Colisões de aviões com aves em Campinas superam capital paulista
A cidade de Campinas (SP) registrou um número maior de colisões entre aviões e aves do que a capital paulista entre janeiro e agosto de 2026. O aumento desse tipo de ocorrência, conhecido na aviação como "bird strike", ganhou destaque após um avião de carga da FedEx fazer um pouso de emergência no Aeroporto Internacional de Viracopos na última quinta-feira (24). Segundo dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), Campinas contabilizou 13 colisões nos oito primeiros meses deste ano, enquanto São Paulo teve oito. O número também representa um aumento em relação ao mesmo período de 2025, quando ocorreram nove registros em Campinas. Casos na metrópole Colisões de aviões com aves em Campinas superam capital paulista Reprodução/EPTV Além do pouso de emergência do Boeing 767 da FedEx, que precisou sobrevoar Holambra e Jaguariúna para gastar combustível antes de aterrissar em segurança, a região teve outros casos recentes envolvendo voos comerciais e aeronaves de pequeno porte: 18 de fevereiro: Um avião modelo Baron 58 fez pouso forçado no Aeroporto dos Amarais após bater em um pássaro na decolagem e sofrer falha no trem de pouso. 9 de agosto: Um voo da Azul para Natal (RN) colidiu com uma ave após decolar de Viracopos. A aeronave retornou em segurança e os passageiros foram reacomodados. 21 de setembro: Dois aviões registraram o problema na decolagem em Viracopos em um intervalo de poucas horas, mas seguiram viagem normalmente para Três Lagoas (MS) e Recife (PE). Um levantamento feito com base em dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostra que, focando apenas no Aeroporto de Viracopos, foram registradas 95 colisões de aeronaves com pássaros entre 1º de janeiro e 26 de setembro deste ano. A maioria dos incidentes (53,68%) ocorreu durante o dia, seguida pelo período noturno (33,68%). Reflexo da ação humana Boeing 767 da FedEx precisou sobrevoar Holambra e Jaguariúna para gastar combustível antes de aterrissar em segurança Reprodução/EPTV Para o professor de engenharia aeronáutica da Universidade de São Paulo (USP), Fernando Catalano, os riscos variam de acordo com o tamanho do animal, embora os motores e a fuselagem sejam testados para suportar o impacto. Ele explica que aves que voam em altitudes médias, como o urubu, podem danificar a estrutura das aeronaves. O especialista aponta que a presença desses animais perto das pistas é um reflexo da ação humana. "Com as mudanças climáticas e a mudança de habitat das aves, as matas ao redor das cidades sendo destruídas, com plantações, monoculturas, etc., muitas dessas aves passam a conviver dentro da cidade", afirma Catalano. Ainda segundo o professor da USP, grupos de pássaros que deveriam estar em matas distantes acabam migrando para o ambiente urbano. "A solução seria preparar o meio ambiente ao redor para que isso acontecesse", conclui. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas
