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​MpD acusa Governo de falhar nas respostas à subida dos combustíveis

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“Viemos dizer o que está a acontecer, o que ainda vai acontecer e o que propomos para proteger as famílias. As famílias já sentem os efeitos desde Junho: o litro de gasolina passou de 163 para 197 escudos. O litro de gasóleo passou de 137 para 190 escudos. Um taxista que trabalha o dia inteiro gasta hoje cerca de 15 mil escudos a mais por mês só em combustível. É como se trabalhasse vários dias por mês apenas para pagar o aumento”, sublinha. Segundo Celso Ribeiro, para muitas famílias, o dinheiro do mês já termina antes do fim do mês. “E há um facto que importa sublinhar: a cada subida dos preços, o Estado recebe mais impostos. As famílias pagam mais, o Estado arrecada mais”. Para o vice-presidente e porta-voz do MpD, o aumento dos combustíveis é como uma onda, pois primeiro chega à bomba e depois chega a tudo o resto. Quase tudo o que comemos chega de barco, de camião ou de hiace. Quando o transporte fica mais caro, o arroz, o óleo, o peixe e os legumes ficam mais caros a seguir. “É isso que as famílias vão sentir nas próximas semanas, nas prateleiras das lojas. Novembro é o mês em que as famílias começam a preparar o Natal e a receber a diáspora. Tudo indica que o cabaz de Natal deste ano será dos mais caros dos últimos anos”, assegura. Por outro lado, disse que o gás de cozinha só não subiu mais porque o Governo o está a segurar. “Se deixar de o fazer, a botija pode passar os 2.100 escudos. E a seguir pode vir a conta da luz e da água, porque grande parte da nossa electricidade é produzida com gasóleo”. Celso Ribeiro indica que tudo isto acontece com a economia a andar mais devagar. “As instituições internacionais já prevêem para Cabo Verde um crescimento menor do que aquele que o Governo continua a anunciar. É como subir uma ladeira com o motor a perder força e o combustível cada vez mais caro, enquanto o condutor garante que está tudo bem”. Conforme referiu Celso Ribeiro, perante este cenário, o Governo decidiu, primeiro, segurar o preço do gás e deixar de fora o taxista, o motorista de hiace e o pescador. Em segundo lugar, em Julho, deixou cair o travão que impedia os preços de subir de repente. “Foram três meses sem travão, e quem pagou foram as famílias. Terceiro, o apoio à pesca. O gasóleo da pesca subiu cerca de 75 escudos por litro. O Governo devolve menos de 10. É um copo de água para quem tem a casa a inundar. Esse apoio foi aprovado para Outubro, Novembro e Dezembro, mas sem as regras necessárias para funcionar. Ao ritmo a que as coisas estão a andar, o dinheiro dificilmente chegará antes do fim de Novembro. Um apoio anunciado para três meses arrisca-se a valer apenas um. E deixou de fora os pescadores artesanais e as peixeiras. Em muitas das nossas comunidades, a peixeira é a mulher do pescador”, relata. Segundo Celso Ribeiro, o MpD não se limita a criticar, mas também apresenta ao Parlamento propostas concretas, com as contas feitas. “Um Cheque Combustível de 8 mil escudos por mês para cada táxi e cada hiace, com o compromisso de o preço das corridas e das viagens não subir. Um Cheque Pesca, em que o Estado paga metade do aumento do gasóleo da pesca, para todos os pescadores, incluindo os artesanais. Um Cheque Gás Família de 500 escudos por mês, para as famílias mais vulneráveis comprarem gás de cozinha”. O vice-presidente e porta-voz do MpD assegura que o Estado já está a receber mais impostos por causa da subida dos preços. “O que propomos é devolver esse dinheiro a quem mais precisa, sem pedir emprestado e sem nova dívida. E o que sobrar deve ir para a energia do sol e do vento, para que a próxima crise nos encontre menos dependentes do petróleo”. Por isso, disse que querem saber se o Governo vai continuar a segurar o preço do gás em Novembro e em Dezembro, quanto dinheiro o Estado recebeu a mais em impostos sobre os combustíveis desde Julho, quando chegará, de facto, o apoio aos pescadores e por que razão deixou de fora os pescadores artesanais e as peixeiras. Neste sentido, afirma que o MpD é uma oposição responsável. “Não viemos aqui para alarmar ninguém, nem para fazer promessas fáceis. Viemos dizer a verdade e apresentar soluções. Quando governámos e os preços dos combustíveis subiram, o MpD também apoiou as famílias. Pusemos travão aos aumentos, dissemos quanto custava e de onde vinha o dinheiro, e agimos a tempo. E fizemo-lo com menos receita do que aquela que o actual Governo está hoje a arrecadar com a subida dos preços. Por isso, não é uma questão de dinheiro. É uma questão de escolha”.

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