisão de expectativas e maior cautela com a economia, especialmente com as contas públicas. Mas ressalta que não há uma causa única. “Os dados fiscais ajudam a entender a vulnerabilidade do mercado, mas não permitem atribuir toda a queda da semana a esse fator. O ambiente internacional, as perspectivas das empresas e o reposicionamento dos investidores também precisam ser considerados", diz. Emerson Vieira De Farias Junior, gestor de câmbio e contas internacionais da Convexa Investimentos, também coloca o risco fiscal no centro das preocupações e diz que o mercado espera sinais mais claros do governo. “Nosso problema não é falta de dólar. O Banco Central tem reservas robustas. O ponto é o risco fiscal. O mercado agora quer dois sinais claros: quem será o ministro da Fazenda e qual será o plano fiscal crível para ancorar as expectativas sobre a dívida”, afirma. O que esperar à frente? A avaliação dos especialistas é que as oscilações do mercado devem continuar fortes nos próximos dias. No radar estão os sinais do governo sobre equipe econômica e contas públicas, além da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros. Isso não significa que a bolsa não possa reagir depois do tombo. Luiz Dornelas, do Grupo Ludo, considera possível uma recuperação parcial, inclusive com investidores voltando às compras após a forte desvalorização. Mas pondera que altas pontuais não significam necessariamente uma mudança duradoura de tendência. “Para uma recuperação mais consistente, será importante observar a previsibilidade da política econômica, a evolução das contas públicas e dos juros e a capacidade das empresas de preservar seus resultados", afirma. Ricardo Trevisan, da Gravus Capital, destaca justamente essa diferença. Depois de uma queda tão forte, diz, uma alta nos próximos dias seria possível e não surpreenderia. Mas seria cedo para concluir que a bolsa entrou em uma trajetória de recuperação. “Um repique técnico nos próximos dias é possível e não seria surpresa. Mas repique não é recuperação. Para a bolsa voltar de forma consistente aos níveis de setembro, vai ser preciso um compromisso fiscal crível, com nomes e números", afirma. Outro teste importante será na quarta-feira (4), com a decisão sobre a Selic, a taxa básica de juros do país. Antes da eleição, a aposta era em corte de 0,25 ponto percentual, mas agora o mercado vê maior chance de manutenção da taxa em 13,75%. Para Marcos Praça, da ZERO Markets Brasil, a próxima semana pode trazer mais clareza ao mercado, com a decisão do Copom e as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos no radar. “A maior clareza que nós teremos do cenário, sem dúvida nenhuma, é na semana que vem.” Além desses eventos, ele chama a atenção para as tensões no Oriente Médio e a alta do petróleo, que podem continuar pressionando os mercados mesmo após o impacto mais imediato da eleição brasileira. Bolsa brasileira encerra semana em queda. Jornal Nacional/ Reprodução

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