Falha total dos travões esteve na origem do acidente no Fogo que fez 25 vítimas mortais
A informação foi hoje avançada hoje pelo director-geral dos Transportes Rodoviários (DGTR), Emanuel Almeida, na apresentação do relatório final sobre o acidente Emanuel Almeida explicou que a utilização contínua dos travões durante a descida provocou uma acumulação excessiva de calor, que comprometeu o funcionamento do sistema de travagem. “A causa mecânica do acidente é uma descida prolongada, houve solicitação contínua em termos do travão por parte do condutor, em consequência, houve acumulação de calor, dilatação dos tambores, perda de atrito e, logo, a perda de travagem”, explanou. Segundo a Comissão de Inquérito, a perda total da capacidade de travagem foi o factor determinante para o acidente, tendo a investigação identificado também outras irregularidades técnicas na viatura, como alterações artesanais no sistema de travagem e anomalias no sistema direccional. O responsável explicou que os tambores de travão apresentavam desgaste severo e alterações que modificaram a sua geometria original, além da ausência de um travão auxiliar por escape, um equipamento que permite reduzir a velocidade do veículo sem depender exclusivamente dos travões de serviço. A investigação apurou ainda que a viatura transportava 38 passageiros, apesar de ter capacidade para apenas 30 pessoas, uma situação que aumentou a carga e a exigência sobre o sistema de travagem. “A sobrelotação dá uma maior massa e maior energia cinética e maior solicitação dos travões, como ficou provado na perícia técnica feita pela Comissão”, declarou. No que diz respeito à inspecção técnica, a Comissão confirmou que a viatura não tinha uma inspecção válida à data do acidente. A última inspecção foi realizada a 30 de Novembro de 2025 e a sua validade terminou a 28 de Fevereiro de 2026, mais de seis meses antes da tragédia, ocorrida a 5 de Setembro, conforme Emanuel Almeida. Além das falhas mecânicas e administrativas, a Comissão identificou condições de risco na estrada onde ocorreu o acidente, nomeadamente o declive acentuado e a ausência de estruturas de protecção capazes de impedir que uma viatura em descontrolo saísse da via. De acordo com os dados apresentados, o percurso caracteriza-se por um desnível de cerca de 773 metros ao longo de aproximadamente 25 quilómetros, com troços de declive que exigem cuidados redobrados na condução. A ausência de barreiras metálicas, muros de protecção e outros sistemas de contenção foi apontada como uma das vulnerabilidades da infraestrutura rodoviária. Quanto ao comportamento do condutor, a investigação afastou a hipótese de negligência voluntária e de uma crise hipoglicémica incapacitante, tendo em conta que o motorista era diabético. De referir que no sábado, 5 de Setembro, na ilha do Fogo, um autocarro que transportava, sobretudo estudantes, despistou-se no trajecto entre Chã das Caldeiras e Campanas de Cima e caiu numa ravina de cerca de 30 metros No total 25 pessoas morreram e 13 ficaram feridas.
