Cidadão estrangeiro linchado por grupo de 50 pessoas na África do Sul
Um grupo de cerca de 50 pessoas espancou hoje até à morte um cidadão estrangeiro na cidade portuária sul-africana de Durban, que se tornou o epicentro de manifestações anti-imigração no país, anunciou a polícia local. A África do Sul, país vizinho de Moçambique, tem sido palco, desde há um ano, de manifestações e de violência xenófoba que já provocaram pelo menos quatro mortos, segundo a polícia, e fizeram com que mais de 200.000 estrangeiros fugissem do país. O movimento tem diminuído nas últimas semanas, mas continua bastante ativo na cidade de Durban, num momento em que o país se prepara para ir às urnas a 04 de novembro em eleições municipais. O homicídio de hoje no centro da cidade ocorreu à margem de uma manifestação, acrescentou a polícia, sem especificar a natureza da mesma. Dois manifestantes saíram do cortejo para se aproximar da vítima, que estava ao lado da estrada onde decorria a manifestação. "Parece que a vítima foi depois agredida por um grupo de cerca de 50 pessoas e foi declarada morta no local", prosseguiu a polícia. Na quarta-feira, motoristas de Veículos de Turismo com Condutores (VTC) tinham desfilado no mesmo bairro ao lado de membros do grupo 'March and March', na linha da frente da campanha anti-imigrantes nos últimos meses. Há duas semanas, o exército foi destacado para o centro de Durban para apoiar as forças de polícia depois de dois dias de violência marcados por saques e incêndios criminosos. A África do Sul, a maior economia do continente, há muito que atrai migrantes, mas enfrenta uma taxa de desemprego superior a 30% e profundas desigualdades. Há mais de 20 anos que o país é assolado por uma constante violência xenófoba. O país registou este ano vários episódios de violência urbana contra migrantes, sobretudo em Durban e Joanesburgo. Foto: depositphotos
