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Após enfrentar o governo, mãe consegue cirurgia para filha com coluna em formato de 'S' em RO

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Após enfrentar o governo, mãe consegue cirurgia para filha com coluna em formato de 'S' “Um dos dias mais feliz da vida dela, porque ela não estava mais sentindo dor”: foi assim que Lidiane Laborda dos Santos, de Porto Velho, descreveu o momento em que a filha, Sophia, de 12 anos, percebeu que a vida poderia voltar ao normal depois da cirurgia. Por mais de dois anos, a família acompanhou a evolução de uma escoliose que chegou a 52 graus, provocando dores e limitando a rotina da menina. ➡️ A escoliose toracolombar progressiva é uma alteração na coluna que faz com que ela fique curvada para um dos lados, podendo formar um “C” ou “S”. A condição pode surgir durante a fase de crescimento. A história de Sophia começou a ser acompanhada pelo g1 em 2025, quando a mãe buscava atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e recorria à Justiça para conseguir a cirurgia. Na época, a família já havia procurado atendimento quatro vezes e não tinha condições de pagar pelo procedimento. A cirurgia, que custou R$ 250 mil na rede particular, aconteceu em 8 de abril de 2026, em um hospital de Porto Velho. O procedimento foi pago pelo Governo de Rondônia depois que a família recorreu à Justiça para conseguir o tratamento. Meses após a cirurgia, a mãe conta que Sophia não sente mais as dores que marcaram parte da infância. A menina ainda precisa passar por acompanhamento médico durante a recuperação. LEIA TAMBÉM: Incêndio atinge apartamento em Porto Velho Homem morre enquanto tentava apagar incêndio em pastagem Uma espera de mais de dois anos Raio-x da Sophia Laborda, escoliose progressiva Reprodução/acervo pessoal Sophia foi diagnosticada com escoliose em 2023, quando tinha 10 anos. Desde então, a curvatura da coluna aumentou até chegar aos 52 graus. Antes da cirurgia, Lidiane buscou atendimento pelo SUS e, segundo ela, não encontrou profissionais especializados para acompanhar o caso da filha. Com a piora da escoliose e a indicação médica para a cirurgia, a família procurou a Justiça para tentar conseguir o tratamento. Segundo Lidiane, mesmo com decisões que permitiam a realização da cirurgia, o Estado entrou com recursos, e a família precisou esperar ainda mais. “Então essa parte foi bem burocrática, porque a gente ganhava sempre a ação, mas o Estado recorria. O juiz bloqueou o valor da conta do Estado, ainda demorou bastante meses para cair na conta da clínica”, explicou. A mãe então buscou alternativas na rede particular. Sophia passou por avaliação médica e recebeu indicação para fazer uma cirurgia, mas o valor estava muito acima do que a família poderia pagar. Em 2025, quando o g1 contou a história da menina, Lidiane relatou que já havia tentado conseguir atendimento quatro vezes e que a família não tinha condições de pagar os cerca de R$ 250 mil estimados para a cirurgia. Naquele momento, além de buscar atendimento, a mãe continuava tentando na Justiça para conseguir o tratamento da filha. Decisão judicial garantiu cirurgia Um documento do processo mostra que, em 4 de fevereiro de 2026, a Vara de Proteção à Infância e Juventude de Porto Velho determinou a transferência de R$ 250 mil de uma conta judicial para a clínica responsável pela cirurgia. O valor foi pago pelo Governo de Rondônia, após a família recorrer. Segundo Lidiane, a família soube que a cirurgia finalmente seria marcada quando a clínica informou que o dinheiro havia sido depositado e que já havia uma data para o procedimento. “Então, quando a clínica responsável pela cirurgia mandou a mensagem falando que o valor de R$ 250.000 tinha caído na conta, e já estava marcado o dia da cirurgia, foi uma felicidade imensa, porque após a cirurgia a minha filha não iria mais sofrer de dores”, contou Lidiane. Agora, olhando para trás, ela conta que foram mais de dois anos acompanhando a piora da doença e tentando fazer com que a cirurgia acontecesse. “Nós esperamos mais de 2 anos. Eu descobri que