Saída de obstetras deixa grávidas de alto risco sem consultas no Hospital Estadual de Sumaré
Falta de obstetras afeta atendimento a gestantes no Hospital Estadual de Sumaré Gestantes de alto risco atendidas pelo Hospital Estadual de Sumaré (HES) relatam dificuldades para realizar consultas de pré-natal após o desligamento de médicos obstetras da unidade. Em entrevista à EPTV, afiliada TV Globo, as pacientes afirmaram que tiveram atendimentos cancelados e enfrentam incerteza sobre o acompanhamento da gravidez. ➡ A mulher de 40 anos que descobriu estar grávida mesmo após passar por uma curetagem no mesmo hospital relatou que o acompanhamento no ambulatório tem sido insuficiente, com médicos diferentes a cada visita, consultas que duram poucos minutos e cancelamentos sucessivos. Este é o segundo caso do tipo na unidade este ano: em agosto, outra paciente descobriu o bebê vivo após receber diagnóstico de aborto espontâneo. O Hospital Estadual de Sumaré confirmou a saída de 18 obstetras e ginecologistas, informou que fez a reposição do quadro de profissionais e disse que reorganiza as agendas para reduzir impactos nos atendimentos às gestantes - confira na íntegra abaixo. Pela 2ª vez no ano, paciente mantém gravidez após curetagem no Hospital Estadual de Sumaré e denuncia falta de assistência O que é a curetagem, procedimento feito em grávida que descobriu bebê vivo após diagnóstico de aborto Grávida de gêmeos aguarda atendimento há 1 mês Alessandra Barrocal aguarda, há um mês, consulta de pré-natal no Hospital Estadual de Sumaré (SP). Ela está grávida de gêmeos e faz tratamento para diabetes gestacional. Reprodução/EPTV A supervisora funerária Alessandra Barrocal, moradora de Hortolândia (SP), espera gêmeos e faz tratamento para diabetes gestacional. Por isso, a gravidez é considerada de alto risco e exige acompanhamento mais frequente. Segundo ela, o pré-natal transcorria normalmente desde maio, quando passou a ser atendida pelo hospital após encaminhamento da rede municipal de saúde. "Todas as consultas, conforme o médico pedia, a cada 21 dias, a cada 30 dias, foi feito normalmente", contou. A situação mudou em setembro, de acordo com a gestante. Ela relatou que os médicos passaram a solicitar retornos quinzenais por causa da evolução da gravidez, mas as consultas marcadas passaram a ser canceladas na véspera do atendimento. "Eu tive três agendamentos e os três cancelados", disse. Sem passar por avaliação médica desde agosto, a preocupação de Alessandra é com a saúde dos bebês. "Quem que vai me garantir como que estão os meus bebês lá dentro? Não tem um médico que acompanha, você não sabe como está o tamanho do útero, você não sabe se está certo o líquido amniótico, você não sabe de nada", desabafou. A informação de que o problema está ligado à saíde de obstetras foi passada ao marido de Alessandra, que buscou explicações presencialmente na ouvidoria do Hospital Estadual de Sumaré. Uma nova consulta havia sido agendada para o dia 8 de outubro, mas ela disse que temia um novo cancelamento. "É um absurdo mesmo, é revoltante sim, né? Porque é um direito da mulher fazer esse acompanhamento e é um exame essencial", afirmou Alessandra. O hospital informou que entrou em contato com o marido de Alessandra para que o atendimento seja antecipado para esta quinta-feira (1º). O que diz o hospital Fachada do Hospital Estadual de Sumaré (SP). Reprodução/EPTV Em nota, o Hospital Estadual de Sumaré afirmou que a especialidade de ginecologia e obstetrícia conta com 45 médicos, que seguem escalas para atender a demanda - leia na íntegra abaixo. "O Hospital Estadual Sumaré (HES) informa que está reforçando a equipe de ginecologia e obstetrícia para assegurar o agendamento de consultas de pré-natal. As gestantes têm prioridade no agendamento. Entre janeiro e agosto de 2026, a especialidade de ginecologia e obstetrícia realizou 1.821 consultas ambulatoriais, incluindo 1.136 de pré-natal, além de 3.621 atendimentos de urgência, 1.430 partos e 668 cirurgias. Atualmente, o serviço conta com 45 médicos." O hospital também confirmou que houve desfalque em setembro por conta do desligamento de 18 profissionais, mas afirmou que as vagas foram repostas no decorrer do mês. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região
