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'Talvez vão esperar eu morrer para fazer alguma coisa', denuncia paciente crônico sobre a falta de home care em Teresópolis

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Famílias recorrem à UPA de Teresópolis diante da falta de home care. Reprodução Sem home care, pacientes crônicos enfrentam obstáculos para realizar exames, manter tratamentos e obter oxigênio pela rede municipal de saúde de Teresópolis, na Região Serrana do Rio. Com a demora na oferta do atendimento domiciliar e dificuldades na prestação de cuidados contínuos, familiares têm recorrido à UPA em busca de atendimento. Entre os pacientes que relatam dificuldades para conseguir assistência está Saymon Xavier, de 48 anos. Portador de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), insuficiência cardíaca, cardiomegalia (aumento do coração) e com histórico de infarto, ele depende de oxigênio 24 horas por dia e não consegue realizar atividades básicas sem ajuda. "Talvez vão esperar eu morrer para fazer alguma coisa." disse Saymon Xavier, pensionista do INSS, 48 anos. 📱 Siga o canal do g1 Região Serrana no WhatsApp. Agora no g1 Ao g1, Saymon relatou a dificuldade para conseguir exames e acompanhamento médico que tem prejudicado a continuidade do tratamento. Quando o quadro se agrava, ele procura atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas afirma que não consegue dar sequência aos cuidados necessários. "Tenho laudos que comprovam tudo de que preciso, inclusive a necessidade de uma cama hospitalar e de home care, porque já não consigo fazer mais nada. Quando vou para a UPA, dizem para eu procurar o posto de saúde. Me encaminham para a Unifeso, onde dizem para eu voltar ao posto de saúde. Assim, ninguém resolve nada." disse. O paciente também relata que enfrenta dores constantes e limitações severas de mobilidade. "O pior é que, a cada dia, estou inchando mais. Queria saber até quando vai continuar essa desumanidade. É muito difícil passar mal dentro de uma UPA, conviver com uma dor crônica 24 horas por dia e ainda ouvir de uma médica que eu só vou melhorar se emagrecer. Como se emagrecer fosse apenas dormir e acordar magro. Só sabe o que é essa dor quem a sente. Venho pedir, encarecidamente, que me ajudem." afirmou. Decisão judicial sem cumprimento Outro caso é o do cozinheiro Jorge Luiz Queiroz, de 41 anos, diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Desde janeiro, ele convive com o avanço da doença e depende de cuidados permanentes. A prima dele, Cristina Pontes, deixou o trabalho para assumir os cuidados em tempo integral. Segundo a família, atualmente, ela sustenta o primo e a família com a pensão que recebe pela viuvez e doações. "Estou há quase cinco meses esperando home care. Estou dependendo de doações. Parei de trabalhar para cuidar dele. Essa doença é gravíssima e está avançando muito rápido. Eu estou exausta", relatou Cristina. De acordo com a família, a Justiça já determinou a instalação imediata do serviço de home care para o paciente, mas, até o momento, a medida não foi não cumprida. Sem a assistência domiciliar, Jorge precisa ser levado à UPA em momentos de críticos do quadro clínico, segundo os familiares. O que diz a prefeitura O g1 procurou a Prefeitura de Teresópolis e a Secretaria Municipal de Saúde para saber quais medidas estão sendo adotadas nos casos de Saymon Xavier e Jorge Luiz Queiroz, além de questionar o cumprimento da decisão judicial referente ao home care. Até a última atualização desta reportagem, não havia recebido resposta.

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