Nunes Marques marca reunião com campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula para tratar de 2º turno
Ministros do TSE tomam decisões divergentes sobre grupo de apoio a Lula O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tomou decisões divergentes sobre um um grupo de apoio à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) num aplicativo de mensagens. O presidente da Corte, Nunes Marques, convocou uma reunião com as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro para discutir condutas nesta reta final de segundo turno. Na última quarta-feira (7), a campanha do candidato Flávio Bolsonaro (PL) pediu à Justiça Eleitoral para suspender o canal “Exército do Lula” do WhatsApp -- alegando que atua de forma irregular. Segundo advogados de Flávio, o canal faria uma disseminação sistemática de ‘fake news’ contra o candidato do PL à presidência, usando uma estrutura de comunicação em massa para multiplicar desinformação e dar orientações para contornar mecanismos de segurança da plataforma. O canal é administrado pelo deputado André Janones, do partido REDE. Começou a crescer e a ganhar novos seguidores logo após o primeiro turno das eleições (4 de Outubro). E em poucos dias, saltou de 55 mil para mais de 3 milhões de usuários. A análise do pedido de Flávio — uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral — é de competência da Corregedoria do TSE. ENTENDA No sábado (10), o corregedor do Tribunal, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, deu prazo de 72 horas para que a campanha do candidato do Partido Liberal apresente mais informações antes de decidir sobre a suspensão do canal. Segundo o TSE, a campanha de Flávio Bolsonaro fez referência a vídeos e mensagens, mas não os incluiu no requisito de suspensão. Quarenta minutos depois da decisão de Cueva, a campanha de Flávio Bolsonaro fez novo pedido, direcionado ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques. Ontem, o ministro acolheu o pedido e suspendeu o canal. Nunes Marques afirmou que não se pode transformar uma ferramenta de comunicação em instrumento de desinformação em massa às vésperas das eleições. A decisão gerou críticas de uma ala do TSE, que entende que o caso deve ser analisado em plenário. Fachada do prédio do Tribunal Superior Eleitoral Jornal Nacional Ainda ontem (11), horas após a decisão de Nunes Marques, o corregedor Ricardo Cueva restabeleceu o canal Exército do Lula, mas proibiu a divulgação de conteúdo comprovadamente falso já vetado pelo TSE. Na decisão, Cueva afirmou que o caso já estava em análise pela Corregedoria e que não se pode apresentar o mesmo pedido por caminhos diferentes para escolher quem vai julgar. O ministro afirmou ainda que os elementos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro não justificam nesse momento a suspensão do canal e enviou o caso ao plenário da Corte Eleitoral. Hoje (segunda-feira, 12), o ministro Kassio Nunes Marques determinou que a área técnica do TSE fizesse uma análise detalhada sobre a plataforma, com um amplo mapeamento sobre disseminação de desinformação pela ferramenta e possíveis riscos ao processo eleitoral. No fim da manhã, os técnicos do Tribunal concluíram que o canal tem elevada audiência e volume expressivos de mensagens e orientações sincronizadas de mobilização. Disseram que não localizaram na plataforma mensagens já declaradas falsas pelo TSE e que parte das publicações, feitas em setembro, foi apagada, o que dificulta a reconstrução de todo o histórico. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Ontem (11) a noite, a campanha do presidente Lula criticou o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. Em nota, classificou a decisão do ministro, que havia suspendido o canal, como "censura" e acusou o presidente do TSE de "parcialidade" em favor de Flávio Bolsonaro. Afirmou ainda que a decisão de Nunes Marques violava a liberdade de expressão e prejudicava a mobilização de milhões de eleitores. A campanha de Lula afirmou também que Nunes Marques usurpou a competência do corregedor, ministro Ricardo Cueva. Hoje (12) foi a vez de a campanha de Flávio se manifestar, mas crittando a decisão do corregedor, ministro Ricardo Cueva. Disse que as ações encaminhadas à Corregedoria e à Presidência têm conteúdos distintos e efeitos diversos. Apontou descumprimento flagrante do Plano de Conformidade que foi firmado entre o Grupo Meta, dono do WhatsApp, e a Justiça Eleitoral, e disse que acionou a Presidência do TSE porque é competência dela fiscalizar o cumprimento desse plano. Afirmou também que os técnicos do TSE não encontraram conteúdo falso porque o canal utiliza estratégias de apagamento de mensagens e uso de links para burlar o controle da Justiça Eleitoral. PROXIMOS PASSOS A sessão que vai analisar o caso ainda não tem data marcada. Amanhã (13), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, pretende reunir os coordenadores das equipes dos dois candidatos para discutir como deve ser a conduta das campanhas na reta final do segundo turno. PROPAGANDA DE FLÁVIO SEM ÁUDIO A propaganda eleitoral de TV da campanha do candidato Flávio Bolsonaro do PL foi exibida hoje à tarde sem áudio. Segundo o TSE, o problema foi identificado durante o processamento do material pelo pool de emissoras de rádio e televisão, responsável por receber o material das campanhas e gerar o sinal para todo o país. Em nota, o TSE afirmou que os áudios das campanhas de Flávio e Lula não foram carregados no sistema, mas houve tempo para a correção antes da segunda propaganda, que hoje foi a do presidente Lula, candidato à reeleição. Em nota, a Abert, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, e a Astral, Associação Brasileira De Televisões E Rádios Legislativas, confirmaram o problema técnico e reafirmaram que o programa de Flávio Bolsonaro foi recebido em perfeitas condições. As duas associações informaram que a ocorrência foi comunicada imediatamente ao TSE. O TSE informou ainda que o arquivo da propaganda de Flávio foi corrigido e o conteúdo será reexibido em data a ser definida pela campanha do PL. LEIA TAMBÉM Flávio Bolsonaro promete aplicativo para serviços públicos e mudanças nas escolas Lula diz que Nordeste deve ter as mesmas oportunidades que outras regiões
