Abstenção cai em todas as 39 cidades da Grande SP; capital concentra cerca de 60% da redução
Abstenção cai em todas as 39 cidades da Grande SP; capital concentra cerca de 60% da redução A abstenção caiu nas 39 cidades da região metropolitana de São Paulo no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), em comparação com o primeiro turno. Juntos, os municípios tiveram 465.515 ausências a menos, e a capital paulista concentrou cerca de 60% dessa redução. No primeiro turno, 3.713.715 eleitores deixaram de votar nos 39 municípios. No segundo, foram 3.248.200. Considerando os percentuais agregados, a taxa de abstenção passou de aproximadamente 22,81% para 19,97%, queda de 2,84 pontos percentuais. Na cidade de São Paulo, o número de eleitores ausentes passou de 2.137.873 no primeiro turno para 1.861.898 no segundo, uma redução de 275.975. Sozinha, a capital respondeu por cerca de 59,3% da queda no número de ausências registrada nas 39 cidades da Grande São Paulo. LEIA TAMBÉM: Lula amplia vitória na cidade de São Paulo e vira em 8 zonas eleitorais Abstenção cai no 2º turno no estado de SP, e número de eleitores que não votaram recua em quase 1 milhão Lula amplia vitórias em SP de 39 para 72 cidades no 2º turno; Flávio Bolsonaro vence em 573 Lula vira em Osasco, Cotia e mais cinco cidades e vence em 21 dos 39 municípios da Grande SP A redução no número de ausências, porém, não significa necessariamente que os mesmos eleitores que faltaram no primeiro turno compareceram no segundo. Os números mostram a diferença entre o total de ausentes nas duas votações. Especialistas ouvidos pela TV Globo apontam que disputas acirradas podem contribuir para mobilizar eleitores entre o primeiro e o segundo turno, como a ocorrida nestas eleições, além da forte presença da militância nas redes sociais e campanhas que levaram jovens às ruas (leia mais abaixo). No domingo, o presidente reeleito ao inédito quarto mandato, Lula (PT), venceu seu adversário Flávio Bolsonaro (PL) em 21 dos 39 municípios da Grande São Paulo. Ele reverteu vantagem em cidades como Osasco e Cotia. Diadema e Francisco Morato registraram os maiores percentuais de Lula (PT), enquanto Guararema e Santa Isabel tiveram as maiores votações proporcionais de Flávio Bolsonaro (PL). Diadema tem maior queda proporcional Entre os 39 municípios, Diadema registrou a maior redução na taxa de abstenção: o índice passou de 22,61% no primeiro turno para 19,02% no segundo, uma queda de 3,59 pontos percentuais. Na sequência aparecem Carapicuíba, onde a taxa recuou de 25,14% para 21,70%, uma diferença de 3,44 pontos percentuais, e Taboão da Serra, que passou de 19,57% para 16,17%, queda de 3,40 pontos percentuais. Em Jandira, a abstenção caiu de 21,15% para 17,94%, redução de 3,21 pontos percentuais. Em Embu das Artes, o índice passou de 21,81% para 18,65%, queda de 3,16 pontos percentuais. Francisco Morato teve redução semelhante, também de 3,16 pontos percentuais. Votação para presidente no 2º turno: dados por local de votação - Diadema (SP) - Veja locais de votação em que Lula venceu e onde Flávio Bolsonaro ficou à frente. - Diadema SP - presidente 2026 turno-2 - quadrado_g1 g1-alt bubble - 26/10/2026 Arte G1 Franco da Rocha tem menor redução Franco da Rocha registrou a menor queda na taxa de abstenção entre as 39 cidades da região. O índice passou de 25,92% no primeiro turno para 25,59% no segundo, recuo de apenas 0,33 ponto percentual. Mesmo com a redução, o município teve a maior taxa de abstenção da Grande São Paulo no segundo turno. Na outra ponta, São Caetano do Sul registrou o menor índice entre os municípios analisados, com 14,68%. Mobilização social A cientista política Lara Mesquita analisou os números após o resultado da eleição e apontou que disputas acirradas podem contribuir para mobilizar eleitores entre o primeiro e o segundo turno. A mobilização nas redes sociais e as campanhas que levaram jovens às ruas também são apontadas na análise como fatores que podem ter incentivado o comparecimento às urnas. Mesquita chama atenção ainda para os grupos em que o voto é facultativo, como jovens de 16 e 17 anos e pessoas com 70 anos ou mais. Segundo a análise, a abstenção costuma ser maior nesses grupos, mas eleitores dessas faixas também compareceram no segundo turno, depois de terem registrado mais ausências no primeiro. Os dados mostram que a participação eleitoral aumentou em todas as 39 cidades da Grande São Paulo, embora em proporções diferentes. As variações, por si só, não permitem determinar quanto da queda da abstenção pode ser atribuído a cada iniciativa de mobilização. Entenda a diferença entre abstenção, voto em branco e voto nulo As três situações têm significados diferentes. A abstenção corresponde à ausência do eleitor na votação. Já os votos em branco e nulos são registrados por quem comparece às urnas, mas não destina um voto válido a nenhum dos candidatos daquele cargo. Abstenção: ocorre quando a pessoa apta a votar não comparece à votação. Voto em branco: é registrado quando o eleitor aperta a tecla “branco” e, depois, “confirma” na urna eletrônica. Voto nulo: ocorre quando o eleitor digita um número que não corresponde a nenhum candidato ao cargo e confirma.
