Macron pede à Europa para combater "regresso dos nacionalismos"
Macron fez estas declarações durante um encontro em Metz - na presença do Papa Leão XIV, que está em visita à França - sobre a construção europeia e a paz. "Aqui pulsa o coração milenar da Europa, uma Europa que protege, une e age. Uma Europa soberana e democrática, movida por este projeto de paz e prosperidade. Uma Europa que deve recuperar a coragem dos seus fundadores (…) a coragem para não ceder ao isolacionismo, ao ódio pelo outro, ao regresso dos nacionalismos que dividem", declarou Macron. Na sua última intervenção pública perante Leão XIV nesta viagem — sendo que Macron assistirá também, mais tarde, a uma missa celebrada pelo Papa em Metz —, o Presidente francês voltou a defender a Europa. Uma Europa, segundo Macron, foi "construída sobre uma base greco-romana e judaico-cristã", na reconciliação franco-alemã e na "vontade dos povos que saíram de ditaduras" depois de 1945, mas hoje se vê "abalada pelo regresso dos impérios". O Presidente francês referiu-se ao apoio que a Europa está a prestar à Ucrânia "perante a agressão militar da Rússia", mas também à "aceleração da construção de uma Europa da defesa e da paz". Enfrentar a ameaça russa, assinalou o Presidente francês, implica também "defender um modelo social", o que passa por melhorar a competitividade, combater as alterações climáticas e controlar as tecnologias. "Para garantir uma soberania real, precisamos de agir. Agir, em primeiro lugar, para assegurar a nossa segurança e preservar os nossos valores. Pois a paz não se decreta, é construída pacientemente por artífices de boa vontade, lúcidos e constantes", insistiu Emmanuel Macron, que já tinha recebido o Papa na sexta-feira, no Palácio do Eliseu. A Europa não é "uma potência que apaga as nações, mas uma força que prolonga e amplia a sua capacidade de agir e de controlar o seu destino", prosseguiu. A "herança europeia" "cristalizou" a "primazia da pessoa e, posteriormente, do indivíduo livre e racional", "a liberdade, o espírito crítico, o apego à ciência, a democracia liberal", bem como o "capitalismo e o livre comércio, indissociáveis do Estado de bem-estar social e da democracia social", acrescentou Macron. Foto: depositphotos
