Praia recebe a exposição de pintura “Entre Lugares” de Vítor M. M. Azevedo
Vítor M.M. Azevedo é filho de mãe portuguesa e de pai cabo-verdiano, que, após toda a sua juventude em Portugal, passou a residir em Inglaterra há 27 anos, e regressou agora às suas raízes paternas para apresentar um conjunto de obras que, cruzando identidade, memória e território, reflectem o modo como os lugares, as cores e as memórias contribuem para a construção da identidade. “Um regresso que ganha, assim, um significado pessoal, familiar e também artístico, pois será a primeira vez que, num percurso já longo e multifacetado, apresentará obras suas em Cabo Verde”, refere uma nota do IILP. A realização da exposição no IILP, segundo o artista, tem um significado particular, porque acontece numa rua e numa zona da cidade fortemente ligada à história da sua própria família e, desse modo, também às suas próprias raízes familiares, que permanecem vivas. Para o artista, esta exposição representa um reencontro com uma parte da sua própria história e o estabelecer de um diálogo entre a sua experiência de vida e o lugar de onde vem a sua família. “É uma alegria enorme estar de volta e poder expor numa rua que faz parte da história da minha família. É a primeira vez que apresento o meu trabalho em Cabo Verde e fazê-lo neste lugar torna esta experiência particularmente especial”, afirma Vítor M. M. Azevedo. A exposição do artista parte de uma observação atenta da arquitetura e da vida urbana. “A geometria dos edifícios, o contraste entre luz e sombra, as cores das fachadas e a presença das pessoas no espaço urbano são elementos que se transformam em composições de forte expressão cromática”. A mesma fonte sublinha que o artista encontra nesses elementos uma linguagem visual que ultrapassa a representação dos lugares e procura revelar as emoções, as memórias e as ligações culturais que neles permanecem. “A observação de Lisboa, das suas fachadas, das sombras e das cores dos edifícios, estabelece um diálogo com a paisagem urbana da Praia. No Plateau, os edifícios antigos, as suas tonalidades e os detalhes arquitetónicos oferecem uma nova leitura do espaço”, realça. Portugal, Cabo Verde e Inglaterra fazem parte do percurso do artista, cuja obra procura compreender como as origens, as vivências e as deslocações influenciam a maneira como cada pessoa observa o mundo. “A exposição constitui, assim, um encontro entre a experiência individual e a memória colectiva. Através da cor, da geometria e da interpretação visual da arquitetura, Vítor M. M. Azevedo convida o público a olhar para os lugares familiares de uma forma renovada e a reconhecer as histórias que permanecem inscritas nas suas ruas e nos seus edifícios”, assegura. Para o artista, “Entre Lugares” representa um reencontro com as raízes e uma reflexão sobre aquilo que nos liga aos lugares de onde vimos, mesmo quando a vida nos leva para longe.
