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Confeiteira aguarda cirurgia há nove dias e denuncia superlotação em UPA de Teresina

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Superlotação na UPA do Renascença: pacientes denunciam demora na realização de cirurgias A confeiteira Francisca das Chagas Gomes aguarda há nove dias por uma cirurgia no pé na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Renascença, na Zona Sudeste de Teresina. Ela foi internada após sofrer um acidente doméstico no dia 21 de outubro. Além dela, acompanhantes de outros pacientes relataram demora no atendimento e denunciaram a superlotação da unidade de saúde. À TV Clube, Francisca contou, emocionada, que a falta de leito fez com que ela precisasse aguardar no corredor. Ela contou ainda que, como trabalha de forma autônoma, está sem renda desde o acidente e a situação está abalando toda a família. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Além disso, o marido precisou interromper as atividades profissionais para acompanhá-la na unidade de saúde e os filhos deixaram de frequentar a escola. "Eu sou mãe de família, eu preciso trabalhar. Eu estou aqui dentro do hospital desde o dia 21, não sei quando vou pra casa, quando vou voltar a trabalhar e isso é humilhante. Nós somos seres humanos, não somos animais, não somos indigentes, dinheiro público é dinheiro nosso", afirmou. Em nota, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) informou que tem registrado aumento da demanda por atendimentos ortopédicos e que os pacientes precisam ser transferidos para unidades com capacidade de realizar os procedimentos necessários. A fundação reforçou a necessidade de ampliação da oferta de leitos pela rede estadual. Já a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) afirmou que trabalha para ampliar a capacidade de atendimento nas unidades hospitalares. A confeiteira mostrou ainda os hematomas nos braços que surgiram após diversas aplicações de medicação. "Estou toda roxa. Ninguém dá resposta de nada. A gente fica sofrendo lá dentro com dor, porque osso dói. Os medicamentos aliviam, mas a dor não passa", relatou. Acompanhantes também relatam demora Mulher aguarda cirurgia há nove dias em UPA e denuncia superlotação em Teresina Reprodução/ TV Clube A doméstica Eliane Santiago acompanha a mãe, que precisou ser internada após uma queda e também aguarda regulação ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT). "Eu quero tirar minha mãe daqui de dentro, quero ir embora para lá, que é mais perto da minha casa, aqui é muito longe", relatou. Segundo Eliane, a mãe está internada há três dias e, devido à falta de leitos, também precisou permanecer no corredor da unidade. Moradora do bairro Ilhotas, Centro-Sul da capital, ela afirmou que a transferência reduziria os gastos com transporte. "Aqui é muito longe, não tenho dinheiro para taxi, não tenho. Tudo é mais difícil para a gente que não tem dinheiro", disse. "Eu perguntei e o doutor explicou que pode demorar um mês ou mais. Isso é uma vergonha, então quer dizer que vai dar tempo da minha mãe morrer é? Ou outros aí. Gente, vamos parar com isso", pediu. Confeiteira aguarda cirurgia há nove dias, está sem trabalhar e denuncia superlotação em UPA de Teresina Reprodução/ TV Clube Secretário afirma que estado ampliou estrutura de saúde Durante entrevista à TV Clube, o secretário estadual de Saúde, Dirceu Campelo, foi questionado sobre as cobranças feitas pela FMS. Segundo ele, desde 2023 o estado ampliou a oferta de consultas, exames e cirurgias, incluindo procedimentos ortopédicos. Ele citou como exemplo o Hospital da Polícia Militar (HPM), que dobrou o número de salas cirúrgicas, passando de quatro para oito, e passou a realizar cirurgias ortopédicas de alta complexidade. Campelo destacou, no entanto, que os pacientes atendidos na UPA do Renascença são, em sua maioria, casos de urgência, enquanto parte da estrutura ampliada do estado atende demandas eletivas. Confira notas Fundação Municipal de Saúde A Fundação Municipal de Saúde (FMS) esclarece que a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Renascença tem registrado aumento expressivo da demanda por atendimentos ortopédicos, principalmente em decorrência de acidentes de trânsito e quedas, impactando a disponibilidade de leitos e o fluxo de atendimento. Há pacientes vítimas de trauma que necessitam de procedimentos ortopédicos em hospitais como HUT, HGV, HPM e HU. Todos permanecem em acompanhamento assistencial enquanto aguardam disponibilidade de vagas para transferência. O HUT é o único hospital de referência para urgência e emergência de alta complexidade da capital, atendendo pacientes de Teresina e de todo o Piauí, o que gera elevada demanda, especialmente nas áreas de traumatologia e ortopedia. Diante disso, a FMS reforça a necessidade de ampliação da oferta de leitos de retaguarda pela rede do Governo do Estado do Piauí, para garantir maior fluidez no atendimento e nas transferências. Secretaria de Estado da Saúde do Piauí A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) esclarece que, ao contrário do que foi afirmado pela Fundação Municipal de Saúde (FMS), vem trabalhando continuamente para ampliar a capacidade de atendimento de suas unidades hospitalares, especialmente na assistência aos pacientes ortopédicos. Um exemplo desse trabalho é o Hospital da Polícia Militar (HPM), transformado em unidade de referência em ortopedia e que passa por um amplo processo de reforma e modernização. Atualmente, o hospital conta com mais de 80 leitos de enfermaria e oito salas cirúrgicas, sendo que quatro delas estão passando por modernização para ampliar ainda mais a capacidade de realização de procedimentos. Paralelamente, o Hospital Getúlio Vargas (HGV) segue realizando procedimentos de alta complexidade, contribuindo diretamente para o fortalecimento da rede assistencial e garantindo atendimento especializado aos pacientes que necessitam de cuidados de maior complexidade. Esse trabalho de fortalecimento da assistência ortopédica também ocorre em diversos hospitais do interior do estado, com investimentos voltados à ampliação da oferta de procedimentos e à descentralização dos serviços, evitando que pacientes precisem se deslocar até Teresina para receber atendimento especializado. Vale lembrar, ainda, que Teresina possui gestão plena em saúde, dispondo de autonomia para organizar sua rede assistencial e contratualizar serviços junto a hospitais privados, inclusive para ampliar a oferta de procedimentos ortopédicos e atender às demandas da população. A Sesapi reafirma que a ampliação da rede hospitalar estadual é um trabalho permanente e que a assistência à população exige atuação conjunta e responsabilidade de todos os entes gestores, com foco na ampliação do acesso e na garantia de atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). *Vitória Bacelar, estagiária sob supervisão de Ilanna Serena. 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