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Mulheres relatam dificuldade para marcar consulta com ginecologista na rede pública da cidade de SP; espera dura até 1 ano

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Mulheres relatam dificuldade para marcar consulta com ginecologista em São Paulo Em pleno mês de outubro - data de conscientização sobre a prevenção do câncer do colo do útero - mulheres relatam dificuldades para conseguir consultas com ginecologistas na rede pública de saúde de São Paulo. Pacientes afirmam enfrentar longas esperas para agendar atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da cidade de São Paulo. Uma campanha do Outubro Lilás, voltada à prevenção da doença, está exposta em frente a uma UBS na Zona Sul da cidade. O cartaz traz as mensagens: “Já fez o exame Papanicolau?” e “Câncer de colo do útero é 100% evitável”. Na prática, porém, mulheres que procuram atendimento ginecológico dizem encontrar dificuldades para conseguir uma consulta. Pacientes entraram em contato com a produção do Bom Dia São Paulo para relatar os problemas enfrentados para agendar os atendimentos. Mulheres relatam dificuldades para conseguir atendimento A dona de casa Elizabeth Fiorini conta que acompanha a irmã em consultas e que, mesmo após passar por um clínico geral, ela precisa ser encaminhada a um ginecologista. “Por diversas vezes eu acompanho minha irmã nas consultas e ela passou em clínico geral, mas tem que ser encaminhada para ginecologista. As atendentes já falam: não tem agendamento! Não tem agendamento”, disse. Pacientes da rede pública da capital paulista dizem que espera por ginecologista e exames médicos dura quase um ano. Reprodução/TV Globo A dona de casa Rosilene Nilda também relata dificuldades para conseguir atendimento. Segundo ela, a espera por uma consulta com um clínico geral pode chegar a três meses. Ela afirma que não consegue agendar pelo aplicativo Agenda Fácil. “Você não consegue um ginecologista, um clínico é três meses de espera. Pede pra você entrar no aplicativo Agenda Fácil, você entra no aplicativo e na Agenda Fácil você não consegue. Eu faço todo mês de janeiro a março, quando chega no mês de outubro eu estou com todos os meus exames. Eu não tenho conseguido”, afirmou. A reportagem foi até a porta de duas UBSs para ouvir pacientes. Na UBS da Vila Missionária, na Zona Sul, a cabeleireira Clemenir Gomes Costa contou que ainda não conseguiu uma consulta com ginecologista neste ano. Segundo ela, já faz um ano desde o último atendimento. “Já tem um ano que eu passei, tô tentando agendar e não consigo. Ele falou que eu tenho que estar vindo, passando aí todos os dias pra tentar marcar uma consulta. Você já pensou você ter de sair da sua casa todos os dias pra tentar marcar um ginecologista?”, relatou. Faixa em UBS da cidade de São Paulo fala sobre a prevenção do câncer de colo de útero, mas rede pública da cidade não tem consulta em tempo hábil. Reprodução/TV Globo Consulta em conseguir exame A dona de casa Josélia da Silva Oliveira conseguiu marcar uma consulta para novembro, depois de tentar agendar pelo aplicativo desde janeiro. Ela foi à unidade de saúde para fazer exames antes do atendimento com o médico. “Eu fico tentando pelo aplicativo. Desde janeiro que eu tô tentando. Aí eu consegui pra passar agora em novembro. Aí hoje eu vim pra fazer alguns exames, pra poder já trazer já pronto pro médico, né... porque se não até esperar de novo pra passar no médico e você fazer o retorno tudinho... aí vai ser quase uns seis, sete meses”, contou. Josélia, no entanto, não conseguiu fazer o exame naquele dia e precisará voltar à unidade em outra data para tentar um novo agendamento. “Então você veio pra fazer o exame e não conseguiu?”, perguntou a reportagem. “Não consegui! Só na quinta-feira!”, respondeu. Na UBS da Vila das Mercês, também na Zona Sul, a situação relatada pelas pacientes é semelhante. Luciana Silva contou que o intervalo entre a realização de um exame e a consulta de retorno foi tão longo que ela recebeu uma reclamação do médico porque