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Por que estamos, ao mesmo tempo, ficando mais e menos saudáveis?

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Uma pesquisa recente realizada nos Estados Unidos apresentou um cenário aparentemente contraditório. Os norte-americanos estão divididos em dois grupos que vão em direções opostas: há os que vêm adotando um estilo de vida cada vez mais saudável e os que acumulam múltiplos hábitos prejudiciais. O problema que me chamou a atenção: são os idosos que lideram boa parte do segundo conjunto. A adoção de hábitos saudáveis que garantam uma longevidade ativa se concentra nos segmentos de maior poder aquisitivo islandworks para Pixabay Trata-se do novo relatório do projeto Sightlines, do Centro de Longevidade da Universidade Stanford. Incumbidos de responder se a população tem adotado comportamentos mais ou menos saudáveis, os pesquisadores concluíram que as duas opções estão corretas. Na média, pouco mudou desde o início do levantamento, em 2007. No entanto, a aparente estabilidade esconde uma polarização. Nas últimas duas décadas, a parcela de indivíduos que cultivam múltiplos hábitos benéficos – como alimentação rica em frutas e verduras, prática regular de exercícios e noites adequadas de sono – saltou de 33% para 44%. Simultaneamente, o contingente com diversos comportamentos nocivos, como sedentarismo, tabagismo, ingestão excessiva de álcool e consumo frequente de ultraprocessados, também aumentou, de 39% para 44%. Aqui está o ponto crucial: são os adultos acima dos 65 anos os principais responsáveis pela disparidade. O índice de idosos que aderiram a escolhas saudáveis e evitam práticas nocivas subiu de 29,7% para 36,6%. Em contrapartida, a fatia situada no quadrante de alto risco (muitos costumes prejudiciais) passou de 15,9% para 24,8%. A desigualdade exerce um papel relevante. Os pesquisadores apontam uma queda vertiginosa nas taxas de tabagismo nos estratos de maior renda, enquanto os índices se mantêm estáveis ou até crescem nas faixas economicamente vulneráveis. Dinâmica semelhante é observada nos indicadores de sobrepeso e IMC (índice de massa corporal). Nem sempre foi assim: em 2007, no início do estudo, os comportamentos de risco eram semelhantes em quase todos os níveis sociais, mas se distanciaram progressivamente ao longo dos anos. Acho que podemos replicar esse quadro para o Brasil. As pessoas de alta renda estão bem mais engajadas em se preparar para uma longevidade ativa. Entretanto, para os indivíduos de baixa renda, é urgente que políticas públicas de saúde garantam o que ainda não está ao seu alcance: áreas seguras para a atividade física, oferta de alimentos saudáveis em locais conhecidos como “desertos de alimentos” – nos quais reinam os ultraprocessados – maior cobertura vacinal (inclusive para doenças como herpes zóster), criação de espaços de convivência e intergeracionalidade. Precisamos de representantes que assumam esse compromisso. Agora no g1

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