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Criminosos vendem pacotes de vídeos de abuso sexual infantil por R$ 10 no Telegram e usam PIX para receber

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⚠️ Aviso: esta reportagem contém conteúdo sensível sobre abuso sexual infantil. Ao final dela, veja como denunciar casos desse tipo. Criminosos usam TikTok para promover de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram Uma reportagem do g1 mostrou que criminosos usam o TikTok como vitrine para promover a venda de conteúdo de abuso sexual infantil, negociado dentro do Telegram. O g1 localizou ao menos 35 links publicados no TikTok que dão acesso à venda desse tipo de material. Alguns levam a sites externos, mas a maioria direciona os interessados para grupos, chats privados e robôs de venda no Telegram. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ➡️ Os pacotes anunciados pelos criminosos custam a partir de R$ 10 e chegam a R$ 150. Alguns vendedores aceitam pagamentos em criptomoedas, como bitcoin e ether. Mas o g1 também encontrou canais em que os criminosos aceitam PIX como forma de pagamento. (saiba mais abaixo) Os vídeos publicados no TikTok nem sempre têm relação aparente com o material anunciado. É nos comentários, porém, que os interessados encontram caminhos para outras contas e links que levam ao Telegram. Quando há um link, ele geralmente contém a palavra invite ("convite", em inglês), seguida de um código. Ao acessar o endereço, o usuário precisa informar essa sequência para entrar em uma página dentro do Telegram, onde é exibida uma prévia do conteúdo anunciado. Em outros casos, a negociação ocorre diretamente por meio de bots ou de conversas com os criminosos dentro do Telegram. O acesso, a produção e a divulgação de conteúdo de abuso sexual infantil são crimes no Brasil. (saiba mais ao final da reportagem) Procurado, o Telegram afirmou que proíbe o compartilhamento de conteúdo de abuso sexual infantil e que, apenas neste ano, excluiu mais de 300 mil grupos e canais relacionados a esse tipo de material. O TikTok disse que remove essas postagens rapidamente e bane as contas envolvidas. "Utilizamos tecnologia de ponta e sistemas robustos para monitorar e remover qualquer conteúdo que tente explorar ou causar danos a jovens", completou. As notas enviadas pelas empresas ao g1 estão, na íntegra, no final desta reportagem. Criminosos vendem pacotes de vídeos de abuso sexual infantil por R$ 10 no Telegram e usam PIX para receber pagamentos Arte g1 Pacotes são vendidos a partir de R$ 10 Em um dos sites monitorados pelo g1, um dos pacotes custa US$ 25 (cerca de R$ 130) e dá acesso a um grupo privado no Telegram com milhares de vídeos. No mesmo endereço, outros pacotes são vendidos por US$ 11,99 (cerca de R$ 62) e US$ 17,50 (cerca de R$ 90), com diferentes quantidades de conteúdo. Em um deles, que aceita PIX, um pacote com 3 GB de vídeos e fotos custa R$ 10, enquanto outro, com 15 GB, é vendido por R$ 35. (veja na imagem abaixo) Criminoso vende conteúdo de abuso sexual em chat no Telegram. Reprodução/Telegram Os grupos também anunciam diferentes categorias de conteúdo de abuso sexual infantil, incluindo material com violência sexual, como estupro e incesto. Um deles afirma ser um dos maiores do Brasil e promete receber material de diferentes fontes, além de garantir a confidencialidade dos compradores. Por R$ 20, o grupo oferece acesso "vitalício", segundo o anúncio. (veja na imagem abaixo) Antes da compra, os criminosos costumam enviar uma prévia do conteúdo por meio de um vídeo autodestrutivo, que é apagado após a primeira visualização. Depois, eles fornecem uma chave PIX e, após a confirmação do pagamento, enviam os arquivos na própria conversa. Grupo vende acesso vitalício a grupo de conteúdo de abuso sexual infantil por R$ 20. Darlan Helder/g1 Para investigadores da Polícia Federal (PF) ouvidos pelo g1, o uso do PIX nesse tipo de crime mostra a sensação de segurança dos criminosos. Muitos usam contas de terceiros, de laranjas ou até de ex-namoradas. Também há casos em que os agressores usam a conta bancária da própria vítima ou de familiares para receber pagamentos pelas vendas do material. Em uma das interações, um criminoso que diz ser do Brasil admite usar a conta bancária de uma "menina" e diz que ela provavelmente será bloqueada. Ele garante, porém, que a transação do interessado não será rastreada, o que não é verdade, segundo a Polícia Federal. Criminoso usa PIX para vender conteúdo de abuso sexual infantil e diz que comprador não será rastreado. Reprodução Ele usa como chave PIX um endereço de e-mail com final "@estudante.rs.gov.br". O g1 não conseguiu localizar a pessoa mencionada no endereço. Procurada pelo g1, a Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul informou que "está em contato com as autoridades policiais para a apuração desse caso". Embora os criminosos se sintam seguros ao usar o PIX, a transação deixa rastros que podem ajudar na investigação. Os dados da conta de quem faz o pagamento ficam registrados e podem ser usados pela polícia para identificar os compradores. Além disso, bancos tradicionais geralmente identificam como suspeitas