o exame estava vencido. “Ah, é diferente, sim... porque um anúncio não quer dizer que... a realidade é aquela. Demora muito! Bastante! Seis meses, por aí”, disse. “Eu passei na espera um ano, um ano pra mostrar o exame. E ele ainda reclamou: ‘Ah, seu exame tá vencido’. Mas eu não tive culpa”, afirmou. Luciana também relatou que conseguiu atendimento neste ano por se tratar de uma situação de urgência. Ela disse ter mioma e que ainda aguarda o retorno para o exame. “Esse ano eu já consegui, pois era coisa de urgência, então eu consegui. (...) Eu tenho mioma, então eu preciso de urgência, então eu consegui. Mas agora eu tenho um retorno que eu tô esperando agora chamar para o exame”, contou. Caminho que pacientes passam para garantir tratamento de saúde em casos de doenças da mulher na cidade de São Paulo. Reprodução/TV Globo Importância do acompanhamento ginecológico A porta de entrada para uma consulta com especialista pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é a UBS. O paciente precisa passar primeiro por um médico clínico geral. Se o profissional identificar alguma necessidade específica, faz o encaminhamento para um especialista, como um ginecologista, para consultas e exames diagnósticos. De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a capital conta com 1.747 equipes dedicadas ao público feminino. A consulta com o ginecologista não deve ocorrer apenas quando aparece algum problema. O acompanhamento regular é importante para prevenir doenças, identificar alterações ainda no início e dar continuidade ao tratamento. O atraso no diagnóstico pode trazer riscos à vida da mulher. O médico ginecologista Sérgio Podgaec, presidente da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), explica que a falta de exames pode impedir a identificação precoce de doenças, como os cânceres do colo do útero e de mama. “Pra quem não faz o exame, o risco é justamente ter um problema, esse problema não é identificado, e a doença que os exames poderiam ter identificado não foi diagnosticada precocemente, o que muda demais a chance de cura. E a gente tá falando basicamente de câncer de colo de útero e câncer de mama, que são doenças que acontecem bastante ainda no nosso país e no mundo, na verdade”, afirmou. Segundo o médico, quando essas doenças são identificadas nas fases iniciais, as chances de cura são altas. “E quando se identifica isso nas formas iniciais da doença, o resultado é ótimo. Você pode pegar às vezes uma doença que nem se transformou em câncer ainda — as doenças que podem se transformar em câncer — ou o câncer na fase inicial. E o tratamento é ótimo, a cura tem taxas altíssimas”, disse. Durante a reportagem, mulheres também destacaram a importância de realizar exames com frequência e demonstraram preocupação com a demora no atendimento. “É obrigação da mulher fazer os exames uma vez a cada ano”, disse uma das entrevistadas. Questionada se considerava os exames importantes, ela respondeu: “Pra mim, sim, porque é o que acontece... muitas coisas de vir a descobrir o câncer, essas coisas, aí é tarde demais, né?”. Outra mulher afirmou que as pacientes precisam passar por avaliações regularmente e que tem percebido demora para conseguir atendimento. O secretário municipal da saúde, Luiz Carlos Zamarco, ao lado do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Reprodução/Redes Sociais O que diz a Prefeitura de São Paulo Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que não há demanda reprimida para atendimento ginecológico na cidade. Segundo a administração municipal, entre janeiro e julho deste ano foram realizados mais de 673 mil atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde. A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) informou ainda que, nos últimos dois anos, passaram a funcionar dois novos Centros de Exames da Mulher, que realizaram, nesse período, 209 mil procedimentos. De acordo com a administração municipal, todos esses serviços podem ser consultados pela internet, no sistema Busca Saúde.

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