IPA aponta poeira como causa da perda de 76 mil pés de hortaliças em Fernando de Noronha
Agricultor de Noronha atribui perda de hortaliças à obra de energia solar O Instituto de Pesquisas Agronômicas (IPA) concluiu que o excesso de poeira prejudicou a plantação do agricultor Josinaldo Dantas, em Fernando de Noronha. Segundo o órgão, o problema provocou a perda de cerca de 76 mil pés de hortaliças, entre alface, rúcula e outras folhagens. O produtor suspeitava que a poeira estivesse relacionada aos danos após o início das obras do projeto Noronha Verde, da Neoenergia (veja o vídeo acima). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Folhagens, como o alface, morreram Ana Clara Marinho/TV Globo O IPA analisou a água e o solo da região e descartou a hipótese de contaminação. Segundo o técnico agrícola do órgão, Artur Carneiro, o excesso de poeira causou a perda da safra. A poeira se acumula nas folhas e prejudica o desenvolvimento das plantas. “A planta respira pela folha. Com o orvalho, a folha fica molhada. Ao amanhecer, o vento transporta a poeira, que gruda na superfície das folhas. A poeira prejudica a alface e a rúcula. A vegetação está amarelada porque a planta não está respirando. A folha está completamente cheia de poeira”, explicou Artur Carneiro. Josinaldo Dantas afirmou que percebeu o aumento da poeira na região da Quixaba, onde mantém a plantação, após o início das obras do projeto Noronha Verde, da Neoenergia. O projeto prevê a instalação de 30 mil painéis solares em Fernando de Noronha, com investimento de R$ 350 milhões. A iniciativa busca reduzir a dependência do óleo diesel na geração de energia e ampliar o uso de fontes renováveis. Cultivo hidropônico A maior parte da produção de Josinaldo Dantas é feita por hidroponia, técnica de cultivo que dispensa o uso de solo. Nesse sistema, as raízes recebem água com nutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas. Josinaldo mostra alface que perdeu por conta da poeira Ana Clara Marinho/TV Globo Medidas para reduzir a poeira O IPA recomendou medidas para reduzir a entrada de poeira na estufa e proteger as hortaliças durante as obras. Entre as orientações estão: Instalar telas nas laterais da estufa para reduzir a entrada de poeira levada pelo vento. Avaliar o uso de cortinas plásticas nos períodos de maior movimentação de máquinas e de maior concentração de poeira. O órgão também recomendou a instalação de barreiras de proteção na divisa da propriedade voltada para a obra. A medida pode incluir o uso de telas ou lonas para reduzir a dispersão da poeira. O tipo de material e a altura das barreiras devem seguir orientação técnica. LEIA TAMBÉM: Projeto solar em Fernando de Noronha remove 10 mil árvores e gera críticas de moradores Licenciamento ambiental A licença ambiental para a obra foi concedida pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). O g1 procurou o órgão para saber quais providências serão adotadas diante dos possíveis impactos ambientais, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. O licenciamento teve anuência do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A chefe do instituto em Fernando de Noronha, Lilian Hangae, afirmou que o órgão acompanha o caso. Segundo Lilian Hangae, se os prejuízos forem comprovados tecnicamente, o agricultor poderá receber uma indenização da empresa responsável pela obra. O que diz a Neoenergia A Neoenergia informou que enviará uma equipe técnica à plantação para verificar se há relação entre a poeira e os danos às hortaliças. A empresa afirmou que está molhando o solo nas áreas onde há movimentação de terra para reduzir a dispersão de poeira, principalmente durante o período seco. A Neoenergia também informou que busca alternativas para controlar a poeira diante das restrições de água em Fernando de Noronha. Entre as medidas avaliadas está o uso de água de reuso. Segundo a empresa, os trabalhos de movimentação de terra estão na fase final e devem ser concluídos nos próximos dez dias. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias o