ela tinha escoliose, ela tinha 10 anos, então nesse período eu procurei as reportagens para poder agilizar essa questão judicial. Porque foi muito sofrimento para ela, muita dor”, disse. Em nota ao g1, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que, na época, a rede estadual não tinha estrutura técnica para realizar esse tipo de procedimento. Por isso, o tratamento foi feito na rede particular, em cumprimento à decisão judicial. De acordo com a secretaria, o atendimento também incluiu internação e acompanhamento pós-operatório. O dia da cirurgia Quando finalmente soube que a cirurgia seria realizada, Lidiane sentiu alívio, mas também medo. Ela sabia que a filha enfrentaria um procedimento delicado e demorado. “Eu estava muito feliz, sim, porque depois da cirurgia o sofrimento dela iria acabar, mas, pelo outro lado, estava preocupada, apreensiva, pois seria uma cirurgia muito delicada e demorada. Foi quase 10 horas de cirurgia”, contou. Durante o procedimento, Lidiane tentou esconder a preocupação para não deixar Sophia ainda mais apreensiva. Depois de horas de espera, veio a notícia que ela aguardava: a cirurgia havia terminado e tinha ocorrido tudo bem. “Mas eu tinha que ser forte para ela não perceber que estava preocupada. Depois da cirurgia, quando o médico foi lá no quarto e disse que já tinha terminado a cirurgia e tinha ocorrido tudo bem, eu fiquei radiante de felicidade. E chegando lá na sala de observação, eu vendo ela, meu coração não cabia mais de felicidade”, relatou. Foi no reencontro com a filha que Lidiane percebeu o tamanho da mudança que aquele momento representava. Depois de meses de dor e de uma espera que durou anos, Sophia estava se recuperando da cirurgia que a família havia buscado por diferentes caminhos até conseguir realizar. “E quando fomos para o quarto, a Sophia me disse que era um dos dias mais feliz da vida dela, porque ela não estava mais sentindo dor.” 'Eu quero andar' A cena do dia seguinte ficou marcada na memória da mãe. Sophia havia acabado de passar por uma cirurgia de quase 10 horas e ainda estava no hospital, mas não queria permanecer deitada. Na manhã seguinte ao procedimento, quando o médico foi ao quarto para avaliá-la, a menina disse que queria levantar e andar. Para Lidiane, o pedido causou preocupação. A cirurgia havia sido grande e ela não esperava que a filha tivesse tanta disposição tão cedo. Sophia, porém, insistiu. “A cirurgia foi numa quarta-feira e, na quinta-feira, quando o médico passou para ver ela pela parte da manhã, ela falou para o médico que queria andar. Eu fiquei preocupada por conta que a cirurgia era muito grande. Ela disse: ‘Não, mãe, eu quero andar’. E então ela se levantou da cama e andou no corredor do hospital, e eu fiquei muito feliz por ela ser tão forte”, contou. Antes da cirurgia, as dores já tinham mudado a rotina de Sophia. Segundo Lidiane, a menina deixou de fazer atividades que antes faziam parte do dia a dia e também tinha vergonha da própria coluna por causa da curvatura. “A Sophia não conseguia fazer nada por conta das dores que sentia e também ela sentia muita vergonha por a coluna dela ser muito torta. Depois da cirurgia, tudo mudou na vida. Ela está todo tempo rindo, alegre e feliz”, afirmou. A mãe conta que Sophia ainda não pode fazer tudo o que gostaria durante a recuperação, mas acredita que a filha poderá retomar aos poucos as atividades. “Ainda não pode fazer certas coisas, mas eu sei que logo, logo ela vai fazer tudo que ela gostar.” Uma nova rotina Novo raio-x da Sophia Laborda Reprodução/acervo pessoal Antes da cirurgia, Sophia tinha uma escoliose de 52 graus. Segundo Lidiane, depois do procedimento, os médicos informaram uma correção de 99% da curvatura. A mãe também afirma que a filha não sente mais as dores que enfrentava antes da cirurgia. O tratamento, porém, ainda não terminou. Sophia precisa continuar sendo acompanhada pelos médicos. “O retorno da Sophia é de 45 a 45 dias, e toda consulta precisa levar um novo raio-X panorâmico. Esse raio não faz pelo SUS, só no particular”, contou.

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