Temporais deixam rastro de destruição em cidade do PR atingida por tornado 53 dias antes; meteorologistas analisam se fenômeno se repetiu
Chuva volta a causar estragos em Piraí do Sul Fortes temporais foram registrados no final da tarde desta terça-feira (29) em Piraí do Sul, nos Campos Gerais do Paraná. Eles deixaram um novo rastro de destruição em locais que já tinham sofrido danos 53 dias antes, quando um tornado F3 com ventos de até 332 km/h passou na cidade. Relembre detalhes mais abaixo. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) informou que está avaliando a qual velocidade os ventos chegaram desta vez e se a tempestade se configurou, ou não, um novo tornado. No entanto, o órgão reforçou que um fenômeno não precisa ser categorizado como um tornado para causar destruição, e que o Paraná teve uma série de rajadas de vento fortes ao longo do dia. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Nesta terça (29), a região mais atingida foi a localidade de Fundão. Pelo menos sete casas e duas granjas foram destelhadas, e dezenas de árvores caíram em estradas rurais e outros locais da região. Não há informações sobre feridos. Muitos imóveis ficaram sem energia elétrica. Na manhã desta quarta-feira (30), a Companhia Paranaense de Energia (Copel) informou, às 8h40, que pelo menos 208 imóveis permaneciam sem luz. O Corpo de Bombeiros destaca que, em razão da geografia local e da interrupção no fornecimento de energia elétrica, o sinal telefônico foi afetado, mantendo algumas localidades temporariamente incomunicáveis. Equipes da corporação e da Defesa Civil trabalham na cidade nesta quarta-feira (30) para atender os afetados e contabilizar outros estragos. Temporais em Piraí do Sul nesta terça, 29 de setembro Prefeitura Municipal Leia também: Estragos pelo estado: Temporal com ventos acima de 100 km/h deixa um morto, desalojados e causa estragos no Paraná Previsão do tempo: Ciclone pode provocar mais tempestades fortes com ventos de até 100 km/h no Paraná; veja regiões sob risco Loterias: Duas apostas do Paraná são premiadas na Quina; veja cidades Tornado em agosto Tornado destruiu casas em Piraí do Sul em agosto Edson de Oliveira e RPC O tornado que passou no dia 8 de agosto (sábado) em Piraí do Sul, nos Campos Gerais do Paraná, foi classificado na Escala Fujita como F3, por ter rajadas de vento estimadas entre 253 km/h e 332 km/h. Segundo o órgão, a análise integrada de inspeções de campo, imagens de radar e aerofotogrametria por drone confirmou uma trajetória contínua de destruição de pelo menos 17,3 km ao longo da zona rural de Piraí do Sul, passando por localidades como Jararaca, Fundão e Boa Vista. "A formação da supercélula que originou o tornado teve como “combustível” a presença de ar quente e úmido vindo do Norte do Brasil devido à atuação de um sistema de baixa pressão sobre o Paraguai. O deslocamento de uma frente fria pelo Sul do país intensificou a umidade, e o cisalhamento do vento, ou seja, aumento e/ou mudança de direção do vento em relação à altura, entre a tarde e o início da noite do dia 8 de agosto favoreceu a formação de tempestades organizadas no Oeste, Centro Sul e Campos Gerais, com ambiente favorável para ocorrência do tornado". O fenômeno arrancou árvores pela raiz e destruiu casas de moradores da área rural. Produtores rurais ainda registraram prejuízos em barracões, granjas e locais destinados à criação de animais. De acordo com a Defesa Civil, pelo menos 500 pessoas foram afetadas e uma ficou ferida. RELEMBRE: Agricultor chamou a atenção pela tranquilidade ao filmar tornado: 'Se apavorar é pior' Voluntário que ajudou vítimas de tornado e Rio Bonito do Iguaçu perdeu a própria casa para o mesmo fenômeno nove meses depois, em Piraí do Sul Como foi feita a classificação do tornado em Piraí do Sul Trajeto do tornado de Piraí do Sul Simepar O Simepar explica que a reconstrução da trajetória do tornado e a estimativa da intensidade dos ventos foram feitas através da análise integrada de vistorias de campo, imagens de radar meteorológico e levantamentos realizados com drone, em um esforço conjunto entre o Simepar e a Defesa Civil do estado do Paraná. "Imagens enviadas pela população, feitas no momento da passagem do fenômeno, ajudaram a compreender a formação, intensificação, deslocamento, interação com a superfície e dissipação do tornado. Os vídeos e visitas à campo também foram importantes para compreender a movimentação de detritos, deformação da vegetação e deslocamento de objetos". A estimativa da intensidade dos ventos foi realizada com base nos critérios da Escala Fujita, considerando as características e a severidade dos danos observados em campo, como por exemplo colapso estrutural severo de edificações de alvenaria, madeira, e até mesmo uma torre de transmissão de energia elétrica. "As análises permitiram observar que pedaços de madeira, fragmentos de telhas cerâmicas e galhos de araucárias foram arremessados com força suficiente para penetrar o solo e incrustar em troncos de árvores. Araucárias e outras árvores de grande porte tiveram seus troncos decepados em meia altura, áreas de pastagem ficaram com ranhuras e houve remoção localizada da cobertura vegetal e da camada superficial do solo associada à ação dos ventos intensos". O órgão finaliza explicando que a classificação representa uma estimativa da intensidade máxima do tornado com base nos danos observados, e não uma medição direta da velocidade dos ventos. 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