Pedro Turra: novo laudo do IML não aponta negligência médica e mantém agressão como causa da morte de jovem no DF
Jovens trocam socos e murros em Vicente Pires por causa de chiclete. Em mais um aditamento ao laudo complementar solicitado pela Justiça do Distrito Federal, o Instituto de Medicina Legal (IML) não encontrou elementos que indiquem negligência médica, atraso relevante no diagnóstico ou outro fator hospitalar capaz de ter causado a morte de Rodrigo Castanheira, de 16 anos. A perícia também manteve a conclusão de que as agressões sofridas por Rodrigo Castanheira, de 16 anos, provocaram a morte do adolescente. ➡️️ O novo documento, apresentado nesta quarta-feira (23), foi elaborado após mais questionamentos apresentados pela defesa de Pedro Arthur Turra Basso, preso preventivamente e réu por homicídio doloso pela morte de Rodrigo. ➡️️ O processo ainda está nas etapas iniciais e aguarda a conclusão dessa fase para que a Justiça decida se Pedro Turra será levado a júri popular. Em agosto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou mais um pedido de soltura. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. ➡️️Seg️undo a investigação, Pedro Turra agrediu Rodrigo após uma briga em Vicente Pires, em 23 de janeiro (veja o vídeo no início da reportagem). O adolescente ficou internado por 16 dias e morreu em 8 de fevereiro. O que diz o novo laudo Segundo o assistente de acusação, Albert Halex, durante a audiência de instrução e julgamento a defesa de Turra levantou a hipótese de que a morte de Rodrigo poderia ter sido consequência de negligência médica, e não das agressões. Ao responder aos questionamentos da defesa, os médicos-legistas afirmaram que não houve atraso relevante no diagnóstico do traumatismo craniano. Pedro Turra passa por audiência de instrução Segundo o document obtido pelo g1, Rodrigo chegou ao hospital consciente, com pontuação 15 na Escala de Coma de Glasgow e caminhando. A triagem foi registrada às 1h51 e a tomografia foi solicitada às 2h05, apenas 14 minutos depois. Os peritos afirmaram que não há evidência de que a hipótese de intoxicação alcoólica tenha atrasado a realização do exame de imagem. A perícia também analisou o intervalo entre a identificação do problema, a estabilização do paciente e a cirurgia. Segundo os médicos-legistas, o atendimento foi realizado em contexto de extrema gravidade, com parada cardiorrespiratória, necessidade de intubação e estabilização hemodinâmica antes da cirurgia. O laudo afirma que, embora o tratamento precoce seja importante em casos de hematoma epidural, não é possível concluir que uma cirurgia realizada mais cedo teria evitado a morte de Rodrigo. A perícia considera que a gravidade do trauma teve papel determinante na evolução do quadro. Fratura é compatível com socos O documento também reforça a conclusão sobre a dinâmica da agressão. A lesão inicial foi localizada na região anterior do osso temporal esquerdo. Segundo os peritos, a fratura é "plenamente compatível" com um impacto direto no lado esquerdo da cabeça, como um soco humano de alta intensidade ou golpes repetidos. Jovens trocam socos e murros em Vicente Pires por conta de chiclete. TV Globo/Reprodução As imagens da briga mostram Rodrigo recebendo golpes no lado esquerdo da cabeça e, em determinado momento, batendo o lado direito contra um veículo — no ínicio do caso, havia a hipótese de que a lesão fatal teria sido provocada por esse impacto. Essa versão, no entanto, foi considerada incompatível com o conjunto dos exames analisados. A perícia afirma, porém, que os achados tomográficos, cirúrgicos e necroscópicos se concentram no lado esquerdo do crânio. E o 'soco inglês'? Outro ponto analisado foi a possibilidade de utilização de um instrumento contundente durante a agressão. A Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de Pedro Turra, onde foi apreendido um soco inglês e facas PCDF/Divulgação O laudo afirma que o uso de um soco inglês ou instrumento semelhante é compatível com os ferimentos encontrados em Rodrigo e com a ausência de lesões nas mãos de Pedro Turra. Segundo os peritos, o instrumento poderia concentrar a força do impacto e proteger a mão de quem desfere o golpe. Isso, no entanto, não significa que a perícia tenha concluído que um soco inglês foi efetivamente utilizado na agressão. A resposta do IML aponta apenas que essa hipótese é compatível com os achados. Um soco inglês e facas foram apreendidos pela Polícia Civil durante uma operação de busca na casa de Pedro Turra, segundo documentos já anexados ao processo. Pedro Turra é suspeito de agredir adolescente de 16 anos em Vicente Pires. TV Globo/Reprodução LEIA TAMBÉM: MP denuncia namorada e sogra Turra por coagirem vítima de suposta tortura Confira linha do tempo da briga que levou à morte de Rodrigo Castanheira Julgamento A audiência de instrução e julgamento foi feita em 25 de maio e durou cerca de 10 horas. Segundo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT), dez testemunhas foram ouvidas, uma foi dispensada e Pedro Turra prestou depoimento ao final. O conteúdo dos depoimentos prestados durante a audiência não será divulgado, segundo o tribunal. Enquanto a definição sobre um eventual júri popular segue pendente, a Justiça determinou uma medida na esfera cível. O Tribunal de Justiça do DF autorizou o bloqueio de bens de Pedro Turra até o limite de R$ 5,1 milhões para assegurar eventual indenização à família de Rodrigo Castanheira. 🔍 Por que isso adiou a decisão sobre o júri popular? A decisão sobre o envio do caso ao Tribunal do Júri normalmente ocorre após a conclusão da fase de instrução, quando o juiz analisa as provas reunidas no processo. No caso de Pedro Turra, porém, o magistrado entendeu que é necessário aguardar a conclusão da perícia complementar antes de decidir se há elementos para que o réu seja julgado por um júri popular. O crime Justiça rejeita mais um pedido de habeas corpus de Pedro Turra Com a morte de Rodrigo, o Ministério Público reclassificou o crime cometido por Pedro Turra, inicialmente investigado como lesão corporal gravíssima, para homicídio doloso. Além da condenação criminal, o MP pediu que Pedro Turra seja obrigado a pagar R$ 400 mil por danos morais à família da vítima. Em 11 de fevereiro, o MP apresentou na Justiça a denúncia contra Turra por homicídio doloso. A Justiça aceitou a denúncia e tornou o ex-piloto réu, em 13 de fevereiro. O adolescente Rodrigo Castanheira morreu 16 dias após ser agredido pelo piloto Pedro Arthur Turra Bassos após uma briga por chiclete Reprodução/TV Globo Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
