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Interlocutores de Flávio Bolsonaro procuram Gilmar Mendes e discutem relação com STF em caso de vitória

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Interlocutores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, têm procurado o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), para discutir o cenário pós-eleitoral e tentar construir pontes com a Corte. Nas conversas, o recado transmitido é que não há interesse em promover um confronto institucional, apesar de uma das principais bandeiras do bolsonarismo e dos senadores eleitos pelo PL ser justamente o impeachment de ministros do Supremo. Esses interlocutores têm dito que não querem briga nem confusão com o Judiciário. Ao mesmo tempo, reconhecem que será necessário avaliar a nova composição do Senado, onde a pressão pelo impeachment de ministros deve ganhar força. Essa tentativa de aproximação também interessa a diferentes grupos dentro do Supremo, começando pelo próprio ministro Alexandre de Moraes. A avaliação nos bastidores é que existem pautas de interesse comum entre setores da Corte e um eventual governo Flávio Bolsonaro, que poderiam abrir espaço para uma negociação mais ampla. Uma delas seria o caso Master, citado por interlocutores como um dos temas que poderiam entrar na mesa de conversas. A ideia de um possível “acordão”, portanto, não atenderia apenas aos interesses de Flávio Bolsonaro, mas também a de ministros como Moraes. Agora no g1 O Supremo também está fazendo suas próprias contas. Ministros avaliam que nem todos os senadores eleitos com o discurso de enfrentamento ao STF terão disposição para sustentar essa posição depois da posse. Há parlamentares que respondem a investigações ou podem se tornar alvo de denúncias criminais — os eleitos para 2027, inclusive. Nas palavras de um integrante do Judiciário, a expectativa é que haja muito "tigrão virando tchutchuca" quando esses parlamentares assumirem seus mandatos. É um fator considerado nos cálculos políticos de integrantes do Supremo, que não enxergam a futura bancada bolsonarista como um bloco necessariamente homogêneo. Outro recado transmitido aos interlocutores de Flávio Bolsonaro é que um eventual governo que concentre suas energias no confronto com o Supremo corre o risco de produzir um efeito paralisante sobre a própria administração. A avaliação é que uma guerra institucional pode comprometer a capacidade de governar e avançar com outras agendas. A disputa pelo comando do Senado Essa movimentação está diretamente relacionada a uma segunda disputa, que já começou nos bastidores: a sucessão na presidência do Senado. Três nomes aparecem nas articulações: Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina (PP-MS) e Davi Alcolumbre (União-AP). Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, é um dos principais defensores do enfrentamento ao Supremo e tem trabalhado para assumir o comando da Casa. Mas já existe uma articulação dentro do próprio PL para impedir sua eleição. Integrantes do partido avaliam que Marinho se fortaleceu demais politicamente e, na expressão usada por alguns interlocutores, “subiu no salto”. Esse grupo prefere o nome de Tereza Cristina, considerada uma alternativa mais moderada, com capacidade de interlocução com ministros do Supremo e trânsito entre diferentes forças políticas. Ao mesmo tempo, setores do Centrão trabalham pela permanência de Davi Alcolumbre na presidência do Senado. Alcolumbre tem uma relação próxima com Alexandre de Moraes e mantém canais importantes de interlocução com o STF. A possibilidade de apoio a Alcolumbre também já vem sendo discutida com pessoas muito próximas de Flávio Bolsonaro. A escolha do próximo presidente do Senado será decisiva para definir o destino dos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. Por isso, a disputa pela presidência da Casa se tornou parte central das negociações sobre a relação entre um eventual governo Flávio Bolsonaro e o Judiciário. A terceira equação: a próxima vaga no Supremo Há ainda uma terceira questão considerada estratégica nessas articulações: a próxima indicação para o STF. Nos bastidores, setores políticos discutem a possibilidade de que, em caso de derrota de Lula, o presidente faça uma indicação ainda no fim do ano, antes de deixar o cargo. Um dos nomes considerados nesse cenário é o de Rodrigo Pacheco, aliado de Davi Alcolumbre e próximo de ministros como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. A avaliação desse grupo é que uma indicação de Pacheco, seguida de aprovação pelo Senado ainda neste ano, poderia alterar o equilíbrio interno do Supremo antes mesmo da posse de um eventual governo Flávio Bolsonaro. Pacheco é visto como um nome alinhado ao grupo de Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Com sua eventual chegada, esse grupo passaria a contar, nos cálculos políticos feitos nos bastidores, com cinco ministros próximos entre si. Essa composição teria peso nas futuras disputas internas do tribunal, especialmente em um cenário de aumento das tensões entre o Judiciário, o Congresso e um novo governo. O que está em jogo, portanto, vai muito além da relação pessoal de Flávio Bolsonaro com os ministros do Supremo. Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República REUTERS/Adriano Machado

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