Rússia anuncia negociações trilaterais com Ucrânia e EUA em novembro nos Emirados Árabes
Negociações diretas entre Rússia e Ucrânia, sob mediação dos Estados Unidos, estão previstas para novembro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, afirmou nesta sexta-feira (23) o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. A Rússia se mostrou disposta a retomar as conversas de paz, paralisadas desde o início do ano, após uma reunião realizada na quarta-feira (21) entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff. O principal assessor do presidente russo, Yuri Ushakov, afirmou que "o conflito na Ucrânia está chegando perto do fim", sem dar mais detalhes. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também manifestou apoio à iniciativa. Em uma entrevista à TV norte-americana, também na quarta-feira, ele propôs "congelar" a frente de batalha na guerra contra a Rússia como primeiro passo para iniciar negociações por um cessar-fogo. Agora no g1 Apesar dos avanços, ainda não estava evidente até a última atualização desta reportagem se houve algum avanço real rumo ao fim da guerra da Ucrânia —que completará cinco anos em fevereiro— além do acordo sobre o novo encontro tripartite. Também não havia evidências de que uma reunião que envolva Trump, Putin e Zelensky tenha sido acordada. "Neste momento, precisamos congelar, e acredito que essa seja a maneira de encerrar esta guerra. Chamamos isso de cessar-fogo... congelar e parar", disse Zelensky em entrevista à emissora americana Fox News. Ele foi questionado se aceitaria um acordo de paz que mantivesse a linha de frente nas posições atuais, após a invasão russa. Zelensky reiterou que a Ucrânia precisa participar de qualquer negociação para encerrar o conflito. "Sempre disse que estamos abertos a negociar em qualquer formato, sobre qualquer tema. Mas não falem sobre nós sem a nossa presença, por favor", afirmou. Ainda no encontro entre Putin e Witkoff, a Rússia anunciou que começaria em breve a enviar carregamentos de diesel aos Estados Unidos, em um acordo com o presidente americano, Donald Trump. Moscou também informou que libertou um cidadão americano que estava detido no país desde o início da guerra. O presidente ucraniano também defendeu que um eventual acordo de paz inclua garantias de segurança oferecidas por parceiros internacionais, como os Estados Unidos e países europeus. Segundo Zelensky, essas garantias são necessárias para evitar que a população ucraniana volte a enfrentar a ocupação e a violência. "Isso permitiria que os ucranianos não tivessem medo de que a ocupação retorne, de que a agressão retorne, de que os assassinatos retornem", disse. Agora no g1 Zelensky cita restrições a sistemas de comunicação Durante a entrevista, Zelensky também comentou os serviços de comunicação por satélite operados pela empresa americana SpaceX, de Elon Musk. Ele mencionou o Starshield, utilizado em operações militares, e o Starlink, sistema de internet via satélite. Segundo o presidente ucraniano, os serviços dos dois sistemas "continuam limitados". A declaração foi feita depois que Kiev acusou, dias antes, Washington de reduzir deliberadamente a velocidade do Starshield. Zelensky afirmou, porém, que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, se comprometeu a trabalhar para resolver o problema. "Mas o secretário me disse que trabalhará com sua equipe para resolver a situação", declarou. Na terça-feira (20), o jornal americano The Wall Street Journal informou que Elon Musk havia ordenado a redução dos serviços do Starshield. O empresário, por sua vez, havia afirmado anteriormente que qualquer restrição ao sistema teria sido determinada por Trump. O presidente americano negou a acusação. LEIA TAMBÉM: Deputada australiana tem as duas pernas amputadas após ser atropelada perto de gabinete
