Canadá sublinha interesse em tornar-se "membro associado" da UE
Canadá insiste que está a "forjar uma nova aliança" com a União Europeia como "membro associado", nos termos do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, apesar da oposição da Alemanha e da França à designação. A afirmação de Carney deu sequência às declarações de apoio ao aprofundamento das relações entre o bloco e o Canadá, com recurso à mesma expressão, proferidas também esta quinta-feira pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa. Primeiro Von der Leyen, depois Costa e, por fim, o próprio Mark Carney, defenderam publicamente a ideia no primeiro de dois dias da cimeira bilateral, que hoje chega ao fim. "Estamos a forjar uma nova aliança, uma aliança para o futuro, com o Canadá como membro associado", afirmou Carney antes de participar, em Montreal, numa mesa redonda com empresários canadianos e europeus. Von der Leyen foi ainda mais explícita ao salientar que o Canadá não pode tornar-se membro de pleno direito da UE por razões geográficas, mas que ambas as partes pretendem elevar a relação "ao nível mais elevado possível". "É por isso que estamos a debater a ideia de o Canadá se tornar o primeiro membro associado da União Europeia", declarou. Costa apoiou a proposta de Von der Leyen, embora tenha deixado em aberto a possibilidade de, no final, se utilizar outra designação. "A presidente Von der Leyen chegou mesmo a apresentar a ideia ousada de tornar o Canadá membro associado da União Europeia. Partilho da sua ambição", afirmou. O termo "membro associado", que não existe no quadro da UE, continua a ser um dos pontos de atrito nas negociações entre os Vinte e Sete para finalizar a declaração conjunta da cimeira, que, segundo fontes a par das conversações consultadas pela agência EFE, conta com 46 pontos. As fontes explicaram que a Alemanha se opõe a que a designação seja utilizada para o Canadá, pois considera que o conceito de membro associado deveria ser reservado à Ucrânia, enquanto a França recusa a expressão por considerar que Von der Leyen lançou a proposta sem consultar previamente os Estados-Membros, referiram as fontes. Para além da discrepância "terminológica", uma das fontes sublinhou que "o essencial é a elevação substantiva da relação que resulta da cimeira, os projetos — muitos deles já uma realidade — para a concretizar e a comunidade de valores". A nova aliança é fruto da transformação do panorama geopolítico e económico internacional, especialmente na fronteira sul do Canadá, onde o segundo mandato de Donald Trump revelou uns Estados Unidos mais interessados no protecionismo do que no multilateralismo. O diagnóstico foi sublinhado esta quinta-feira pela ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Anita Anand, e pela alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas. Anand salientou que o Canadá responde a essas mudanças reforçando alianças baseadas na "confiança, estabilidade e fiabilidade". "Isto não tem a ver com nenhum outro país; tem a ver connosco", afirmou a ministra. Kallas concordou que a nova aliança "não é contra ninguém" e explicou que o atual contexto geopolítico obriga o Canadá e a Europa a identificar parceiros em quem possam confiar e a reduzir dependências potencialmente vulneráveis. "Cada dependência, cada ligação que tenhas, certifica-te de que estás ligado a amigos, porque a outra parte também te pode fazer mal", advertiu a diplomata estoniana.
