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Advogado acusa deputado estadual de racismo após invasão na UFRR e cobra investigação

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Advogado acusa deputado estadual de racismo após invasão na UFRR e cobra investigação O advogado Yano Rodrigues da Silva, de 25 anos, acusa o deputado estadual Marcinho Belota (PL) de racismo após o episódio em que o parlamentar e uma blogueira de direita destruíram materiais de alunos na Universidade Federal de Roraima (UFRR). Yano registrou um boletim de ocorrência contra Belota após o deputado publicar no Instagram um vídeo que, segundo o advogado, ridiculariza o cabelo black power dele. O jovem quer que a situação seja tratada como injúria racial. A Polícia Civil informou nesta quinta-feira (22) que o caso está sob investigação. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Em nota ao g1, Marcinho belota afirmou que repudia qualquer forma de racismo, preconceito ou discriminação. "O respeito à dignidade humana sempre foi e continuará sendo um princípio fundamental da minha conduta pessoal e pública." (Leia a nota na íntegra ao final). Yano registrou um boletim de ocorrência contra Belota após o deputado publicar no Instagram um vídeo Reprodução/Instagram No dia da ida do deputado e de Athally Albuquerque (Republicanos), à UFRR, houve uma discussão entre Yano e eles. Por volta das 21h, do mesmo dia Marcinho fez o vídeo no story do próprio perfil oficial no Instagram. Para Yano, a publicação teve o objetivo de debochar da aparência dele e ridicularizá-lo publicamente. No story apotando como racista pelo advogado, o parlamentar se gravou usando um filtro que destaca cabelos cacheados e volumosos, onde diz: "Querido, pra que essa agressividade? Meu Deus!", diz ele, antes de encerrar mandando um beijo. "O deputado poderia muito bem ter discutido comigo em relação à minha posição política, em relação aos questionamentos que eu fiz a ele. Ele preferiu fazer a utilização de um recurso racista que nós chamamos de racismo recreativo, que é quando você utiliza de características das pessoas negras, seja dos fenótipos, do comportamento, da fala, para você descaracterizar a humanidade daquela pessoa", declarou o advogado. 📱 O perfil de Marcinho no Instagram tem cerca de 298 mil seguidores, número equivalente a cerca de 46,8% da população de Roraima, de 636,7 mil habitantes, segundo o censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Uma das minhas características enquanto um homem negro é o meu cabelo afro, que é em formato black power, que para mim é um sinônimo também de resistência em relação à minha própria identidade", afirmou Yano. Yano contou que respondeu à publicação, afirmando que o conteúdo era racista, mas não obteve retorno do deputado. Além disso, o advogado recebeu gravações de tela do vídeo enviadas por outras pessoas e compartilhou o story no próprio perfil. No dia seguinte, Yano marcou Belota em uma publicação no qual informou ter denunciado o parlamentar. Em resposta, o deputado escreveu: "🤣 tá bom.💓". O advogado afirma que passou a receber comentários racistas depois da situação com Belota. Entre eles, uma pessoa diz "Vontade de pôr fogo no cabelo desse vagabundo!!!!". "Eu fui uma criança vítima de racismo e hoje eu me vejo um adulto que enfrenta o racismo, eu passo por situações de racismo, mas eu não me vejo mais como uma vítima porque agora eu consigo me defender". Segundo o advogado, após a repercussão, o deputado publicou outros dois stories com efeitos visuais diferentes. "É necessariamente com esses dois outros efeitos que ele tenta criar um álibi para a situação que já estava sendo veiculada nas redes das pessoas questionando ele em relação ao ato dele que pode ser considerado como uma injúria racial", afirmou. Advogado questiona posicionamento da Assembleia Legislativa Marcinho Belota foi reeleito deputado estadual neste ano com 11.441 votos, a maior votação entre os candidatos ao cargo. Ele construiu a trajetória política com um discurso voltado à defesa da causa animal. Yano questionou a falta de posicionamento da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) sobre o caso. Segundo ele, a atuação do parlamentar nas redes sociais também envolve recursos públicos. "Se o deputado utiliza a rede social para falar qualquer coisa, ainda que seja sobre sua opinião pessoal, sua vida pessoal, isso também está sendo financiado pela Assembleia Legislativa porque tem dinheiro