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Governo Trump impõe sanções ao Tribunal Penal Internacional, horas após Nobel da Paz para ex-juíza

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Navi Pillay, jurista que venceu Nobel da Paz, se diz surpresa e alfineta Trump O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs sanções ao Tribunal Penal Internacional nesta sexta-feira (9), horas depois de uma das ex-juízas do TPI, Navi Pillay, ser anunciada como a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz deste ano. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Não é de hoje que Washington demonstra hostilidade em relação à corte, com imposição de sanções a seus promotores e juízes. No entanto, a medida de agora vai além, podendo punir empresas que prestam serviços a ela. A agência de notícias Reuters teve acesso a um comunicado assinado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, antes do anúncio oficial da decisão. "O presidente Trump jamais permitirá que o Tribunal Penal Internacional processe cidadãos americanos. É por isso que, hoje, os Estados Unidos estão sancionando o Tribunal Penal Internacional. Proibiremos transações com esse tribunal desonesto, cortando seus recursos e prejudicando sua capacidade de operar", diz o documento. ➡️ O Tribunal Penal Internacional é sediado na Holanda e foi fundado em 2002 para julgar crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. Ele conta com 125 países como Estados-membros, incluindo todos os países da União Europeia e todos os membros da aliança da Otan, com exceção dos Estados Unidos e da Turquia. O atual governo americano vêm se posicionando sistematicamente contra decisões do TPI, como por exemplo a emissão de mandados de prisão contra autoridades israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. A medida foi resultado direto do trabalho de Navy Pillay. Em setembro do ano passado, na ONU, ela supervisionou a publicação de um relatório da Comissão de Inquérito que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza e que altos funcionários israelenses, incluindo o premiê, incitaram esses atos. Israel classificou as acusações como "escandalosas". Navi Pillay alfinetou Trump ao agradecer Ao saber que foi escolhida para receber o Prêmio Nobel da Paz 2026, a jurista sul-africana Navi Pillay alfinetou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e se disse surpresa com a premiação. Ovacionada no Palácio de Justiça de Nuremberg, na Alemanha, onde participava de um congresso sexta-feira (9), Pillay brincou que "talvez eu divida esse prêmio com [Donald] Trump". E criticou "Estados párias" que atacam instituições multilaterais, como a ONU e o Tribunal Penal Internacional. 👉 Além de alfinetar Trump, que defendia a sua própria candidatura ao Nobel da Paz, a jurista sul-africana também fez referência à oposicionista venezuelana Maria Corina Machado. Laureada com o prêmio no ano passado, ela entregou a medalha do Nobel da Paz a Donald Trump e dedicou o prêmio ao presidente dos EUA, de quem é aliada. "Se vocês aplaudirem mais um pouco, talvez eu divida esse prêmio com (Donald) Trump", disse a laureada, que também afirmou ter ficado surpresa com sua premiação. "Sendo advogada e juíza, eu ainda quero verificar essa informação [do prêmio Nobel]", disse. Mais tarde, a sul-africana voltou a fazer referência ao presidente norte-americano, ao criticar países que têm "atacado" o Tribunal Penal Internacional, alvo constante do governo Trump. "A última coisa que queremos é que Estados párias tomem medidas por conta própria, como, por exemplo, o ataque ao Tribunal Penal Internacional", discursou. "Minha mensagem aos líderes é que vocês têm uma obrigação legal (...) de proteger os direitos humanos, abster-se da guerra e tornar realidade a Carta das Nações Unidas". Pillay também se disse surpresa com o elogio do Comitê do Nobel à sua coragem, citada um dos fatores decisivo na escolha de seu nome. "Uma das principais reações a esse relatório foi uma homenagem à minha coragem. Por que seria necessário ter coragem para dizer a verdade? Você interpreta a lei, analisa todos os fatos. Trata-se, portanto, de uma tomada de decisão imparcial, afirmou. Ela disse também que atualmente atua como juíza em um processo movido pela Gâmbia contra Mianmar, e disse que não pensa em parar no momento apesar de ter 85 anos. Jurista sul-africana Navi Pillay discursa em Nuremberg, na Alemanha, após vencer o prêmio Nobel da Paz em 9 de outubro de 2026. Agnes Callamard via REUTERS Navanethem 'Navi' Pillay é a vencedora do Nobel da Paz Obviamente, não posso interromper meu trabalho em apoio à Academia dos Princípios de Nuremberg, por causa das pessoas que encontramos aqui. Mas, de verdade, muito obrigada. Espero que isso não seja uma brincadeira, então. Foi tudo o que eu disse. Vencedora do Nobel da Paz 2026 Navi Pillay em 2011, quando era Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos REUTERS/Valentin Flauraud/Foto de Arquivo Navanethem "Navi" Pillay venceu o Prêmio Nobel da Paz 2026. Ela foi laureada "por sua coragem e integridade excepcionais em sua atuação jurídica e por seus esforços para promover a paz e o direito internacional", afirmou o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes. Em sua atuação jurídica de décadas, Pillay: garantiu que Nelson Mandela tivesse acesso a um advogado quando ele estava preso durante o Apartheid; se tornou a primeira mulher não branca na Suprema Corte da África do Sul; julgou o genocídio em Ruanda; chefiou a área de direitos humanos da ONU; presidiu o comitê contratado pela ONU que determinou que Israel cometeu genocídio em Gaza. Leia mais sobre quem é ela. "O compromisso de Navi Pillay com os princípios jurídicos universais e sua firme bússola moral são constantes ao longo de sua extensa carreira. Nascida em uma família de origem tâmil indiana, durante o apartheid, em Durban, na África do Sul, Pillay tornou-se advogada e pioneira no campo jurídico, enfrentando a profunda discriminação estrutural, a segregação e a exclusão", afirmou Frydnes. Pillay foi a 21ª mulher a ser laureada com o Nobel da Paz, de um total de 144 vencedores. Além de uma medalha de ouro com o perfil de Alfredo Nobel, fundador do prêmio, Pillay também receberá 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6 milhões). Esta repor

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