Santarém completa dois meses sem chuva e nível do Tapajós baixa 3,63 metros
Rio Tapajós enfrentou a pior seca da história em 2023 Rede Social/Reprodução Santarém, no oeste do Pará, completa nesta sexta-feira (25) mais de dois meses sem registro de chuva na estação meteorológica da Fazenda Experimental da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). O último registro ocorreu em 23 de julho, quando foram registrados cerca de 5 milímetros de chuva. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp No mesmo dia, o nível do rio Tapajós, medido na régua da Agência Nacional das Águas (ANA), no porto da Companhia Docas do Pará (CDP), em Santarém, estava em 6,47 metros. Desde então, o rio vem baixando de forma contínua. Em 23 de setembro, dois meses após o último registro de chuva, a régua marcava 2,99 metros. Nesta sexta-feira (25), o nível chegou a 2,84 metros. Isso representa uma redução de 3,63 metros desde 23 de julho. A marca atual registrada hoje (25) está 1,78 metros abaixo de 2025. Em relação a 2024, a régua mostra que o nível está 1,93 metros acima. Já em relação a 2023, a marca está acima 74 centímetros. A cota de alerta do rio Tapajós em Santarém é de 2,10 metros. Estiagem ganhou força a partir de julho De acordo com o meteorologista e professor do curso de Ciências Atmosféricas da Ufopa, Alex Santos, apesar de o período de estiagem estar sendo intenso, o comportamento de 2026 apresenta uma diferença em relação a 2023. Meteorologista explica sobre falta de chuva em Santarém Em 2026, o período chuvoso conseguiu se estender até a primeira metade de julho. Segundo o professor, houve registros sucessivos de chuva até aquele período, antes da interrupção que marcou o início da atual sequência de estiagem. “O nosso período chuvoso de 2026 foi bem representado. Nós tivemos chuvas registradas até o início de julho, primeira metade de julho, ainda com registros sucessivos de chuvas”, explicou. A última chuva registrada, no entanto, teve volume baixo. Foram aproximadamente 5 milímetros na estação da Fazenda Experimental da Ufopa. Desde então, a ausência de precipitações tem contribuído para a redução do nível do Tapajós. Influência do El Niño Alex Santos explica que a falta de chuva está relacionada também às condições dos oceanos Pacífico e Atlântico, que influenciam a circulação atmosférica e o comportamento do clima na América do Sul. No Pacífico, o aquecimento das águas associado ao El Niño altera a circulação da atmosfera e pode dificultar a formação de nuvens de chuva sobre a região Norte do Brasil. “Esse fenômeno de variabilidade climática impede a formação de chuva na nossa região porque o ar se torna subsidente, descendente sobre a região Norte do Brasil, inibindo em boa parte dessa região a formação de nuvens associadas a chuvas”, explicou o meteorologista. Segundo o professor, a configuração observada atualmente apresenta intensidade semelhante, e em alguns aspectos superior, à registrada durante o período de estiagem de 2023. Outubro deve marcar o menor nível Mesmo com o nível do Tapajós ainda acima do registrado em 2023, a avaliação do meteorologista é de que o rio deve continuar baixando nas próximas semanas. A expectativa é que outubro concentre o período de menor nível do rio. “Essa seca está se intensificando, o nível do rio tende a diminuir. Está apenas meio metro acima de 2023 para a mesma época do ano, porém nós ainda entendemos que outubro é que registrará o nível mínimo mais baixo do rio mesmo, que possivelmente passará o registrado em 2023”, afirmou Alex Santos. O cenário pode se tornar ainda mais preocupante caso a atual configuração climática permaneça nos próximos meses. Segundo o meteorologista, as condições observadas em 2026 já apresentam intensidade maior do que a registrada no período recente de 2023. Ele avalia que, se essa configuração persistir, o comportamento climático poderá provocar condições consideradas extremas e atípicas em 2027. Apesar da previsão de continuidade da descida do rio, o nível atual ainda está 74 centímetros acima da cota de alerta, que é de 2,10 metros.
