Em vez de propostas, eleição presidencial chega na reta final discutindo religião e STF entra na briga
Em vez de propostas para saúde, educação e economia, a campanha eleitoral chega na reta final discutindo religião, e o Supremo Tribunal Federal (STF) entrou na briga atropelando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Resultado: o presidente do STF, Edson Fachin, terá pela frente mais uma sessão com duas alas do tribunal se digladiando, não bastasse a sessão vergonhosa da semana passada discutindo quem deve ser investigado nas relações com Daniel Vorcaro. Fachin pode levar caso Nossa Senhora Aparecida ao plenário do STF A fake news sobre Flávio Bolsonaro articular um projeto tirando de Nossa Senhora da Aparecida o título de padroeira do Brasil virou tema central de uma campanha da última semana de campanha. É fato que não há nenhuma declaração ou prova de que Bolsonaro esteja por trás de qualquer articulação com este objetivo, mas parlamentares bolsonaristas já defenderam a ideia. Embates TSE e STF De forma acertada, o ministro André Mendonça mandou retirar do ar postagens associando Flávio Bolsonaro à ideia. Errou ao ampliar a decisão de tal forma que acabou excluindo das redes sociais mensagens que não citavam o nome do candidato do PL à Presidência da República. Em seguida, advogados de defesa do humorista Antonio Tabet, um dos atingidos pela decisão de Mendonça, tomou um atalho e foi direto ao gabinete de Flávio Dino. O correto seria recorrer ao plenário do TSE. Preferiu ir ao STF. Dino derrubou a decisão de André Mendonça com os advogados de Tabet usando um caso relacionado ao ex-deputado Deltan Dallagnol. Um drible na Justiça Eleitoral. Flávio Bolsonaro recorreu ao mesmo artifício, usou uma ação no gabinete de Luiz Fux relacionada ao marco civil da internet e ganhou uma decisão. O presidente do TSE, Nunes Marques, foi a Fachin reclamar das interferências indevidas de ministros do STF, alegando que a Justiça Eleitoral está sendo fragilizada no meio do pleito deste ano. A reclamação de Nunes Marques teve como alvo não só Flávio Dino, mas também Gilmar Mendes, que fez críticas abertas a ministros do TSE. Agora, Fachin deve marcar o julgamento desta nova confusão para esta quarta-feira (30). Mais uma vez as alas pró-Alexandre de Moraes e a pró-Mendonça vão se enfrentar. Flávio tenta driblar a crise Enquanto isso, a campanha de Flávio Bolsonaro tenta sair de uma crise que poderia beneficiá-lo, por se tratar de uma fake news contra ele, mas que se virou contra sua candidatura quando o senador do PL decidiu atacar, sem provas, a CNBB. Flávio Bolsonaro disse que a entidade estava por trás da desinformação, gerando uma reação da entidade e seus aliados. Lula entrou na onda e disse que, enquanto for presidente, não permitirá que nada avacalhe a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Flávio Bolsonaro rebateu a onda dizendo que a fake news contra ele se assemelha à facada desferida contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. E o eleitor? Fica no meio deste tiroteio sem saber, por exemplo, o que os candidatos vão fazer de fato para resolver os problemas do país.
