Bancário é condenado a 22 anos de prisão por matar dois motociclistas em Maceió
O bancário Sérgio Praxedes dos Santos Filho foi condenado a 22 anos e três meses de prisão por atropelar e matar dois motociclistas e deixar uma mulher ferida na Avenida Fernandes Lima, em Maceió. O júri foi realizado nesta segunda-feira (28), no Fórum do Barro Duro. O caso aconteceu em 23 de julho de 2021. Sérgio dirigia um carro quando entrou na contramão da Fernandes Lima e atingiu duas motocicletas. Pedro Alves de Souza Júnior, de 31 anos, morreu no local. José Cícero da Silva Santos, de 46 anos, chegou a ser socorrido, mas morreu horas depois no Hospital Geral do Estado (HGE). Quitéria Gonçalves Amorim, esposa de José Cícero, sobreviveu. Além da pena de prisão, a sentença determinou o pagamento de R$ 50 mil por danos morais às famílias de cada uma das vítimas que morreram. Segurança de uma empresa pilotava uma moto e morreu no local do acidente em Maceió g1 Durante o julgamento, o Ministério Público de Alagoas (MP-AL) defendeu a condenação por homicídio doloso, quando há intenção de matar ou quando a pessoa assume o risco de provocar a morte. A acusação sustentou que Sérgio havia ingerido bebida alcoólica, entrou na contramão de uma das principais avenidas de Maceió e dirigia acima da velocidade permitida. A defesa, por outro lado, pediu que o caso fosse considerado homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Os advogados argumentaram que Sérgio não entrou propositalmente na contramão e que, após parar o carro e dormir, acordou acreditando que estava entrando em outra rua. Sobrevivente prestou depoimento Quitéria Gonçalves de Amorim e José Cicero da Silva Santos foram vítimas do acidente na Avenida Fernandes Lima, em Maceió Reprodução Quitéria Gonçalves Amorim, única sobrevivente da colisão, participou do julgamento por videoconferência. Ela estava na garupa da motocicleta conduzida pelo marido, José Cícero, quando os dois foram atingidos. Durante o depoimento, Quitéria se emocionou ao falar sobre o marido. Ela contou que atualmente mora em Minas Gerais com um dos filhos. “José Cícero era uma pessoa boa, um marido, um pai e um filho maravilhoso. Um batalhador, um grande trabalhador, uma pessoa amiga”, disse. A irmã de Quitéria também foi ouvida e afirmou que a sobrevivente ficou emocionalmente abalada e com sequelas depois da colisão. Segundo ela, Quitéria não consegue permanecer por muito tempo sentada ou em pé e ainda toma medicamentos. Acusação e defesa Familiares de José Cicero. MP/AL Durante os debates, o promotor de Justiça Thiago Riff afirmou que havia provas suficientes para sustentar que Sérgio dirigia após consumir bebida alcoólica. A acusação também citou perícias que, segundo o promotor, apontaram que o veículo estava acima de 65 km/h e percorreu 227 metros na contramão. Sérgio afirmou durante o julgamento que havia bebido e disse que sofre de insônia. Ele também explicou que tinha o costume de guardar no carro os vasilhames das bebidas que consumia, ao ser questionado sobre uma garrafa encontrada no veículo. A defesa sustentou que não houve dolo e que o ocorrido foi resultado de imprudência. Os advogados também citaram a assistência prestada por Sérgio a Quitéria depois da colisão. Antes da votação dos jurados, a defesa pediu alteração no quesito que tratava de Sérgio ter assumido o risco do resultado e defendeu que fosse considerada a hipótese de imprudência. O Ministério Público se manifestou contra a mudança, e o juiz rejeitou o pedido.
