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Pescadores se mobilizam e salvam raia gigante presa em rede de pesca em Arraial do Cabo: 'Foi embora, solta e com vida'; VÍDEO

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Raia gigante surpreende pescadores em Arraial do Cabo Pescadores de Arraial do Cabo se mobilizaram para devolver uma raia gigante ao mar nesta quinta-feira (29). Ela foi capturada acidentalmente durante uma pesca de arrasto, na Praia Grande, e o tamanho chamou a atenção de dezenas de pessoas que acompanharam o resgate. Foi necessário um grupo de ao menos oito pessoas para conseguir reconduzir o animal, preso na rede de pesca, ao mar. Um vídeo mostra o resgate e a comemoração (veja acima). "Foi embora, solta e com vida!", celebraram. Não houve medição, mas o grupo acredita que o tamanho da raia podia chegar a quatro metros e o peso a mais de uma tonelada. Quem trabalha na região desde a adolescência afirma nunca ter visto uma raia daquele porte na praia. O pescador Leonardo da Cruz Silva contou que já havia encontrado exemplares menores. Desta vez, a experiência foi diferente. “Eu já vi outras vezes menores, mas desse tamanho é a primeira vez. Me senti privilegiado. Fiquei muito feliz", afirmou. 📱 Siga o canal do g1 Região dos Lagos no WhatsApp. Raia gigante foi devolvida ao mar após ficar presa em rede de pesca em Arraial do Cabo Embarcação Agnus Dei Ele contou ainda que a água ajudou na movimentação do animal, e que seria mais difícil retirá-lo se estivesse completamente sobre a areia. O pescador também disse que se surpreendeu com a textura da pele, que comparou a uma lixa, e que nunca havia tocado em uma raia daquela forma. “Com a ajuda do pessoal, deu pra devolver tranquilo, porque, conforme ela estava dentro da água, ela foi boiando, não foi tão pesado. Na areia, seria bem difícil”, relatou. O pescador também disse que se surpreendeu com a textura da pele, que comparou a uma lixa, e que nunca havia tocado em uma raia daquela forma. Raia rasgou a rede e os peixes escaparam Além da surpresa, a captura provocou prejuízo. Roberto Carlos Seles, que trabalha com pesca artesanal contou que a raia rasgou a rede e permitiu que os peixes escapassem. “Pra gente, como pescador, não deixa de ser novidade. Mas pra gente fica um pouco de prejuízo”, disse. Apesar do dano ao equipamento, Roberto afirmou que situações como essa fazem parte da atividade. “A gente coloca a rede no mar, a gente espera a raia, como espera um cardume grande. Faz parte, a gente não pode escolher”, declarou. Luciano Teixeira também afirmou que nunca havia visto uma raia daquele tamanho. Segundo ele, inicialmente os pescadores pensaram que outro peixe tivesse entrado na rede. A identificação ocorreu quando o animal chegou à beira da praia. “Nós pensamos até que fosse outro peixe. Aí puxamos a rede, quando chegou na beira da praia, nós reconhecemos que era a raia”, contou. Ele também relatou perda de parte do pescado. “Os peixes que nós pegamos foram poucos, porque ela estava dentro da rede”, disse. À tarde, outra pesca de arrasto foi realizada na Praia Grande. O biólogo Thadeu Burached, da Fundação Municipal do Meio Ambiente, explicou que as imagens permitem identificar o animal como integrante da família Mobulidae, mas não determinar a espécie. “A espécie é muito difícil de a gente definir a partir dessas imagens que foram coletadas, porque essas espécies têm semelhanças muito grandes”, afirmou. Conforme o biólogo, raias desse grupo aparecem com frequência na região. O relato dos pescadores sobre nunca terem capturado um exemplar daquele porte na Praia Grande não significa, portanto, que esses animais sejam ausentes das águas de Arraial do Cabo. Ressurgência Burached relacionou a presença dessas raias à oferta de alimento favorecida pela ressurgência. Nesse fenômeno, águas profundas, frias e ricas em nutrientes chegam à superfície, contribuindo para o desenvolvimento do fitoplâncton, formado por organismos microscópicos que estão na base da cadeia alimentar marinha. O fitoplâncton serve de alimento para organismos do zooplâncton, entre eles pequenos crustáceos consumidos pelas raias filtradoras. De acordo com o biólogo, mesmo animais desse tamanho se alimentam de organismos muito pequenos presentes na água. A orientação de Burached é que banhistas e turistas mantenham distância de animais silvestres encontrados na praia e acionem o órgão ambiental em situações de encalhe ou captura acidental. Pesca na região A pesca que resultou no encontro é conhecida como arrasto de praia. Nessa modalidade artesanal, uma canoa leva a rede ao mar e percorre um semicírculo para cercar os peixes. As extremidades são trazidas para a areia, de onde o grupo puxa a rede. Um vigia observa os cardumes e orienta a tripulação por sinais. As canoas de boçarda usadas nessa prática fazem parte da história da pesca local. Na Praia Grande, o Museu da Pesca Tradicional/Sala Expositiva Mestre Chonca desenvolve ações de registro e transmissão dos conhecimentos ligados à construção e à reforma dessas embarcações. A atividade também está ligada à criação da Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo, em 1997. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a unidade tem entre seus objetivos proteger a cultura da pesca artesanal e conservar os recursos naturais utilizados pela população tradicional.

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