Idosa atendida em UPA de Sete Lagoas morreu momentos após receber alta, diz família
Morte de idosa após alta de UPA é investigada Terezinha Nunes Fonseca da Silva, de 71 anos, morreu momentos depois de receber alta da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sete Lagoas, segundo a família, que denuncia negligência no atendimento. Um médico foi afastado pela prefeitura enquanto o caso é apurado, e a conduta de um segundo profissional também é investigada. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp Segundo Adriano Nunes da Silva, filho de Terezinha, a idosa chegou à UPA por volta das 12h30 de terça-feira (27), acompanhada da filha. Ela sentia fortes dores nas pernas e nas costas e passou por diversos exames, que, segundo o médico responsável pelo atendimento, não apresentaram alteração. Ainda de acordo com Adriano, Terezinha chegou a receber alta alta após ser medicada. A irmã dele, no entanto, decidiu não levar a mãe para casa porque considerou que o quadro dela exigia mais cuidados. "Minha irmã se recusou a trazer ela pra casa e informou ao médico a situação dela. Então, o médico retirou a alta", contou. Terezinha Nunes Fonseca da Silva Arquivo pessoal Demora no atendimento Segundo o filho, depois disso, a idosa foi encaminhada para a sala vermelha, um setor destinado ao atendimento imediato de emergências, com forte dor no peito. "No momento que ela começou a sentir essa essa grande dor no peito, que se estendia para o braço e pelas costas, minha irmã gritava desesperadamente, procurando os médicos, por pedido de ajuda", disse. Adriano contou que, durante o período em que a mãe esteve na sala vermelha, houve uma troca de plantão. Ele questionou o novo médico sobre o atendimento e chegou a ser retirado do local. Em seguida, Terezinha foi levada para outra área, em frente a um consultório. Segundo Adriano, cerca de duas horas depois, ela passou por uma nova avaliação e recebeu o diagnóstico de infecção urinária e anemia de uma médica. Morte após alta A idosa teve alta durante a madrugada de quarta-feira (28). Adriano contou que colocou a mãe no carro e a levou para casa. Segundo ele, o trajeto entre a UPA e a residência durou cerca de cinco minutos e, pouco depois de chegarem em casa, Terezinha morreu. "Ela deitou e simplesmente suspirou pela última vez. Nesse momento, eu já percebi que ela não tinha pulsação e que ela não respirava mais", falou. Adriano disse que tentou fazer massagem cardíaca na mãe, mas ela não apresentava sinais vitais. "Estamos muito tristes. Primeiramente por ter pedido a nossa mãe, o nosso chão. E depois ficamos muito chateados devido ao descuido, ao descaso que nós tivemos de toda a parte médica da UPA. [...] Nós brigamos o tempo inteiro, imploramos, pedimos ajuda, fizemos de tudo para que minha mãe tivesse sido atendida de uma forma respeitosa", lamentou. O filho afirmou, ainda, que a família espera que a investigação esclareça o que aconteceu durante o atendimento e que eventuais responsabilidades sejam identificadas. "A única coisa que eu espero é que seja feita a justiça, porque a minha mãe não pode voltar mais". Investigação De acordo com o secretário de Saúde de Sete Lagoas, Jean Barrado, a prefeitura adotou medidas administrativas assim que foi alertada pelo Samu sobre a morte de Terezinha. Ele afirmou que o comitê de investigação de óbitos e o comitê de ética da unidade apuram a conduta de dois médicos. Inicialmente, a Prefeitura de Sete Lagoas havia informado que um dos profissionais havia sido desligado. No entanto, Barrado afirmou à TV Globo que ele foi, na verdade, afastado durante a apuração do caso. "Toda a equipe envolvida no atendimento dela será escutada, como já está acontecendo até então, esses profissionais serão ouvidos, bem como a família, durante todo o percurso dela dentro da UPA. A Secretaria de Saúde lamenta muito o ocorrido. A prefeitura já se colocou à disposição também da família para quaisquer necessidades", afirmou o secretário. Vídeos mais vistos no g1 Minas:
