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Rashid relembra dois cancelamentos seguidos no Lollapalooza: 'É cansativo viver momentos históricos'

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Rashid revela que quase recusou convite para o Lollapalooza 2023 Rashid esteve no g1 Ouviu nesta quarta-feira (30) e falou sobre seu novo álbum, os cancelamentos no Lollapalooza, batalhas de rimas e a cena do rap. O artista começou a conversa explicando que a ideia do novo de seu novo álbum, o "Cumulonimbus" nasceu quando ele percebeu que estava caminhando para uma sonoridade de um rap mais pesado. "São nuvens responsáveis pelas tempestades, raios e tornados. A ideia desse título nasce quando eu percebo que as músicas estavam direcionando para um lado pesado do rap, que foi o rap que me fisgou, que me apaixonei, nunca me distanciei, mas não era o que tinha destaque quando alguém de fora olhava para minha carreira. Ideia do resgate com esse título e esse conceito, está atrelado ao estado de espírito, não exatamente a uma sonoridade”, afirmou o artista. Ele ainda comentou que o álbum não é um "disco de acusações". "Ele coloco na mesa tudo o que amo e deixo que as pessoas falem que estavam sentindo falta disso." "Parece que estamos nos distanciando de valores que fundamentaram nosso movimento. Isso é assinar nossa permissão para o esquecimento." Rashid participa do g1 ouviu Rafael Peixoto/g1 Rashid ainda falou sobre as participações especiais do disco, que traz nomes como Emicida, Projota, Luedji Luna, Kamau, MC Neguinho do Kaxeta e Rael. "Todo mundo que está nesse álbum está pela cultura e legitimidade do Rashid". Durante a conversa, o rapper, compositor e roteirista de 38 anos também falou sobre o papel do hip hop na preservação da memória: "A memória está conectada com a nossa mensagem, com o nosso território. Não à toa, a gente está sempre falando dos que vieram antes". Cancelamentos no Lollapalooza Rashid relembrou ainda os dois cancelamentos no Lollapalooza (em 2019 e em 2022) por causa das tempestades. "É cansativo viver momentos históricos. Que coisa bizarra", brincou o artista. "O maior objetivo alcançado, você sobe no palco, precisa parar por uma tempestade de raios. Desabou o mundo. Estava passando um momento supercomplexo, pessoal, difícil de saúde da minha esposa. A gente precisava muito daquele show. Não era apenas um show", contou Rashid. O artista foi convocado novamente para o festival em 2022, após a pausa da pandemia de coronavírus. "Vou em 2022, vou subir pra fazer meu show e acontece a mesma coisa em 2019. Qual a possibilidade? Foi um balde de água fria dobrado. E a equipe do Lolla teve a maior consideração, chamando a gente pelo terceiro ano seguido. Estou até pulando a parte do trauma." Rashid contou que estava prestes a negar o convite na terceira tentativa. "Meu medo era acontecer terceira vez. Você vira piada eterna. Se nossa indústria fosse minimamente imagética, já teria sido suficiente para me colocar na gaveta." Após a ajuda de uma amiga, Rashid retornou ao festival e fez sua apresentação em 2023. "Fomos morrendo de medo. Quando subo no palco e vejo aquele público, penso: nenhum daqueles anos teria sido assim, tão cheio. Tive anos pra me preparar, além de ser o artista mais anunciado no line-up. Quando saímos do palco, parecia que o Brasil tinha vencido a Copa." RELEMBRE: Rashid diz que show no Lollapalooza 'está entalado na garganta desde 2019'; relembre saga no festival Referências 'Chegou ao lugar do entretenimento', diz Rashid sobre as batalhas de rimas Ao longo da entrevista, Rashid citou nomes de diversos artistas conectados com sua arte, mas destacou um momento especial para falar sobre Milton Nascimento, uma de suas grandes referências: "Minha avó materna conheceu ele. Quando eu soube, meu amor virou fanatismo. Não mexe com meu Milton Nascimento!" Ele ainda relembrou que dividiu a adolescência entre São Paulo e Minas Gerais: "A periferia de São Paulo é completamente urbana, cinza, falta de dinheiro. No interior de Minas Gerais, era roça, amigos na plantação de cana e alambique. Pobrezas diferentes". Ele também falou sobre a evolução das batalhas de rima: "Cresceu tanto que chegou nesse lugar do entretenimento. Na batalha, tem gente que não necessariamente escuta rap, mas gosta da batalha. São pessoas que escutam outros gêneros musicais." Rashid ainda fala sobre a importância das batalhas para "educar" novos artistas do movimento hip hop e, também, o público. "Quanto mais você conhecer a história, melhor para você. A preocupação das batalhas em relação a isso é legitima. Está preocupada em fomentar o movimento e formar os artistas e o público. Ela fortalece seu próprio movimento, ajuda na formação do MC, e quando ele citar alguma coisa, o público captou e gritou praquela rima, porque entendeu o que ele quis dizer. É o ciclo da batalha de rima. Inteligência nunca é demais." Início da carreira Rashid também relembrou o começo da carreira, quando divulgava suas músicas pelo MySpace, e falou sobre a disputa pela atenção do público: "Você tem a possibilidade de chegar até o lugar de colocar sua música na mesa. A questão é como você vai fazer a pessoa escolher sua música na mesa." Ele ainda falou sobre o sentimento ao ver que somava 5 mil plays. "Foi meu Grammy. E nem eram plays meus, eram de outras pessoas." “Na época, era como colocar uma carta na garrafa e jogar no mar. A gente não sabia onde ia chegar. Hoje sei minha fanbase. Antes, era acreditar muito na música e muito na rua. O rapper ainda comentou sobre o cuidado que tem com as participações que faz. "Os feats que a gente faz exigem um esforço, porque existe um padrão Rashid. Preciso manter o padrão ali naquela caneta." Rashid finalizou o papo falando sobre sua visão do posicionamento político de artistas da cultura hip hop. "O posicionamento é inato a contracultura. Ele já está ali. O que acho é que quando você entra na cultura, você já entra numa cultura que já escolheu antes de você nascer o que é, o que fala e de qual lado você está. O rap já estava posicionado antes de você chegar." "O ônus do crescimento é que tantos terceiros entraram que eles passam a querer ditar o que a cultura precisa ser. O hip hop nasce dentro de uma ideologia de esquerda. Basta você pesquisar. É a esquerda histórica. É luta relacionada ao trabalhador, à população." Você pode ouvir o g1 Ouviu no g1, no Spotify, no Castbox, no Google Podcasts ou no Apple Podcasts. Assine ou siga o g1 Ouviu para ser avisado sempre que tiver novo episódio no ar. Rashid participa do g1 ouviu Rafael Peixoto/g1

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