Quanto os brasileiros deixam nas bets? Estudo estimou R$ 62,5 bilhões em 2025, mas o setor contesta
Entenda como vai funcionar o alerta em publicidade de bets O governo federal anunciou nesta sexta-feira (25) novas medidas para endurecer regras sobre as bets no Brasil. Os últimos dados disponíveis, divulgados pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) em agosto, estimaram que as bets retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025 — o equivalente a cerca de 0,68% da renda disponível. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Os dados são da terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros. O estudo foi elaborado pelo Comsefaz em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), com base em dados do Banco Central, das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica (Epae) e em análises próprias. "Esse montante representa uma transferência expressiva de renda das famílias para esse setor, com potencial impacto sobre sua capacidade de honrar compromissos financeiros", afirma o estudo. O levantamento define como "saída líquida" a diferença entre tudo o que os apostadores colocaram nas plataformas de apostas e o dinheiro que receberam de volta em prêmios. Ou seja, o cálculo mostra quanto, no saldo final, saiu do bolso dos jogadores e ficou no setor de apostas. De acordo com o levantamento, entre outubro de 2024 e março de 2026, a saída líquida média foi estimada em R$ 4,7 bilhões por mês. O estudo também destaca que o avanço das bets representa mais um risco para o orçamento das famílias brasileiras, que já lidam com juros altos e dificuldade para pagar as contas. Segundo o levantamento, as apostas on-line também têm baixo efeito multiplicador na economia. 💰 Na prática, isso significa que, diferentemente do dinheiro gasto com bens e serviços, os recursos destinados às plataformas de apostas geram menos renda, empregos e atividade econômica. O levantamento também aponta o PIX como principal meio usado pelos brasileiros para transferir dinheiro às plataformas de apostas. Segundo o estudo, a expansão das bets teria acrescentado, em média, R$ 24,1 bilhões por mês ao volume de transações entre outubro de 2024 e março de 2026. Em 2025, esse volume adicional foi estimado em R$ 350,97 bilhões. O estudo também indica que as famílias de menor renda tiveram participação relevante no mercado de apostas. Na época da divulgação do boletim do Comsefaz, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa o setor de bets, contestou os dados. A entidade afirmou que o levantamento cometeu "erros graves" e ignorou fatores macroeconômicos que contribuíram para o aumento do uso do PIX. Também citou dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, segundo os quais a receita bruta do setor foi de cerca de R$ 37 bilhões em 2025. (veja a nota abaixo) Lula e o fim das bets O debate dentro do governo sobre um possível fim das bets já ocorria havia algumas semanas, com a equipe dividida entre uma proibição mais ampla e medidas mais restritas. Na última quarta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretendia acabar com as apostas on-line. Na ocasião, demonstrou preocupação com a influência dos algoritmos sobre os jovens e relacionou a questão ao avanço das bets. "A minha preocupação é que hoje tem uma parte da juventude atrelada aos algoritmos. E se a gente não fizer essa luta, os algoritmos vão ganhar. Eu não tenho nenhum problema em dizer. Eu terei o imenso prazer de acabar com as bets." O que diz o setor Veja a nota da ANJL na íntegra: A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) vem a público repudiar a divulgação de dados falsos, pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), sobre um suposto volume de transações por pix no Brasil atribuído ao mercado de apostas on-line. Além de cometer erros graves na linha temporal à qual as transações se referem, o levantamento ignora fatores macroeconômicos que contribuíram para o aumento, em diversos setores da economia, do uso do pix como meio de pagamento. Não procede a informação de que “famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões” para as bets em 2025. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas, a receita bruta do setor, no ano passado, foi de R$ 37 bilhões, quase a metade, portanto, do estimado pelo Comsefaz. Importante destacar que as transações que constam do estudo se referem a transferências líquidas de pessoas físicas para pessoas jurídicas para quatro segmentos: artes, cultura, esportes e recreação, nos quais estão se inserem uma enorme variedade de prestadores de serviços de entretenimento, não apenas as bets. Soma-se a isso a omissão de processos de mudanças na dinâmica do consumo no país, com o aumento da bancarização, fazendo com que mais pessoas passassem a usar o pix em vez de outras formas de pagamento. Por fim, a ANJL destaca que, segundo dados oficiais da SPA-MF, de outubro de 2024 a dezembro de 2025, exatamente o período ao qual o levantamento se refere, 25 mil sites de apostas ilegais foram bloqueados e pelo menos 550 contas bancárias foram encerradas. Os dados mostram que avaliar meramente um enorme montante financeiro, que abrange não só vários setores, mas também contas ligadas a empresas ilegais, causa uma miopia sobre o mercado legalizado. A indústria de apostas, mais uma vez, se manifesta contrária a divulgações irresponsáveis, tendenciosas e generalistas, de dados financeiros que não correspondem à realidade do setor, cujo retrato fiel é monitorado e divulgado apenas pelo poder regulador. Bets tiraram R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025, aponta estudo Reprodução/TV Verdes Mares
