Campanha de Lula intensifica busca de votos entre beneficiários do Bolsa Família que ainda votam em Flávio Bolsonaro
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou, nesta reta final da eleição, a busca por votos entre os beneficiários do Bolsa Família. Segundo assessores da campanha petista, esse é o principal grupo no qual Lula ainda teria espaço para conquistar eleitores que hoje declaram voto no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário no segundo turno. A avaliação da equipe de Lula é que, nos demais segmentos, os votos estão mais consolidados e há menos espaço para mudança até domingo (25), dia da votação. Segundo apurou o blog, a campanha de Lula está entrando em contato, por meio de mensagens, com beneficiários do Bolsa Família. Quaest: Lula amplia vantagem entre eleitores beneficiários do Bolsa Família A estratégia é destacar o reajuste do benefício concedido pelo governo Lula e lembrar declarações antigas de Flávio Bolsonaro, que, no passado, chamou o programa de "Bolsa Farelo". "Neste grupo, o Lula está conquistando mais votos e pode crescer mais, tirando votos de Flávio Bolsonaro", diz um interlocutor do presidente. Programa Bolsa Família Divulgação/MDS Tema de campanha O Bolsa Família se tornou um dos principais temas da reta final da disputa presidencial. Lula tem usado o programa para tentar ampliar sua vantagem entre os eleitores de menor renda, enquanto Flávio Bolsonaro tem afirmado que não pretende acabar com o benefício. Publicações antigas em que o senador usou a expressão "Bolsa Farelo" também passaram a ser exploradas pela campanha petista. A proposta apresentada pela equipe de Flávio é aumentar o período de transição para beneficiários que consigam emprego formal ou abram um negócio e, por isso, passem a deixar o programa. Na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21), Lula oscilou positivamente entre os eleitores que recebem benefícios sociais, como o Bolsa Família, de 60% para 62%, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou negativamente, de 31% para 27%. O levantamento mostra ainda que a rejeição de Lula, que ficou em 47% no conjunto dos entrevistados, é menor entre os beneficiários do Bolsa Família: 27%. Já a rejeição de Flávio Bolsonaro, de 52% no total, chega a 68% nesse grupo. No cenário geral da pesquisa Quaest, Flávio aparece com 45% das intenções de voto, e Lula, com 44%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados. O levantamento ouviu 2.154 eleitores entre 17 e 20 de outubro e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08535/2026. 3 O objetivo da campanha de Lula é tentar chegar a 70% de apoio entre os beneficiários do Bolsa Família. Se atingir esse patamar, a equipe do presidente, que tenta a reeleição, acredita que terá condições de virar a disputa até domingo. Além dos beneficiários do Bolsa Família, a campanha de Lula também está buscando eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno ou que votaram em branco ou anularam o voto. A campanha escalou lideranças regionais para entrar em contato com esses eleitores e tentar convencê-los a votar em Lula na reta final. A estratégia mira um grupo relevante para o resultado: segundo a Quaest, entre os eleitores que afirmam não ter comparecido ou ter votado em branco ou nulo no primeiro turno, 40% dizem que agora pretendem votar em Lula e 36%, em Flávio Bolsonaro.
