'Esquema de corrupção': 19 policiais do Paraná são alvos de operação do Gaeco; veja cidades dos investigados
Policiais ofereciam wi-fi de batalhão para cobrar dinheiro de motoristas e não dar multas Foi realizada, na manhã desta quinta-feira (8), a terceira fase da Operação Rota 466, que investiga um esquema de corrupção envolvendo policiais do Paraná. Entre os crimes investigados, estão a cobrança de propinas para evitar fiscalizações e multas. Veja uma das cenas flagradas pela investigação no vídeo acima. Nesta nova fase, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 19 policiais, sendo 4 policiais civis e 15 policiais militares - que foram afastados das atividades operacionais e ostensivas. Com a medida, eles passam a exercer exclusivamente funções administrativas e tiveram armas da corporação e particulares recolhidas. Os alvos desta quarta-feira são de oito cidades diferentes da região central, dos Campos Gerais e do sul do Paraná: Guarapuava, Ponta Grossa, Telêmaco Borba, Pitanga, Bituruna, Castro, Palmeira e Wenceslau Braz. Os nomes dos policiais não foram divulgados. ✅ Siga o canal do g1 Paraná no WhatsApp Durante o cumprimento dos mandados, uma pessoa foi presa por posse irregular de arma de fogo. Também foram recolhidos aparelhos eletrônicos com indícios de descaminho, celulares para análise e documentos. As informações são do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná (MP-PR), responsável pela investigação e pela operação, que nesta quarta-feira foi realizada com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar. "A ação dá continuidade às investigações sobre a suposta prática dos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, concussão, falsidade ideológica e lavagem de ativos envolvendo policiais, em sua maioria vinculados à Polícia Rodoviária Estadual", explica o Gaeco. A operação foi nomeada de "Rota 466" porque as investigações começaram focando em ações criminosas realizadas pelos policiais na PR-466, rodovia que liga Guarapuava a Pitanga. De acordo com o Gaeco, a nova etapa da operação decorre da análise de materiais eletrônicos e documentos apreendidos nas fases anteriores, que permitiu identificar indícios de reiteração das condutas investigadas e novos possíveis envolvidos. "As apurações apontam para a existência de um esquema de corrupção em postos da Polícia Rodoviária Estadual, incluindo o de Telêmaco Borba, no qual a atividade de fiscalização de trânsito teria sido utilizada para a obtenção de vantagens indevidas". Entre as irregularidades investigadas, estão: acordos financeiros fixos e o fornecimento contínuo de combustíveis por empresas transportadoras em troca da suposta isenção de fiscalizações de seus caminhões; fraudes na classificação de avarias veiculares em Boletins de Acidente de Trânsito Eletrônico Unificado (Bateu); direcionamento de serviços de guincho mediante pagamento; mecanismos de dissimulação e lavagem dos recursos ilícitos; segundo as apurações, os valores supostamente arrecadados nas rodovias eram movimentados por meio de transferências eletrônicas que envolviam contas bancárias de terceiros, entre eles familiares de agentes públicos, além de empresas dos setores de transporte e guincho, que teriam atuado como intermediárias nas movimentações financeiras. Mandados contra 19 policiais foram cumpridos nesta quarta-feira (8) Gaeco MAIS SOBRE A INVESTIGAÇÃO: Policiais rodoviários do Paraná são investigados por exigirem propina de motoristas e facilitarem saques de cargas Policiais ofereciam QR code e wi-fi de batalhão para cobrar dinheiro de motoristas e não dar multas, no Paraná Policiais rodoviários estaduais são suspeitos de cobrar dinheiro de pelo menos 100 motoristas para evitar multas Cobrança de propina em estradas: policial preso em operação tentou atrapalhar a investigação Duas investigações em andamento A Operação Rota 466 é conduzida pelo Gaeco de Guarapuava. Consideradas as três fases, as investigações já alcançaram 30 policiais militares, em sua maioria vinculados à Polícia Rodoviária Estadual. A apuração tem três investigados em comum com a Operação Via Pix, conduzida pelo Gaeco de Ponta Grossa, embora as duas operações sejam desenvolvidas de forma independente. Consideradas conjuntamente, as duas operações já investigaram 50 policiais militares, dos quais 42 foram afastados das funções operacionais. Leia também: Previsão do tempo: Paraná recebe previsão de ventos de até 90 km/h e formação de ciclone; veja onde e a previsão do tempo Clima: El Niño chega a nível 'muito forte' com previsão de mais tempestades no PR; estado teve 9 tornados e 150 mil afetados por temporais em 4 meses Investigação: Polícia culpa motoristas de caminhão e micro-ônibus da Saúde por acidente com 23 mortos: 'Velocidade alta, uso de celular, falta de manutenção' Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias em g1 Paraná
