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‘Colinha’ incompleta: eleitores chegam à última semana antes das eleições sem definir todos os votos

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A uma semana para o primeiro turno das eleições de 2026, muitos eleitores ainda não definiram todos os candidatos em quem pretendem votar no próximo domingo (4). Enquanto parte do eleitorado já preparou a chamada “colinha” com os números dos candidatos, outros ainda avaliam opções para alguns ou todos os cargos em disputa. O g1 ouviu eleitores em pontos da capital federal para entender por que parte das decisões fica para os últimos dias da campanha. 🔎As eleições acontecem nos dias 4 de outubro (primeiro turno) e 25 de outubro (se houver segundo turno), das 8h às 17h (horário de Brasília). O voto é obrigatório para pessoas com idades entre 18 e 69 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos e idosos com 70 anos ou mais. CONGRESSO: Por que existem duas casas? A confeiteira Savina Sampaio, por exemplo, ainda não escolheu nenhum dos candidatos e diz que pretende aproveitar esta última semana para analisar os candidatos. “[vou levar em consideração] a índole, a trajetória que veio até aqui, o que falta para eles, o que realmente querem fazer”, afirmou. Para o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), adiar algumas escolhas é um comportamento esperado diante da complexidade da eleição deste ano e, por isso, deixar essa escolha para a reta final é “natural”. “São seis votos, centenas de candidatos, cargos muito diferentes entre si e uma quantidade enorme de informações para assimilar em poucas semanas. É natural que parte dessas escolhas fique para a reta final”, afirma. 🔎 No primeiro turno, os eleitores votam para deputado federal, deputado distrital, dois senadores, governador e presidente da República. É permitido levar uma anotação em papel com os números dos candidatos para consultar na cabine de votação. Eleitores podem consultar "colinha" com números dos candidatos no momento da votação Reprodução/ TRE-RS Votos para o Legislativo costumam ficar para depois Segundo Medeiros, os eleitores tendem a acompanhar mais de perto a disputa presidencial e deixam para os últimos dias as escolhas para cargos legislativos. “É mais fácil identificar os concorrentes à Presidência porque a disputa recebe mais atenção. Já as escolhas para o Legislativo acabam ficando para a reta final, principalmente quando o eleitor tem menos informação sobre os candidatos”, diz. Apesar disso, o cientista político ressalta que essas definições são fundamentais para o funcionamento do sistema político. “O Legislativo tem papel central para definir como o país será governado nos próximos quatro anos”, afirma. O aposentado Gilmar Mendes de Aguiar disse que, mesmo a dúvida sendo “muito pequena”, ainda não decidiu o voto para dois cargos, entre eles o de deputado federal. Pesquisas mostram que esse comportamento é comum. Levantamento da Quaest divulgado em agosto deste ano apontou que 32% dos eleitores escolhem o candidato ao Senado na última semana antes da votação. Desse total, 14% tomam a decisão apenas no dia da eleição. LEIA TAMBÉM: Duas vagas para o Senado: repetir o candidato anula o 2º voto; saiba como votar e evite erros Quando o assunto é a Presidência da República, a definição costuma ocorrer mais cedo. Segundo a pesquisa, 20% dos eleitores escolhem o candidato na última semana e 10% dizem decidir apenas no dia do pleito. O padrão também apareceu em eleições anteriores. Pesquisa Datafolha realizada após o primeiro turno de 2022 mostrou que um quarto dos eleitores decidiu os votos para o Congresso na véspera ou no dia da votação. Segundo o levantamento: 17% definiram o voto para o Senado no dia da eleição; 18% tomaram a decisão para a Câmara dos Deputados no próprio dia da votação. Já para presidente, 81% dos entrevistados afirmaram ter decidido o voto pelo menos um mês antes das eleições. O cientista político Leonardo Barreto, especialista em comportamento eleitoral, entende que as pessoas mais desinteressadas não procuram informações espontaneamente sobre deputados e senadores e esses dados “precisam chegar até essa parcela de eleitores”. Por que deixam decisão para a última hora? Para Barreto, a falta de interesse pela política ajuda a explicar por que parte dos eleitores adia a escolha dos candidatos. “É aquela tarefa que você sabe que precisa fazer, mas não gostaria de fazer. Muitas pessoas não gostam de discutir política, não têm interesse e acabam deixando essa decisão para o último momento”, afirma. Segundo Medeiros, outro motivo é a quantidade de informações que precisam ser analisadas, como propostas, trajetórias e posições. “O custo informacional do voto é elevado. Quanto mais candidatos o eleitor precisa avaliar, mais difícil fica comparar propostas e fazer uma escolha com segurança”, explica. A estudante de psicologia Giovanna ainda precisa decidir os votos para deputado federal e distrital. Para ela, o número de candidatos torna a escolha mais difícil. “São muitas opções. Preciso estudar melhor as propostas para escolher quem realmente faz mais sentido para mim”, diz. Segundo Medeiros, diferenciar as funções de um deputado federal, de um deputado distrital e de um senador também pode ser um desafio para parte dos eleitores. Para ele, conhecer essas atribuições ajuda tanto na hora de votar quanto depois, na hora de cobrar os eleitos. A fotógrafa Ranyellen Bravo ainda não definiu três dos seis votos. Embora já tenha alguns nomes em mente, ela pretende pesquisar mais sobre os candidatos antes de concluir a “colinha”. Para o cientista politico Leonardo Barreto, quando o eleitor não consegue chegar sozinho a uma decisão, é comum procurar alguém de confiança para ajudar a definir o voto. “Essas decisões normalmente são tomadas em conversas com familiares e amigos, em ambientes de confiança”, afirma. O especialista destaca, porém, que chegar à última semana sem todos os votos definidos não significa que o eleitor deixará de participar da eleição. O eleitor ainda pode buscar informações, conversar com alguém de confiança e decidir de última hora. “A pessoa ainda pode buscar informações, conversar com alguém de confiança e tomar a decisão no último momento”, diz. Para ele, há diferença entre indecisão e desinteresse pelo processo eleitoral. “Quem não quer escolher e decidiu se afastar do processo eleitoral já tomou uma decisão. Isso não é mais uma indecisão”, conclui. Urna eletrônica com sistema de Língua Brasileira de Sinais (Libras): cartório eleitoral de Rio Preto (SP) disponibiliza equipamentos para ampliar acesso de eleitores TV TEM/Reprodução

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