Marrocos anuncia candidatura a lugar não permanente na ONU
Na intervenção, justamente na véspera das eleições legislativas marroquinas de hoje, Nasser Bourita afirmou que a candidatura reflete o compromisso do país com "a manutenção da paz e da segurança internacionais", bem como com "o estrito cumprimento das normas do direito internacional e dos princípios de soberania nacional e integridade territorial dos Estados". A candidatura de Marrocos, acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros marroquino, representa o culminar dos contributos do país para a consolidação de três pilares do sistema internacional: "manter a paz e a segurança, promover o desenvolvimento sustentável e o Estado de Direito". A iniciativa coincide com um clima de tensão no país após a passagem em massa de imigrantes para a cidade espanhola de Ceuta, entre 30 e 31 de julho, que provocou pelo menos 141 mortos, segundo organizações civis, tensões com Madrid e a maior crise migratória entre os dois países. Marrocos fez parte do Conselho de Segurança em três ocasiões: 1963-1964, 1992-1993 e 2012-2013. Além disso, Bourita apelou à comunidade internacional para reforçar a resposta perante a crescente ameaça dos grupos armados não estatais. A influência deste grupos, acrescentou, representa riscos para "a segurança, a soberania e a estabilidade dos Estados" e pode atingir rotas estratégicas, estreitos marítimos "e afetar potencialmente a navegação internacional". O chefe da diplomacia marroquina reclamou uma resposta internacional para que os Estados que "patrocinem, financiem, armem ou proporcionem refúgio a estes grupos assumam responsabilidades não só políticas, mas também jurídicas e de outra natureza". O ministro defendeu também perante a Assembleia o plano de autonomia de Marrocos para o Saara Ocidental e afirmou que a situação deu uma "viragem histórica" após a Resolução 2797 do Conselho de Segurança de outubro passado. Marrocos está em conflito com a Argélia, que apoia a Frente Polisário sarauí independentista, e acompanha atentamente a situação dos seus vizinhos do Sahel, governados por Juntas Militares e marcados pelos frequentes confrontos com grupos jihadistas. Bourita referiu-se também à questão palestiniana para assegurar que é uma "prioridade constante" na política externa de Marrocos. "O estabelecimento de uma paz justa e duradoura depende da criação de um Estado palestiniano independente, soberano e viável, baseado nas fronteiras de 04 de junho de 1967, com Jerusalém Oriental como sua capital, que coexista com o Estado de Israel em paz e segurança", afirmou. O ministro apelou "ao respeito pelo acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza e a garantir o fornecimento suficiente de ajuda humanitária e outros recursos, sem obstáculos nem restrições". A declaração de Bourita surge após o recente acordo assinado entre Marrocos e Israel, com o patrocínio de Washington, para elevar o nível das suas relações diplomáticas e avançar para a abertura de embaixadas nos dois países, um novo passo para reforçar os seus laços bilaterais. O novo acordo, alcançado na semana passada em Nova Iorque, provocou críticas entre organizações civis e grupos de esquerda em Marrocos. A aproximação a Israel foi formalizada em 2020, quando os dois países anunciaram a normalização das suas relações diplomáticas com a mediação dos EUA, em troca do apoio de Washington a Marrocos na sua proposta para o Saara Ocidental.
