Mercado financeiro reage à vitória de Lula com queda da bolsa de valores e alta do dólar
Mercado reage ao resultado da eleição com queda da bolsa de valores e alta do dólar O mercado financeiro reagiu ao resultado do segundo turno da eleição com queda da bolsa de valores e alta do dólar. As telas mostravam oscilações bruscas logo na abertura dos negócios. Uma indicação gráfica de surpresa com o resultado da eleição, na contramão da aposta majoritária do mercado financeiro, que não viu na campanha do presidente Lula indicação de um plano de ajuste para conter a escalada da dívida pública. O economista Rodrigo Marcatti diz que investidores correram para rever decisões. “Quando vem a surpresa na noite de ontem, o mercado já começa a correr atrás para corrigir. E, basicamente, devolveu toda a alta que a gente tinha observado quando, no primeiro turno, a gente teve uma surpresa com o Flávio passando na frente”, diz Rodrigo Marcatti, economista e sócio da Veedha Investimentos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A corrida para ajustar posições levou a bolsa brasileira a acionar o chamado "circuit breaker" - uma pausa de 30 minutos nos negócios para conter movimentos desordenados. É como desarmar um disjuntor quando há sobrecarga. Esse mecanismo não era acionado desde março de 2020. “Uma empresa que valia ontem R$ 100 as ações, ela não pode hoje por conta de uma mudança de eleição, valer 40% a menos. Isso não é uma análise racional, isso é uma análise apenas emocional, de vender a qualquer custo para se livrar daquele ativo”, afirma Rodrigo Marcatti. Mercado financeiro reage à vitória de Lula com queda da bolsa de valores e alta do dólar Jornal Nacional/ Reprodução Depois da reabertura, o índice Bovespa chegou a cair mais de 17%, às 11h30. Terminou o dia com queda de quase 14% - a maior desde março de 2020. As ações da Petrobras, entre as mais negociadas na bolsa, caíram mais de 8%. Em uma entrevista a Reuters, a presidente da empresa, Magda Chambriard, afirmou que a queda foi um movimento especulativo e não reflete os fundamentos da empresa. O dólar abriu em disparada e bateu R$ 5,60 logo de manhã. Fechou em R$ 5,40 - alta de 8%, a maior desde janeiro de 1999. A turbulência também afetou o mercado de juros futuros. O Tesouro Nacional chegou a suspender a negociação de parte dos títulos do Tesouro Direto. A economista Zeina Latif explica que altas e baixas instantâneas são movimentos típicos de mercado: “É intrínseco ao funcionamento do mercado financeiro as grandes volatilidades. Então, a gente precisa olhar, na verdade, as tendências dos preços, e não esses movimentos a cada hora, a cada dia. Tem que tomar cuidado de não tomar esses dias de turbulência como uma sinalização do que está por vir. Com o tempo, o mercado vai digerindo e aí o que se espera é que o governo aja rapidamente para evitar maior deterioração desse ambiente”. Dias como esse, de fortes altas e baixas, tendem a ficar restritos ao universo das finanças. As oscilações só afetam a economia do dia a dia se as incertezas continuam por período prolongado, porque podem impactar os custos e os investimentos do setor produtivo. Na avaliação dos economistas, afastar as dúvidas sobre o futuro é o antídoto para a turbulência. O economista Sergio Vale diz que a prioridade deve ser o compromisso com o corte de gastos e o equilíbrio das contas públicas. “Agora, depende do governo, nas próximas semanas, para acalmar o mercado, dar uma sinalização fiscal realmente robusta, que passa pela escolha dos nomes, tanto na Fazenda quanto nos outros postos. Mas essa percepção de que precisa ter uma mudança de visão do governo em relação ao que vai ser a política fiscal nos próximos anos”, afirma Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. “Estamos em um momento que só um discurso não vai ser suficiente. Então, por isso a importância de ter um time econômico renovado e que parta de diagnósticos corretos, tenha medidas concretas para serem apresentadas com força do presidente, quer dizer, com capacidade dos articuladores políticos de negociarem no Congresso. É uma equação mais complexa”, diz a economista Zeina Latif. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Mais eleitores nas urnas, menos votos brancos e nulos e virada em mais de 200 cidades: a combinação que levou Lula à vitória histórica Mapa da virada: onde Lula avançou e como mudou a votação de Flávio Bolsonaro entre o 1º e o 2º turno Lula ganha 10,3 milhões de votos no 2º turno, mais do que a soma dos eliminados no 1º turno Lula enfrentará Congresso à direita, crise no STF e precisará conciliar promessas com economia no 4º mandato Esquerda x direita: veja como está o MAPA da América do Sul após a reeleição de Lula