público ali sendo utilizado para manter aquele alcance que ele tem nas redes", disse. Em julho de 2026, último mês antes das eleições, Marcinho declarou gastos de R$ 34,8 mil com divulgação de atividades parlamentares em diferentes meios de comunicação, blogs e com influenciadores digitais. A informação está disponível nas Verbas Indenizatórias, no site da Assembleia Legislativa de Roraima. Além de advogado, Yano é ativista climático em Roraima e conselheiro do Conselho Estadual de Promoção da igualdade Racial. Ele afirmou que já participou de atividades sobre o combate ao racismo promovidas pela Assembleia Legislativa. "A Assembleia Legislativa já por duas vezes me convidou para, como uma pessoa que é autoridade nesse assunto de questões raciais, participar de audiências públicas e ser um debatedor, ser um palestrante na Assembleia Legislativa em eventos em alusão à consciência negra. Eu, inclusive, já participei de uma campanha de conscientização em combate ao racismo da TV Assembleia", relatou. Yano participou de atividades sobre o combate ao racismo promovidas pela Assembleia Legislativa Reprodução/Instagram Entenda o caso na UFRR Segundo Yano, ao chegar à UFRR, encontrou Marcinho Belota discursando para estudantes. Em um vídeo, o deputado afirma que, se os panfletos fossem colocados novamente, seriam retirados outra vez. Ele alegou que as informações divulgadas no material eram "fake news". Leia mais: Estudantes denunciam deputado e ex-candidata por rasgarem panfletos na UFRR Grupo entra em blocos da UFRR, interrompe aulas e retira cartazes em Boa Vista Blogueira de direita e deputado de 1º mandato: quem são os alvos da PF por destruir materiais na UFRR Durante a discussão, o advogado questionou o parlamentar sobre a atuação dele em relação à Universidade Estadual de Roraima (UERR). "Eu fiz essa pergunta para ele, necessariamente porque, se ele é um deputado estadual e tem diversas atribuições que ele pode fazer em relação à educação, à participação cidadã, à democracia, ele não tinha necessariamente uma obrigação em relação à Universidade Federal", explicou. A Polícia Federal (PF) está investigando o caso. Nesta quinta-feira (22), o Ministério Público Eleitoral (MPE) reforçou o pedido para que a PF investigue as invasões à UFRR. No sábado (17), um dia após a ida do deputado e da blogueira à instituição, outro grupo, suspeito de estar armado, entrou na universidade, interrompeu aulas, intimidou servidoras e também retirou cartazes. A UFRR pediu reforço na segurança do campus Paricarana. A reitoria solicitou apoio da PF, da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional, para proteger a comunidade acadêmica. Nota Repudio de maneira firme qualquer forma de racismo, preconceito ou discriminação. O respeito à dignidade humana sempre foi e continuará sendo um princípio fundamental da minha conduta pessoal e pública. Em relação ao vídeo mencionado, esclareço que se tratou de uma manifestação descontraída, utilizando um recurso visual disponibilizado pela própria rede social ( SNAP CHAT) sem qualquer intenção de ofender, diminuir ou desrespeitar alguém em razão de sua cor, origem ou características físicas. Inclusive com diversas postagens em meu próprio instagram na qual brinco com vários amigos meu e com minha esposa ( basta analisar meu perfil que irá ver). É fundamental compreender que nem toda manifestação bem-humorada ou divergência entre pessoas representa uma conduta discriminatória. Atribuir a alguém a prática de um crime tão grave exige responsabilidade, análise do contexto e elementos concretos que sustentem essa conclusão. Respeito o direito do advogado Yano Rodrigues de apresentar sua interpretação dos fatos e de recorrer aos meios legais que considerar adequados. Da mesma forma, espero que seja respeitado meu direito de esclarecer o ocorrido, sem julgamentos precipitados. O racismo é uma questão séria, que merece enfrentamento permanente e responsável. Justamente por reconhecer sua gravidade, considero indispensável que qualquer acusação dessa natureza seja examinada com equilíbrio, respeito à verdade e observância das garantias legais. Reafirmo que não tive a intenção de promover qualquer discriminação racial. Continuarei exercendo minha liberdade de expressão com responsabilidade, respeitando as diferenças e defendendo o diálogo, mesmo diante de opiniões divergentes. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

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