Pesquisa desenvolve mandioca resistente e capaz de conviver com a praga vassoura-de-bruxa no AP
Iepa trabalha em pesquisa para tornar plantas resistentes Ă praga da mandioca Uma nova linha de pesquisa conduzida pelo Instituto de Pesquisas CientĂficas e TecnolĂłgicas do Estado do Amapá (Iepa) busca criar uma planta resistente Ă praga vassoura-de-bruxa da mandioca e que possa conviver com o fungo sem gerar infecção nas lavouras. A pesquisa Ă© realizada na plantação do produtor rural Douglas Dutra, em Itaubal, e apresenta resultados promissores. Mesmo a cerca de 300 metros de áreas totalmente contaminadas, as mandiocas cresceram saudáveis. âś… Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp “Talvez tenha a doença, mas visivelmente nĂŁo apresenta sintomas. Mesmo estando em volta de vizinhos com a doença, a minha área vem dando bons resultados”, disse Douglas. Propriedade de Itaubal no Amapá recebe a pesquisa do Iepa Thiago Nunes/Rede AmazĂ´nica Segundo o pesquisador, durante o estudo foi observado que plantações afetadas pela praga passaram a ser tolerantes durante a rebrota — capacidade da planta de crescer novamente e produzir novos brotos apĂłs ser cortada. “Algumas roças, recentemente abandonadas pela vassoura-de-bruxa, apresentaram rebrota compensatĂłria. A prĂłpria planta dá como se tivesse um reset, faz uma reorganização fisiolĂłgica, dá um start fisiolĂłgico e rebrota, lança novos ramos altamente vigorosos. Possivelmente esses ramos podem ser tolerantes Ă doença”. LEIA MAIS: Vassoura-de-bruxa ameaça lavouras de mandioca no Amapá e preocupa produtores Praga vassoura-de-bruxa Ă© encontrada em macaxeiras de Porto Grande, no Amapá Governo reforça barreiras contra vassoura-de-bruxa no Amapá Praga vassoura-de-bruxa Ă© identificada em comunidades de Macapá e Santana Praga da vassoura-de-bruxa atinge 15 dos 16 municĂpios do Amapá, segundo Diagro Indução de resistĂŞncia A indução de resistĂŞncia desenvolvida pelo Iepa inclui manejo do solo, biosfera, rizosfera, microbiota e uso de compostos biolĂłgicos para manter o material genĂ©tico saudável. Segundo o Dr. Marcelo Carim, criar condições para que a planta esteja bem nutrida ajuda a combater a doença. O instituto realiza correção de solo para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento da mandioca. Para isso, o pesquisador se baseou em estudos dos anos 1990, quando a banana enfrentou a praga mal-do-Panamá, que afetava as raĂzes e matava o fruto. “NĂłs desenvolvemos tambĂ©m diversos mecanismos de defesa, e um deles era a indução de resistĂŞncia. A indução de resistĂŞncia nĂŁo Ă© algo que eu criei, Ă© algo que já existe para diversas culturas. [...] entĂŁo criamos condições para que a planta, bem alimentada, bem nutrida, possa combater a doença”, disse. Propriedade de Itaubal no Amapá recebe a pesquisa do Iepa Thiago Nunes/Rede AmazĂ´nica Mandioca jurará Os estudos estĂŁo sendo aplicados na variedade jurará, a pedido do produtor rural, por ser conhecida entre agricultores e recomendada pela Embrapa Amapá. Para Douglas, trabalhar com outras variedades nĂŁo Ă© rentável, por isso mantĂ©m a produção da jurará. “Ela tem uma boa aceitação comercial. A jurará dá um melhor rendimento de mandioca, enquanto outras variedades demoram dois dias pra processar uma tonelada, ela leva sĂł um dia. EntĂŁo ela tem uma industrialização mais fácil”, disse. Problemas de comercialização Em maio, Douglas colheu cerca de 25 toneladas de mandioca com apoio dos estudos do Iepa. Mesmo assim, enfrentou dificuldades para vender o produto. “Eu mesmo tenho dificuldade em comercializar, atĂ© diminuir bastante o plantio, nĂŁo por causa da doença, mas sim pela dificuldade de comercialização, que acaba ficando difĂcil a comercialização e receber essa mandioca vendida”. Segundo o agricultor, reduzir a produção ameniza os impactos financeiros quando nĂŁo consegue vender. “Se vocĂŞ produz muito, fica complicado vender. Quando vocĂŞ diminui a produção, Ă© mais fácil conseguir vender e comercializar, vocĂŞ escolhe os clientes. Quando vocĂŞ tem muita produção, acaba tendo que mandar para qualquer um e eles demoram para pagar, Ă s vezes nĂŁo pagam”, destacou. Novo mecanismo O estudo entra em nova fase, com testes de pacotes biolĂłgicos para aumentar a produtividade. De acordo com o Dr. Marcelo Carim, os produtos sĂŁo eficientes. “Se eu trabalhei lá atrás com algo e deu resultado, imagine com uma atmosfera de elementos extremamente favoráveis e rigorosamente testados já. E eu estou trazendo para cá um exemplo. É o PF55, que Ă© uma bactĂ©ria extremamente saprofĂsica. EntĂŁo ela atua no solo, na raiz, no sistema da planta, na facilidade de absorção de nutrientes”, explicou. Avanço da praga no Amapá praga vassoura-de-bruxa da mandioca contaminando plantação Thiago Nunes/Rede AmazĂ´nica A praga vassoura-de-bruxa da mandioca já foi confirmada em 15 dos 16 municĂpios do Amapá, conforme dados divulgados pela AgĂŞncia de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro). O Ăşnico municĂpio que ainda nĂŁo possui registro oficial Ă© VitĂłria do Jari. A doença foi registrada no Brasil em agosto de 2024, quando apareceu pela primeira vez em plantações e terras indĂgenas do Amapá, na regiĂŁo do Oiapoque. O fungo reduz a produtividade da mandioca e compromete a qualidade dos produtos consumidos ou comercializados pela comunidade. Pesquisa desenvolve mandioca resistente e capaz de conviver com a praga vassoura-de-bruxa no Amapá Veja o plantĂŁo de Ăşltimas notĂcias do g1 Amapá VĂŤDEOS com as notĂcias do Amapá:
