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Banco Mundial prevê crescimento de 5,3% para Cabo Verde em 2026 e nova descida da dívida pública

newsdepo.com · world

As projecções constam do mais recente Africa Economic Update , publicado esta terça-feira pelo Banco Mundial, que aponta para uma evolução positiva da economia de Cabo Verde, acompanhada por uma melhoria significativa dos indicadores das contas públicas. Segundo o relatório, depois de um crescimento médio anual de 2,9% entre 2010 e 2019, Cabo Verde registou uma expansão de 7,0% em 2024 e de 6,3% em 2025. Para 2026, a instituição estima um crescimento de 5,3%, mantendo-se a economia acima do ritmo médio observado antes da pandemia. A inflação deverá, por sua vez, aumentar ligeiramente. Depois de uma variação média anual de 1,2% entre 2010 e 2019 e de 1,0% em 2024, o índice de preços terá registado uma subida de 2,3% em 2025. Para este ano, o Banco Mundial estima uma inflação de 2,4%, antes de uma desaceleração para 2,1% em 2027 e 2,0% em 2028. Um dos principais sinais positivos destacados pelos dados do Banco Mundial é a evolução da dívida pública. Depois de representar 111,8% do PIB em 2024, a dívida do Governo deverá ter descido para 99,9% em 2025. A previsão aponta para uma redução adicional para 93,9% do PIB em 2026, 89,1% em 2027 e 86,3% em 2028. O relatório chama, no entanto, a atenção para a exposição de Cabo Verde aos choques externos. O país surge entre um grupo de economias africanas consideradas mais expostas ao aumento dos preços da energia, mas que dispõem de fundamentos de política económica relativamente mais fortes. O Banco Mundial inclui neste grupo, entre outros, Maurícias, Ruanda, Tanzânia e Seychelles. O turismo e as remessas continuam a desempenhar um papel importante na posição externa do país. De acordo com o Banco Mundial, as receitas do turismo e as remessas ajudam a compensar parte dos custos das importações e a estabilizar a conta corrente. Cabo Verde está entre os países africanos particularmente dependentes do turismo como fonte de divisas. Ainda assim, o organismo alerta que as receitas do turismo não são suficientes para neutralizar completamente o aumento da factura das importações. O aumento dos custos de transporte, das importações e das despesas relacionadas com o investimento pode continuar a pressionar as contas externas. As remessas, por seu lado, constituem uma importante almofada. O relatório salienta que os fluxos de remessas para Cabo Verde ajudam a estabilizar a conta corrente e a compensar parcialmente o aumento da factura das importações. O Banco Mundial alerta também para os riscos associados à evolução dos mercados internacionais de matérias-primas e às tensões geopolíticas. Uma subida dos preços do petróleo, nomeadamente na sequência de instabilidade no Médio Oriente, poderá aumentar os custos de importação e exercer pressão adicional sobre as economias africanas dependentes da importação de energia. Cabo Verde adoptou, em 2026, uma medida de resposta a esse risco, suspendendo temporariamente o mecanismo automático de fixação dos preços dos combustíveis e limitando os aumentos máximos dos preços, segundo o relatório. Apesar da evolução favorável da dívida pública, o Banco Mundial identifica ainda riscos relacionados com a situação fiscal e as necessidades de financiamento. Cabo Verde surge no relatório entre os países onde a avaliação global do risco da dívida é mais exigente do que a avaliação específica da dívida externa, reflectindo pressões fiscais internas, passivos contingentes e riscos de financiamento. Os dados apontam, assim, para uma economia que deverá continuar a crescer acima da média da década anterior e para uma redução consistente do peso da dívida pública, mas que permanece vulnerável a choques externos, sobretudo através dos preços da energia, das importações e da evolução do turismo. Para o Banco Mundial, a combinação entre a dependência de receitas externas e a exposição aos mercados internacionais continua a exigir atenção à sustentabilidade das contas públicas e à capacidade de resposta perante novos choques.

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