transações atípicas ou realizadas a partir de diferentes regiões e, nesses casos, podem bloquear as contas. Site incentiva compartilhamento de link no TikTok para liberar material sem custo Reprodução Em outro site localizado pelo g1, que não é hospedado no Telegram, mas foi divulgado no TikTok, os criminosos incentivam compradores a compartilhar links na rede social em troca de acesso gratuito a novos conteúdos. (veja na imagem acima) Segundo o anúncio, os interessados podem receber mais de 150 vídeos sem custo depois que uma determinada quantidade de usuários se cadastrar na plataforma por meio do link gerado pelo comprador. A estratégia transforma os próprios interessados em divulgadores. O site também informa aceitar diferentes formas de pagamento, incluindo cartão de crédito e PIX. Produção, venda e compra podem levar à prisão Canal no Telegram vende conteúdo de abuso sexual infantil com preços a partir de R$ 15. Reprodução/Telegram Desde o início de agosto, uma nova lei prevê penas mais duras para crimes envolvendo conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes. Para quem produz ou vende esse material, a pena passou a ser de 4 a 10 anos de reclusão, além de multa. Para quem adquire, possui ou mantém o conteúdo, a punição é de 3 a 6 anos de reclusão e multa. As novas regras foram sancionadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 6 de agosto de 2026. O texto teve origem em projeto de autoria do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) e foi aprovado pelo Senado em 7 de julho. "Desde quem produz até quem vende e quem recebe, toda essa cadeia está passível de ser responsabilizada e deve ser responsabilizada por esse crime", defende Ana Cláudia Cifali, do Instituto Alana. A nova lei define como conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes qualquer representação, por meio de registro audiovisual, que envolva criança ou adolescente, real ou fictício, em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, incluindo conteúdos gerados por IA. Com a mudança, a legislação passa a classificar esse tipo de material como "violência sexual contra criança ou adolescente", em vez de usar o termo "pornografia". A alteração acompanha uma discussão internacional sobre o uso desse termo, considerado por especialistas e organizações insuficiente para descrever a gravidade da violência praticada contra menores de idade. O que dizem as empresas Telegram "A distribuição de material de abuso sexual infantil é expressamente proibida pelos termos de serviço do Telegram, e dedicamos esforços significativos para erradicá-la de nossa plataforma. Mais de 339.760 grupos e canais relacionados a material de abuso sexual infantil foram removidos em 2026. Além da moderação humana, o Telegram escaneia todas as mídias enviadas para sua plataforma pública, comparando-as com um banco de dados de hashes de conteúdo de material de abuso sexual infantil previamente removido por moderadores, complementado por conjuntos de dados da Internet Watch Foundation e denúncias de ONGs de todo o mundo. Como resultado desses esforços, o Telegram praticamente eliminou a disseminação pública de material de abuso sexual infantil em sua plataforma. O fato de agentes maliciosos precisarem anunciar em outras plataformas significa que eles não conseguem existir publicamente no Telegram como resultado dos esforços de moderação do Telegram. Estatísticas diárias e mais informações: Telegram.org/safety" TikTok "Removemos esse conteúdo rapidamente e banimos permanentemente as contas envolvidas. Utilizamos tecnologia de ponta e sistemas robustos para monitorar e remover qualquer conteúdo que tente explorar ou causar danos a jovens. Não permitimos conteúdos que retratem ou disseminem o abuso ou a exploração sexual infantil. Quando tomamos conhecimento de qualquer conteúdo desse tipo — seja por meio dos nossos próprios métodos de detecção, denúncias da comunidade ou parcerias com a indústria —, agimos imediatamente para removê-lo, banir as contas envolvidas e reportar os casos ao NCMEC (em português: Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas). Dados do Nosso Relatório de Aplicação das Diretrizes da Comunidade mais recente, do primeiro trimestre de 2026, demonstram a eficácia dos nossos sistemas em fazer cumprir nossas regras. 99,8% dos conteúdos que violaram nossas políticas sobre abuso sexual e físico de jovens foram removidos proativamente da plataforma." Veja como denunciar casos de violência infanto-juvenil: Polícia Militar - 190: quando a criança está correndo risco imediato; Samu - 192: para pedidos de socorro urgentes; Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres; Qualquer delegacia de polícia; Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa; Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia; WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656-5008; Ministério Público; Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras) Conteúdo de abuso infantil é divulgado no TikTok TikTok vira reduto de perfis que exaltam Hitler e o nazismo Sistemas de câmeras usam inteligência artificial e prometem se antecipar a crimes

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