NR-1: empresas podem voltar a ser punidas por descumprir regras de saúde mental; entenda
Saúde mental no trabalho ganha novas regras com atualização da NR-1 As empresas podem voltar a ser punidas por descumprir as regras da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) relacionadas à saúde mental no ambiente de trabalho a partir desta quarta-feira (23). A mudança ocorre porque terminou o prazo de 90 dias determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que havia suspendido temporariamente a aplicação de multas e outras sanções administrativas previstas na norma. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A decisão, porém, não suspendeu as obrigações das empresas. Desde que a atualização da NR-1 entrou em vigor, em maio deste ano, os empregadores continuam obrigados a identificar, avaliar e prevenir riscos psicossociais relacionados ao trabalho. Entre esses riscos estão situações como: excesso de carga de trabalho; jornadas excessivas; cobrança e pressão excessivas; prazos considerados exíguos; assédio moral e outras condutas abusivas; problemas na organização do trabalho que possam afetar a saúde mental dos funcionários. O que muda agora? Na prática, a principal mudança é que os auditores-fiscais do trabalho podem voltar a aplicar multas e outras sanções administrativas relacionadas ao descumprimento das regras sobre riscos psicossociais. O que é a NR-1? A Norma Regulamentadora nº 1 estabelece regras gerais de segurança e saúde no trabalho. A atualização passou a incluir os riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. As empresas devem identificar esses fatores, avaliar os possíveis impactos e adotar medidas para reduzir ou eliminar os riscos. A norma também prevê que essas medidas sejam registradas no programa de gerenciamento de riscos da empresa. O que o trabalhador pode fazer? A suspensão das multas não alterou os direitos trabalhistas. Casos de assédio, excesso de jornada ou outras situações que possam prejudicar a saúde do trabalhador continuam podendo ser denunciados. O trabalhador pode procurar o Ministério do Trabalho e Emprego, o Ministério Público do Trabalho (MPT), o sindicato da categoria ou a Justiça do Trabalho. Além das punições administrativas, uma empresa pode ser responsabilizada judicialmente por danos causados ao trabalhador. Por que a regra foi parar no STF? A aplicação das penalidades foi questionada no Supremo pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen). O ministro André Mendonça determinou a suspensão das multas e de outras sanções administrativas por 90 dias. Nesse período, governo, empregadores e trabalhadores também participaram de uma tentativa de conciliação sobre a aplicação da norma. Com o encerramento do prazo, as punições administrativas voltam a poder ser aplicadas enquanto a discussão sobre as regras continua no Supremo.
