A revolução de 40 anos do Grupo Cene e a transformação do home care no Brasil
Grupo Cene celebra quatro décadas como referência na consolidação e expansão da atenção domiciliar no Brasil Grupo Cene/Divulgação Há quatro décadas, quando se pensava em atendimento ao paciente fora do ambiente hospitalar, era algo restrito a arranjos pontuais, informais e sem qualquer padronização técnica ou operacional. Não havia estrutura para o cuidado da saúde em domicílio, e a expressão “home care” pouco se falava no Brasil. Embora não se escutasse, uma enfermeira chamada Sueli Noronha Kaiser, que vivia a rotina dos hospitais, observava e se incomodava com a permanência de pacientes naquele ambiente exclusivamente por não haver uma alternativa estruturada para seguir o tratamento em casa. A inquietação de Sueli foi a ignição para, em 1986, fundar o Grupo Cene. Ao completar 40 anos de história, o Grupo Cene reflete uma trajetória que se confunde com a própria consolidação da atenção domiciliar no país. Dos primeiros anos de aprendizado até chegar aos mais atuais, com um aparato tecnológico que tem revolucionado o home care, o grupo acompanhou cada capítulo, sem nunca deixar de lado a convergência entre técnica, humanização e inovação no cuidado à saúde. Rigor técnico na intimidade da família Nos anos 1980, falar em transferir o cuidado de um hospital para dentro de uma residência soava como um imenso desafio. Naquela época, os recursos eram escassos, as rotinas precisavam ser inventadas do zero e não havia manuais ou legislações consolidadas para balizar a atuação multiprofissional no domicílio. Para a fundadora do Grupo Cene, o ponto de partida foi entender que a assistência em casa exigia uma sensibilidade que ultrapassava os limites dos manuais de enfermagem. Diferentemente do ambiente controlado do hospital, o home care exigia adentrar a rotina, os medos, os hábitos e as fragilidades de toda uma estrutura familiar. “Nosso objetivo era mostrar que a assistência representava uma extensão segura da terapia clínica. No início, levávamos para dentro de casa aquilo que o hospital oferecia, mas sem perder algo essencial: o olhar voltado para o ser humano. Dentro de casa, entrávamos também na vida daquela família. Por isso, o cuidado precisava ser rigorosamente técnico, mas também profundamente humano", afirma Sueli. Sueli Noronha Kaiser, fundadora do Grupo Cene, destaca a união entre rigor técnico e olhar humano Grupo Cene/Divulgação O caminho da (r)evolução Aos poucos, o conceito foi sendo entendido, aceito e expandido, numa mudança cultural. Familiares passaram a observar que a recuperação no lar trazia ganhos clínicos reais. Os médicos também passaram a enxergar a casa como um ambiente terapêutico complementar, e não como uma simples alternativa de liberação hospitalar. A evolução da medicina e dos equipamentos portáteis acelerou essa percepção. Casos de maior complexidade — antes restritos às Unidades de Terapia Intensiva (UTI) — passaram a ser gerenciados no domicílio com respiradores, bombas de infusão e suporte farmacológico avançado. Para além da mudança cultural, outros fatores serviram como mola propulsora do setor. Nos anos 2000, por exemplo, o modelo passou a ser associado à redução drástica do risco de infecções hospitalares, além do impacto positivo da convivência familiar na recuperação de doentes crônicos. Simultaneamente, as operadoras de saúde perceberam a eficiência econômica do modelo para racionalizar os custos assistenciais. Já entre 2010 e 2019, o setor experimentou forte expansão empurrada pelo envelhecimento acelerado da população brasileira e o aumento das doenças crônico-degenerativas. Foi aí que o home care deixou de ser visto como um benefício eventual e integrou definitivamente as linhas de cuidado da saúde suplementar. Pouco tempo depois, a pandemia da Covid-19 abalou o mundo. A crise sanitária evidenciou o papel estratégico do atendimento domiciliar para a desospitalização rápida e a liberação de leitos críticos. Pacientes com sequelas respiratórias complexas encontraram no home care a continuidade de seus tratamentos com segurança. Em cada um desses marcos, o Grupo Cene estava atento e preparado, com recursos materiais e humanos para acolher a demanda e dar a cada família o cuidado com o carinho que necessitava. Para Sueli, grande parte do sucesso do Grupo Cene nesses 40 anos está na riqueza humana. “Trabalhar na residência de um paciente exige habilidades comportamentais e táticas que não são ensinadas nos cursos tradicionais de saúde e que vão muito além do domínio técnico. É preciso preparar o profissional para uma realidade completamente diferente, ele deve saber ouvir, respeitar aquela família, entender os limites daquele ambiente e ter sensibilidade para perceber aquilo que nem sempre é dito. Cada profissional que atua no Cene entende a essência de nossa atuação, onde não basta saber fazer; é preciso saber cuidar”, destaca. IA e uma nova revolução Atualmente, o home care vive uma nova revolução, esta agora promovida pelos avanços da Inteligência Artificial (IA), que tem migrado o atendimento de um modelo reativo, que atua após a piora do paciente, para um modelo preditivo e preventivo. Em uma operação moderna de home care, como a desenvolvida pelo Grupo Cene, a IA atua como uma central de coordenação contínua, analisando volumes maciços de dados diários para orientar as decisões das equipes de saúde, gerando algoritmos que auxiliam na classificação dos riscos dos pacientes ou monitoramento remoto por meio de dispositivos conectados que aferem os sinais vitais e até assistentes virtuais que servem de interfaces de comunicação e orientam cuidadores e familiares sobre horários de medicação, dúvidas operacionais e sinais de alerta, reduzindo chamados repetitivos e agilizando o canal com a enfermagem. “Essas tecnologias vieram para ficar e temos aproveitado ao máximo, gerando benefícios diretos aos nossos pacientes, mas também aos nossos profissionais de saúde, que passam a ganhar mais tempo para se dedicarem ao que é insubstituível: o julgamento clínico, a escuta e o contato humano. A máquina cuida das tarefas repetitivas, analíticas e preditivas, liberando o ser humano para acolher, escutar e tomar decisões complexas com sensibilidade técnica e ética”, conta Sueli. Enquanto essa nova revolução segue em curso, hoje, podemos dizer que o home care já faz parte do vocabulário médico e de saúde no Brasil. E, para o Grupo Cene, o futuro certamente guarda muitas outras evoluções, mas sempre conectadas com a essência que motivou Sueli a sua criação. O segredo da longevidade não está nos equipamentos ou nas estruturas físicas, mas no compromisso inegociável mantido desde a primeira visita domiciliar no ano de 1986. "A tecnologia vai continuar evoluindo, o home care vai mudar, mas o motivo pelo qual começamos continua o mesmo: cuidar de pessoas no momento que elas mais precisam", conclui a fundadora do Grupo Cene.
