Flávio Bolsonaro 'está dando uma desculpa', diz Alckmin após Lula desafiar candidato do PL a liberar sigilo
Geraldo Alckmin em visita à Campinas (SP) nesta quarta-feira (21) Victor Hugo Bittencourt/EPTV O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidente, “está dando uma desculpa” ao comentar o desafio feito por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, para que o adversário autorize a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico. Em visita ao Comitê do Partido dos Trabalhadores (PT) em Campinas (SP) nesta quarta-feira (21), Alckmin defendeu durante uma coletiva de empresa que candidatos à Presidência prestem contas à população e afirmou que quem não quiser ter vida pública deve ir para o setor privado (assista o vídeo acima). “Olha, ele está dando uma desculpa, né? Aliás, eu defendo que quem se elege presidente não devia ter sigilo, nem bancário, nem fiscal, nem telefônico. Vida pública é pública”, disse Alckmin. “Não dá para ter vida pública, ser candidato a presidente da República e não querer prestar contas”. ✅ Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Na sequência, Alckmin citou denúncias e investigações envolvendo Flávio Bolsonaro. Ele mencionou valores que atribuiu a operações financeiras, além de questões relacionadas à chamada rachadinha, a funcionários fantasmas e ao banqueiro Daniel Vorcaro. “Depois não presta contas da rachadinha, não presta contas de funcionário fantasma, não presta contas do Vorcaro. Não é possível. É desculpa”, afirmou. “Na realidade, é dever de quem está na vida pública prestar contas à população, permanentemente”, completou. Lula protocolou documento dizendo que libera a divulgação de sigilos Lula protocola documento no TSE em que diz que libera sigilos dele e de parentes se Flávio também o fizer d já manifestaram que estão de acordo com a liberação dos dados. A defesa do candidato, inclusive, juntou aod procuração dos familiares informando que eles autorizam O candidato do PT à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, protocolou nesta terça-feira (20) um documento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que afirma que autoriza a liberação de seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico relativos aos últimos 8 anos, e também os de seus parentes, desde que o seu adversário na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), faça o mesmo. Lula tomou a medida após desafiar Flávio, no debate realizado pela Band no último domingo (18), a divulgar os sigilos. O petista reiterou o desafio durante entrevista concedida nesta segunda-feira (19), em Porto Alegre (RS), onde cumpriu agenda de campanha. Nesta terça, durante entrevista em São Luís (MA), Lula comentou o envio do documento ao TSE. "Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão nesse país, quem é corrupto. Vamos ver se ele [Flávio] tem coragem de abrir a vida secreta dele", disse o candidato do PT à reeleição. O presidente também apresentou uma manifestação com o mesmo teor ao Supremo Tribunal Federal (STF). No debate da Band, Flávio afirmou não ter "absolutamente nada a esconder", mas não afirmou se vai autorizar a quebra do sigilo. De acordo com a petição apresentada pela defesa de Lula ao TSE, a liberação e a ampla divulgação dos dados – seja por meio do sistema Divulga CandContas da Corte Eleitoral, ou de outro site de acesso público – vão abranger os seguintes familiares de Lula: Rosângela Lula da Silva, a Janja, esposa do presidente; Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha; Marcos Cláudio Lula da Silva, filho; Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho que é alvo de investigações da PF; Sandro Luís Lula da Silva, filho; Luís Claudio Lula da Silva, filho. Os filhos de Lula já manifestaram que estão de acordo com a liberação dos dados. A defesa do candidato, inclusive, juntou ao documento protocolado, na tarde desta terça (20), procuração dos familiares informando que eles autorizam a quebra dos sigilos. O texto também estende a liberação de sigilos de empresas das quais os candidatos sejam sócios, administradores ou em cujas contas bancárias figurem como responsáveis financeiros ou "usuários master". No caso de Lula, foi citada a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., da qual é sócio não administrador. 🔎 A expressão "usuário master", utilizada pela defesa de Lula de forma irônica no documento, é uma referência a reportagens que apontam que Flávio foi cadastrado como 'usuário master' em uma conta bancária de uma empresa pertencente ao advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro. A defesa de Lula propõe a divulgação pública dos dados bancários, fiscais e telefônicos de ambos os candidatos antes da próxima quarta-feira (21). Para os advogados, a medida é fundamental para assegurar que a população brasileira seja devidamente informada e possa decidir o seu voto. Éden Valadares, secretário da campanha do petista, afirmou que a medida proposta por Lula tem respaldo na Constituição, que preza pela probidade administrativa, moralidade e prevê a análise de vida pregressa para o exercício de mandatos. "Lula toma uma iniciativa histórica, que risca no chão a diferença dos candidatos, dando transparência a todo o seu sigilo e desafia o adversário a fazer o mesmo. Quem não deve, não teme", disse Valadares. A petição apresentada ao TSE foi distribuída, por sorteio, ao ministro André Mendonça, que será o relator desse caso. Sigilos de Flávio Lula condiciona a liberação dos seus sigilos e os de parentes à autorização, por Flávio Bolsonaro, da divulgação dos sigilos dele e dos seguintes familiares: Jair Bolsonaro, pai; Rogéria Bolsonaro, mãe; Carlos Bolsonaro, irmão; Eduardo Bolsonaro, irmão; Jair Renan Bolsonaro, irmão; Fernanda Bolsonaro, esposa. E também das seguintes empresas ligadas ao candidato do PL: Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia; All In One Corretora de Seguros Ltda; Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda; Bolsonaro Digital Ltda; Alcazar Holdings, empresa de propriedade de Willer Tomaz, que tem uma conta em que Flávio foi cadastrado como "usuário master". Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal. Um deles, sobre lavagem de dinheiro, investiga a relação do candidato do PL com o advogado Willer Tomaz. O outro inquérito trata do financiamento de "Dark Horse", uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Essa investigação apura negociações envolvendo recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do filme. A defesa do senador tem negado irregularidades nas investigações, afirmando que não há envolvimento em ilícitos e criticando a divulgação de peças sigilosas durante o período eleitoral. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à reeleição, discursa durante um comício de campanha antes do segundo turno das eleições presidenciais, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, em 19 de outubro de 2026 REUTERS/Diego Vara VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.
